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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe corrupta

rabiscado pela Gaffe, em 17.04.18

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Assisti ontem a um momento precioso do jornalismo de esgoto, made in Portugal.

Pese a verdade, e porque sou imbecil, considero uma experiência única e extraordinária ver José Sócrates gesticular, esbracejar, mostrar os caninos, salivar e cuspir morcegos. Aconselho - mais uma vez, porque sou imbecil -, toda a gente a assistir ao circo onde a fera é espicaçada tendo, antes de tudo o mais, retirado o som ao televisor.

É uma experiência digna de Attenborough, embora extenuante e claramente anti-democrática.  

 

Durante o aborrecido processo de mudar de canal, raspo com a patacoada já audível de um comentador que - não sei se a propósito -, mais uma vez vomitada para nosso encanto e apaziguamento: paga-se demasiado pouco aos políticos e aos governantes e é este o factor principal da não extinção da possibilidade de serem corrompidos.  

   

É delicioso.

 

O contribuinte não paga o suficiente aos seus representantes para que eles não sejam corruptos.

 

Se os corrompesse, pagando o suficiente para retirar à corrupção a possibilidade de lhes fazer uns mimos, a indigitação ou a nomeação - conclui-se que normal - de corruptos não se faria sentir e não existiria colisão com a lisura, a ética, a honestidade, a honra, a Palavra e todas essas manigâncias mais ou menos delineadas e tidas como louváveis - pese embora algumas não tenham definição esclarecedora -, estariam salvaguardadas e o Estado seria liderado por políticos corruptos, mas tornados honestos, pois que servidos de avultados ganhos.   

 

Há que abrir os cordões às bolsas – mas nunca à Bolsa -, para se ser representado pela hibernação, pela anestesia, pela narcotização, pelo coma induzido, da corrupção. Há que corromper, pagando para os que nos representam não sejam corrompidos, antes que outros o façam.

 

É tudo tão sicilianamente  Ford Coppola!

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