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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe oftalmológica

rabiscado pela Gaffe, em 19.07.14

Estão a ver isto?
Coisa mais linda!
Mas não é destes que a Gaffe quer falar. Estes são Ray-Ban e pertencem à famosíssima colecção Clubmaster, lançada nos anos 80 e que dava uma piscadela de olho aos anos 50 e aos óculos Browline usados por Buddy Holly e Malcolm X. Foram recuperados agora e são uma autêntica coqueluche por aqui fora.

Mas o que interessa não é isso.
O que importa é que há uns aninhos (mais um para trás ou para a frente) o Armani lançou uma edição limitadíssima de óculos que são a cara destes, com hastes mais largas, anos-luz mais bonitos e sexualmente abrangentes.
Foram usados uns parecidos nos filmes JFK, Cães danados e O talentoso Mr. Ripley. Coisa fina. Custavam uma fortuna. Mas a Gaffe não descansou enquanto não conseguiu compras uns para oferecer ao homem dos seus sonhos. A armação era de tartaruga, com a ligação entre lentes de ouro velho e parafusinhos lindinhos e pequenininhos a prender as ditas, verdes garrafa. Um milagre.

Apesar de maravilhosos, eram pesados demais. Era maciços e chegavam a magoar a cana do nariz. Foi exactamente esta a razão que levou o Armani a retirar o produto do mercado. Ficou prometida uma versão mais leve, mas nunca mais apareceu.


Mas o homem da vida da Gaffe adorava-os. Chispava por eles.

 

A Gaffe ofereceu-lhos!


Com caixinha e paninho para os limpar, garantia e documento assinado pelo Armani atestando a origem e o número de edição! Assim, o matulão que a Gaffe presenteou conseguiu pregar-lhe um par de chifres, mas de modo vintage.

A Gaffe quer ver se o apanha distraído, lá mais para o Verão, e vai tentar recuperar os óculos para os dependurar depois nos dois galhos secos que ainda tem na testa.

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A Gaffe arriscada

rabiscado pela Gaffe, em 18.07.14

Parem com as depilações que vos conseguem arrancar o esterno e descarnar as pernas!

Estes Verão, rapazes, corram outros riscos.

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A Gaffe ajuda

rabiscado pela Gaffe, em 17.07.14

Há homens que lentamente nos ocupam. Alguns trazem palavras que sabem emudecer todas as nossas.

Há outros descartáveis. Ocupam-nos apenas os cantos das frases escritas pelo corpo ou a bainha dos vestidos que largamos.

São lantejoulas.  

 

Senta aqui, juntinho à Gaffe, rapazinho esperto e nu!

Responde à majestade daqueles que nos marcam:   

 ¿por qué no te callas?

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A Gaffe aplicada

rabiscado pela Gaffe, em 17.07.14

De acordo com o que li, o ambiente de trabalho do nosso computador reflecte parte do que somos.

Preocupo-me!

Não olho para este monitor, pertença de um PC promíscuo, sem dono nem senhor, sem rei nem torre, capaz das maiores infidelidades, um D. Juan pervertido, com um passado decerto escabroso, mas lembro-me do miminho que, puro como noviça, descansa no aconchego do meu lar.

Se o ambiente de trabalho do meu computador pessoal reflecte parte do que sou, é fácil concluir que tenho um lado, no mínimo e para não me magoar muito, bastante histriónico.

Está repleto de aplicativos que uso e deixo de usar como quem atira confetis nas romarias da aldeia.

Passemos então a falar de mim:

 

Evernote - para organizar notas e capturar ideias;

Airmail - para gerir o correio electrónico;

Skype 

Fantastical - a melhor aplicação para agendamentos;

2D0 - uma aventura que me organiza todas as tarefas;

Dropbox – para partilhar lantejoulas;

 

Chrome com os seguintes plugins:

• Pocket - para armazenar artigos que quero ler mais tarde;

Evernote - para guardar artigos para futuras pesquisas;

Buffer App - raramente uso, mas é interessante para gerir as redes sociais;  

Spotify - quando estou a ouvir música com fones;

f.lux - uma mariquice fofinha. Reduz o bluelight que interfere com a produção de melatonina. Se tiver problemas de sono, este software não é uma panaceia, mas ajuda.

