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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe escreve um fado

rabiscado pela Gaffe, em 15.02.18

fado.jpg

 

Meu amor sei-te da morte

Pelas escamas de nuvens afogadas

Pela carne em carne viva das pegadas

Que deixo no caminho à sua sorte

 

Meu amor sei que morri

No teu silêncio que tem a cor das fontes

E que entre a luz e a morte não há pontes

Nem terra a latejar dentro de ti

 

Porque eu morri

 

Meu amor sei-te de morte

No corpo contra a sombra que abandono

No cão que lambe o mar por não ter dono

Na luz de olhos fechados como um corte

 

Meu amor sei que morri

Nas crinas das raízes rasas de água

Das árvores que são pássaros de mágoa

Com asas que se despem só por ti

 

Porque eu morri

 

Meu amor sei-te da morte

Queimei a cal do peito que morreu

Na dor que tinha o nome que era o teu

E havia um ninho a abrir o vento Norte

 

Meu amor sei que morri

No pátio que erguias nos meus braços

Que agora se desfazem de tão lassos

Porque ao morreres levaste o que eu vivi

 

E eu morri

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Gavetas:




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