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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de granito

rabiscado pela Gaffe, em 12.12.18

Jardim.png

Hoje não chove.

Há frio como granito.

 

Levanto a gola do casaco – longe do mar, marinheiro, de um azul grosso de fazenda em terra – e sento-me na pedra do banco que foi do meu avô, naquelas tardes de gelo em que apenas ficava a ouvir os passos dos fantasmas que o Domingos dizia haver nas pedras.

 

- Ninguém morre aqui. Fica-se nas pedras. Sentimos latejar quando as tocamos.

 

Esta condescendência da morte alonga o tempo da memória e entrega ao inamovível a nitidez da presença do passado.

Olho, ao abrigo de um casaco sem moldura ou tempo, os rostos que vivem nas pedras e acredito no Domingos que é velho, velhíssimo, criança de tão sábio, e me diz que o tiritar das árvores é o som das palavras das pedras que trepam às copas, porque ninguém morre aqui. Fica-se nas pedras e são as pedras que tecem o meu casaco azul de terra audível.    

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Gavetas:




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