 

O meu smartphone é também bastante elucidativo:

 

SwiftKey - acelera o e-mail e a escrita de forma significativa;

Self-Control - a melhor aplicação para reduzir a dependência de smartphones. Podemos bloquear aplicativos em determinados momentos do dia. Em casa, por exemplo, só posso receber telefonemas e mensagens de texto - tudo o resto está bloqueado;

2Do - para gerir tarefas enquanto o dia se move;  

Kindle - para leitura durante os tempos mortos;

Evernote - para anotações rápidas;

Feedly - para seguir meus blogs favoritos;

Pocket - para ler o que salvo no bolso no meu smartphone;

BeyondPod - para gerir o que ouço;  

Lookout Security - para encontrar o meu telefone sempre que o perco. Tem alguns recursos de backup e de segurança. Se alguém tentar entrar, sem sucesso, com código de acesso errado três vezes seguidas o Lookout tira uma foto com a câmera frontal e envia-ma por mail.

 

É evidente que não uso constantemente todas estas miudezas!

Sou uma rapariga comedida e reservada e não aprecio que o ambiente de trabalho do meu computador revele a psicopata que sou nas horas vagas.

 

Depois, se não os podes vencer, confunde-os com uma avalanche de informação inútil. 

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Gavetas:

A Gaffe florista

rabiscado pela Gaffe, em 16.07.14

Todas as correntes estéticas quando duram mais do que três ou quatro Primaveras, geralmente aproximam-se do fim de modo apoteótico. Os eventuais exageros são visíveis e anunciam de forma inequívoca o estrebuchar final daquilo que invadiu e dominou e caracterizou um determinado lifestyle.

A linha que guiou o hipster pelas nossas avenidas e que perdura, resistindo muitíssimo mais do que seria de esperar, é agora contaminada por uma espécie de redesenho que tenta anular o cansaço da reprodução de imagens.

O hipster aproxima o seu allure inesperadamente andrógino da fragilidade dos pormenores que surpreendem. A barba, cuidada e aparada com a perícia de um escultor experiente, imprescindível porque é suporte da sua imagem de marca, é agora sublinhada e tornada vedeta incontestável. Presas na sua densidade, seguras no seu corpo espesso, surgem pequenas flores que Victoria Vrublevska ou Peter Yankowsky fotografam.

É evidente que as nossas avenidas não se vão transformar em canteiros ambulantes. A imagem do hipster florido não é susceptível de se espalhar por estes ângulos, mas tudo se tornaria bem mais divertido se presas nas duras pilosidades destes machos enganadores cintilassem as cores das florações.

Há no entanto que separar os jardineiros. O hipster é o exemplar de uma corrente estética, logo um aglomerado de similitudes, um grupo, uma tribo, uma colecção de semelhanças que divergem pouco dentro de um mesmo espaço circular, e não propriamente a definição de uma personalidade única, indiscutivelmente original e sem contaminação daquilo que se convenciona chamar in.

Se olhar, por exemplo, para o meu querido amigo vejo-o neste instante a brincar com as folhas do livro pousado nos joelhos e descubro-lhe o perfil estranho:

Nariz demasiado recto, quase inimigo, quase agressivo, como se a testa larga, grande, belíssima, não fosse nada mais do que o anúncio e o sustentáculo daquele declive acentuado.

A barba rasa de ónix, carrega-lhe a rudeza e a cerrada cisma.

Subitamente sei: Florentino!

Imagino-o na cidade mais masculina da Europa.
Florença, construída por homens para homens, onde David branco e nu, com a lendária pedra por lapidar na cabeça pesada, demasiado jovem, desengonçado colosso a crescer, à procura do equilíbrio anatómico distorcido ainda pelo contraste da volumetria do tórax e da curvatura do abdómen e o tamanho desmesurado dos seus pés e mãos, espera contra a pedra escura a dor que terá de sentir pelo tempo fora e que lhe foi causada pelo demente que lhe partiu o segundo dedo do seu pé esquerdo.

 

Por muitas flores que se cravem nos espaços, nenhum hipster me faz suspeitar que já o vi outrora, numa vida anterior a esta, onde num Quarto com Vista sobre a Cidade eu tinha um nome Toscano e ele era Príncipe.

