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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe pirosa

rabiscado pela Gaffe, em 18.04.14

Não aceito menos do que aquilo a que tenho direito e tenho direito a tudo aquilo que é considerado por muito boa gente piroso, ultrapassado, possidónio, rosa bebé, azul clarinho e pintalgado de melaço.

 

Quero que me mimem como se eu fosse um ursinho de peluche; que me ofereçam idiotices que me fazem corar de vergonha em público, mas que me comovem em privado; que me esfarrapem a personalidade, tornando-me um monstro presunçoso, concordando com as mais idiotas das minhas ideias, mesmo criticando todas no aconchego do lar; que me tragam o pequeno-almoço à cama e se estatelem no meu colo a fazer de mesa; que me levem a comer ostras, mesmo sabendo que odeio ostras, que as ostras me metem tanto nojo como caracóis e caviar; que me paguem o croissant no de Flore, contando as moedinhas no WC para ver se chega; que me ofereçam vasos com uns cactos ranhosos, porque sabem que me esqueço de regar as plantas e de dar de comer aos pássaros; que me agarrem na mão no meio da avenida, mesmo sabendo que sou capaz de a decepar se perceber o deslize, porque não gosto de manifestações públicas de carinho; que aguentem com as palestras do meu irmão acerca das mais recentes investigações e descobertas na área que domina, mesmo reconhecendo que as palestras são de fazer inchar um bacalhau; que me ofereçam livros que já tenho e se desculpem depois dizendo que o que me oferecem é para guardar direitinho; que tentem arrumar o meu apartamento e a minha secretária, mesmo sabendo que me esfacelam os nervos só a imaginar a tentativa; que me ouçam a discorrer toda presunçosa sobre matérias que desconheço com uma atenção digna de santo, adivinhando eu que estão a pensar na receita de pastéis de carne gordurosos que eu adoro comer e que me digam de modo credível, mesmo sabendo que eu não acredito:

 

- Tudo em ti dá sentido à minha vida.

 

Do not fall in love with people like me. I will take you to museums, and parks, and monuments, and kiss you in every beautiful place, so that you can never go back to them without tasting me like blood in your mouth. I will destroy you in the most beautiful way possible. And when I leave you will finally understand, why storms are named after people.

Caitlyn Siehl

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Gavetas:



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