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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe eliminada

rabiscado pela Gaffe, em 26.02.18

Dolce & Gabanna - Out/Inv, 2018

 

Numa eliminatória dominada por completo pela dentadura de Sónia Araújo, aconteceu o previsto.

A influência dos manos Sobral é faca de dois gumes e se na primeira fase o lado benéfico se fez sentir amenamente, nesta segunda etapa foi desastrosa e cortou a eito, incutindo, sobretudo nas intérpretes, a tendência para nos arrepiar com uma qualquer trapalhada vestida que podia passar por um embrulho de Ferrero Roche - Rita Ruivo; dar um voltinha no baú da avó e retirar o que cheirava menos a naftalina - Lili; roubar a combinação da tia viúva - Cláudia Pascoal; surripiar o fato velho do casamento do pai - Dora Fidalgo, ou revisitar a tralha deslavada dos anos noventa e deixar o cabelo ao natural - Susana Travassos.

Valia tudo, desde que fosse mau e desde que nos invocasse a imagem desleixada de Salvador Sobral que tocou fundo nas protagonistas desta 2ª eliminatória.

Dos rapazes não reza a história. Todos muito pouco.

 

Para agravar o cenário, Luísa Sobral, de lábios roxos e um cilindro de cabelo, aponta como decisiva para a escolha do júri a ligação do intérprete com a canção. O elevado sentimento. Salvador foi um precursor nesta modalidade.

Seguindo o trilho, apanhamos com uma choramingas de jardim, de cabelo rosa, lavada em lágrimas, provavelmente porque sentado de costas para o público, enfiado numa camisa que me pareceu de forças, havia no palco um boneco que me levou a crer que vinha dali performance. Afinal, não. Era a compositora que quis dar o seu arzinho um bocadinho andrógino, um bocadinho inútil.

Apanhamos com as sobrancelhas desbravadas e cuidadas de Diogo Piçarra - que acredita piamente que ficou mais bonito depois de ter abandonado o sacerdócio, ou pelo menos deixado de querer que se abram os olhos para ver Cristo, embora continue a cantar a mesma coisa -, a arrancar o sentimento de tanto bater no peito donde se escapou a mais popó e mais totó letra da noite - a original também não ajudava.

Apanhamos com um bando de cegonhas mais ou menos estridentes disfarçadas de senhora da agonia.

Apanhamos com o patati-patata de duas patetas vagamente Carmen Miranda na cabeça - o toucado não comportava bananas por motivos óbvios.

Apanhamos com a Tamin, a Onís e a Sequin que deviam servir de isco a qualquer coisa em extinção, para a liquidar de vez.

Apanhamos com um Pessoa que, como o nome indica e é seu fado passará despercebido enquanto vivo, e com um Zaratustra de subúrbio, a insultar o velho amante de Andreas-Salomé.

Finalmente apanhamos com um mocinho – nada mau! - que quer muito tocar nas suas raízes portuguesas, sobretudo as que cantam em inglês.

Façamos de conta que Tito Paris também lá esteve para acudir ao que pôde.

 

Depois destes estragos, a Gaffe pede encarecidamente que espreitem, por instantes, a colecção Dolce & Gabanna, Outono/inverno 2018. Está lá tudo. Sempre escapamos às meladas e choronas melodias com propensão para o despojado, lavando os olhos com exageros certos.    

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Gavetas:

A Gaffe das Josefinas

rabiscado pela Gaffe, em 26.02.18

roseleslie_josefinas_t.jpgMeninas!

É dado o alarme. Nenhuma, depois de o ouvir, pode afirmar que não encontra o refúgio certo para salvar e resguardar os pés das explosões de péssimo gosto que grassam por este vale de lágrimas e de lojas.

 

É imprescindível visitar este lugarÉ impossível deixar de calçar, pelo menos, as estupendas botas manufacturadas com um desvelo antigo - e adornadas com pérolas verdadeiras -, que chegam em caixas maravilhosas, com um porta-chaves dentro para encerrar o luxo, longe do olhar de cobiça e de inveja das pindéricas que não acompanham, por exemplo, Rose Leslie - Downton Abbey e Game of Thrones -, e não sabem pisar como nós e como ela - que somos todas fabulosas -, os soalhos dos bailados mais perfeitos.

 

Morro de amores por estes laços portugueses!

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