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A Gaffe de Reininho

rabiscado pela Gaffe, em 15.07.14

Tenho o prazer de conhecer Rui Reininho há já alguns anos, talvez por isso seja suspeita quando me levanto e o aplaudo, mesmo perante as atitudes que se reprovam e que Reininho eleva a um patamar de provocação muitas vezes inútil. Gosto de Reininho mesmo condenável.

Reininho é um dos homens mais fascinantes que conheço, porque a sua inteligência está misturada com um humor ousado que tem faltado àquela verdade que nos é atirada pelos dias que passam. É um corajoso patife, um anacrónico enfant terrible que não consegue deixar de nos fazer sonhar com o que poderíamos viver se lhe roubássemos os olhos e que nos desarma sempre, porque o seu spleen quase queirosiano nos chega mesclado de um optimismo que sabe que pode chorar depois.

Rui Reininho sabe manobrar audiências assim como sempre conseguiu manipular a sua imagem. Ultrapassa com facilidade os riscos com que é limitada a normalidade e permite, e autoriza tacitamente, que esta transgressão seja visível, usando-a para apoiar a construção da lenda (ia escrever mito!) em que se quer tornar.   

Reininho é um sacana fabuloso. Delicado como um cavalheiro vitoriano, cínico como um dandy de outras eras, meigo como um ursinho de peluche e incontrolável como a tempestade.

 

Só depois de muita hesitação se pode responsabilizar a RTP por nos ter permitido ver Rui Reininho a trocar as botas pelas perdigotas – ou coisa que o valha. Há sempre a possibilidade de cumplicidades esconsas entre as câmares e o GNR. Também não me convence o tão proclamado desrespeito pelos concorrentes ou pelos espectadores que são processados de forma esbardalhada. Caso nos preocupássemos com tal acabavam todos os concursos.

 

Depois, ter Micael Carreira por perto justifica a bebedeira.

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A Gaffe apertada

rabiscado pela Gaffe, em 15.07.14

O nosso primeiro estúdio! Aquele que nos faz cantarolar Aznavour:

 

 Je vous parle d'un temps
Que les moins de vingt ans ne peuvent pas connaître
Montmartre en ce temps-là accrochait ses lilas
Jusque sous nos fenêtres et si l'humble garni
Qui nous servait de nid ne payait pas de mine
C'est là qu'on s'est connu
Moi qui criait famine et toi qui posais nue

La bohème, la bohème. Ça voulait dire on est heureux.

 

Lindo e apertado. A canção é maior.

No entanto, há pequenos truques que possibilitam a ilusão de vivermos num espaço maior com a mesma vontade de se ser feliz. Eis alguns:

Usemos todos os cantos da sala!

Há espaços escondidos, não importa onde. Encontre-os e use-os a seu favor.

Faça seu apartamento parecer maior e mais luminoso, usando espelhos e cores claras.

Pendure a sua roupa e coloque estantes nas paredes. Evite armários grandes. Poupa espaço e acaba por publicitar a novíssima t-shirt Chanel que lhe levou metade do ordenado.

Crie salas diferentes, colocando, por exemplo, um armário no meio.

Faça pequenos cantos relaxantes.

Se mesmo assim lhe parece que para abrir a porta do WC tem de afastar os móveis do vizinho, é tempo de procurar um nababo do Dubai com um visto doirado entregue em mão pelo Paulo Portas.

Em alternativa, pode aceitar as horas extras e passar menos tempo dentro do cubículo.   

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A Gaffe à primeira vista

rabiscado pela Gaffe, em 14.07.14

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A Gaffe legionária

rabiscado pela Gaffe, em 13.07.14
Se olharmos para o lado, o que vemos pode ser belicamente assustador, mas tudo se perdoa se o que temos pela frente é uma belíssima promessa de lides mais prazenteiras.

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A Gaffe com mulheres

rabiscado pela Gaffe, em 12.07.14

O calor é imenso, asfixia e empurra-nos para a sombra gigante das tílias do jardim.
A minha avó, de Proust no regaço, embala o sono no tempo decididamente perdido. De vez em quando mergulha os dedos nas ondas severas do cabelo branco e beberrica água gelada com gotas de limão.
A minha irmã esgadanha o calor agitando a Vogue americana com uma fúria demente como se tentasse soltar das páginas revistas um modelo qualquer do Inverno que vem. Suspira e abafa, rumoreja impaciência.
A minha prima, repleta de tédio, abandona o portátil sobre as almofadas de tela grosseira, na cadeira de verga, e acende um cigarro morto de calor.
Eu espero que as formigas não ataquem, trepando à mesa e cravando o ódio acicatado pelo sol nas madalenas que ninguém pediu.

À distância observo o rapaz que chega do povoado para cuidar da relva. É bajulador e usa com perícia a falsa simpatia de quem sabe que vai ser bem pago.


A canícula afrouxa-me os sentidos e nenhuma promessa atabafada me desperta.
O dia passa com a lentidão da história.

Entretanto, há tempo para morrer devagarinho.

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Gavetas:

A Gaffe deste lado da rua

rabiscado pela Gaffe, em 11.07.14

Para o Fernando (aqui)

 

O rapaz do outro lado da rua, espera. Tem caracóis soltos e barba de dois dias. Uma camisa verde musgo e calças corroídas. As mãos agitadas e dedos que se cruzam uns nos outros. Às vezes fica estático, com um pé apoiado na parede, mas por tão pouco tempo que mesmo no tempo em que sossega é inquieto. Gosto do rapaz do outro lado da rua. O rapaz à espera.

 

Deste lado da rua, eu  tenho caracóis ruivos, mas a minha blusa também é verde. Deste lado da rua, as minhas mãos estão pousadas tranquilamente no tampo da mesa e o meu tempo não é nervoso nem inquieto.

 

Deste lado da rua, não se espera nada. 

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Gavetas:

A Gaffe socrática

rabiscado pela Gaffe, em 11.07.14


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A Gaffe na Final

rabiscado pela Gaffe, em 10.07.14

Não é segredo que na Copa a minha selecção favorita sempre foi a da Alemanha.

Todos vestido por Hugo Boss, todos belíssimos rapazes, organizados, implacáveis, tenazes, interligados, metódicos e por aí fora, que de adjectivos estão estas avenidas cheias.

Como é evidente, tornar-se-á em triunfo sem que para tal precise de sambar. Nada menos se espera de um grupo unido de super-atletas com uma noção perfeita de coesão e de espírito de equipa primorosa e inteligentemente bem treinada.

 

Agora o que me intrigou significativamente foi a C., quando o Mundial se espalhou na mesa como um dominó de reformados, declarar com alguma solenidade a preferência pelo Brasil na Final do Campeonato, fazendo-o disputar o troféu com a selecção do Mónaco.

 

Bem sei que a C. não é criatura de grandes chutos e que os tacões dos seus Manolo Blahnik dificilmente se confundem com pitões, mas fazer entrar em campo uma equipa derrubada de modo arrasador para enfrentar uma outra que é inventada, é digno de um samba principesco.     

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Gavetas:

A Gaffe em francês

rabiscado pela Gaffe, em 10.07.14

A Gaffe tem uma novidade para dar.

Queria guardar tudo para si, porque é uma rapariga discreta, reservada e boa pessoa, mas é coisa a mais para uma alma só.  
Através de protocolos e intercâmbios que a ultrapassam, o Jeremy Irons tem esvoaçado pelos seus cantos mais científicos. Enfim, não é bem, bem, bem o Jeremy como é lógico, mas toda a gente lhe chama assim, porque ele é exactamente o actor, só que uma centena de anos mais novo. É dez anitos mais velho do que a Gaffe, mas esta moça confessa que sempre teve um fraquinho por homens grisalhos.

É aquele francês que imaginamos de revista se não conhecermos nenhum.

Senta-se mesmo ao lado  da Gaffe naquelas reuniões terríveis onde ninguém ouve um pirolito  e desata a fazer desenhinhos para lhos mostrar às escondidas. A Gaffe sorri todo lambida e pirosa, mas nunca se atreve a saltar mais do que a perna. O homem é atinado e muito correcto e a Gaffe sabe que se se descuida e solta um gritinho - ai, que giro! tão giro, tão giro! tão fofinhos os bonequinhos que faz! tem de me mostrar mais, que eu adoooooro, sim? - pode arranjar um berbicacho. Sabe lá se o tipo quer só mesmo mostrar os rabiscos. Tudo muito sério, portanto. Nada de galhofa menos própria.  

 

Pois a Gaffe tinha um post-it colado ao monitor. Nada de anormal. Isto é mais um sítio para colar post-it do que propriamente um monitor. Mas aquele chamou-lhe logo a atenção porque reconheceu a letra.  
Agora a parte melhor: o Jeremy todo informal desenhou um macaquito foleiro e escreveu por baixo:

 

Aujourd'hui, on joue?


Hoje, é melhor esclarecer, era na quarta-feira passada. 
Tendo em conta que nas reuniões onde o homem se senta ao seu lado, se por acaso encosta a perna à sua, a Gaffe fica que nem se pode levantar, imagine-se em que estado é que ficou ao ler aquilo.

Jogamos?! Brincamos?! Que coisa queria o bonitão dos seus inconfessáveis pensamentos dizer com aquilo?  
Lá fui ela toda lampeira e toda lampreia perguntar-lhe o que significava aquela caca (teve o cuidado de não dizer caca). 
Ficou esclarecida na quinta-feira. E que bom explicador o Jeremy lhe saiu!  


Agora vem a parte mais rasca: vai para outras paragens, longe daqui, no fim do mês.

Acaba neste instante de pedir outra vez, e desta vez por SMS, para a Gaffe o acompanhar. A mensagem é do melhor e até se fica com os dedos lambuzados só de a ler. Poder ir, até pode, mas não vai. Sabe que não é  puxada assim de repente para aventuras destas. A Gaffe vai esforçar-se por chorar só durante uns minutinhos e depois correr para o wc para retocar o rímel.


É evidente que parece uma daquelas miúdas adolescentes, confusas e com as hormonas aos saltos, mas a verdade é que já o andava a catrapiscar há uns meses largos e até já tinha tido sonhos tão eróticos com o tipo que nem se atreve a recordar com medo de partir os vidros das janelas. Também é verdade que ainda tem um tempito para decidir como lhe há-de dizer adeus em tempo útil.  

 

Tudo o que se diz no adeus é tão banal que nenhuma das palavras ditas sustenta o mais suave sopro, a mais fugaz das brisas.

Não há nada num adeus que mereça solidificar dentro da alma, mas há sempre um adeus pousado à nossa porta, sentado à nossa espera e beijos que docemente aguardam pelos donos.

Um adeus é espécie de morte pequena. Lava todas as máculas, todas as nódoas, todas as ofensas, todas as manipulações malditas que foram existindo. Fica apenas a memória do que foi divino, perfeito e demasiado grandioso para ser tocado ou alterado e, mesmo essa memória, lapidada pelo adeus, ampliada na luz que irradia, faz do que perdemos a eternidade. Não há saída! Somos vencidos mesmo antes de pegar em armas, mesmo antes de começar a luta. Iniciamos o que não pode ter início. Um adeus tem sequestrado o  coração que desejamos nosso.


A Gaffe vai ficar apenas com uma fotografia deste adeus tirado à toa.
O fugidio francês, canalha sedutor, perigoso e implacável, desaparece e surge um anjo branco, esguio, de olhos tristes, frágil e belíssimo.  

 

Talvez a Gaffe tenha de colar um post-it no monitor só para se lembrar porque é que as coisas consigo nunca são fáceis.

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Gavetas:

A Gaffe anota

rabiscado pela Gaffe, em 09.07.14

A Primavera/Verão 2015 de Dries Van Noten é absolutamente encantadora!

O uso de vários tons de café com leite, desde a densa cor do café puro até à sua mais frágil mistura com a cor do chá ou do leite; o uso de padrões clássicos agigantados os rasurados; a amplitude das peças de linho e de seda que entregam um allure informal sem desconcerto e a colocação de pormenores que apesar de discretos se tornam primordiais, fazem de Dries Van Noten uma das Casas capaz de transformar 2015 num desfile de bom gosto e de inteligência.

A Gaffe aplaude entusiasta e decide riscar a giz todo o guarda-roupa.

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