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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe escreve a Maria José Vilaça

rabiscado pela Gaffe, em 11.01.19

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Maria José Vilaça, meu anjo,

 

Não pensava voltar a si, acredite, mas não consigo ficar indiferente às suas mais recentes intervenções, tão sacras, relativas à maleita da homossexualidade, depois de Ana Leal ter conduzido uma reportagem - que me provoca alguns solavancos e enjoos éticos - sobre o seu trabalho.

 

Suspeito, sua marota, que de tanto tentar estender o pálio anacrónico àquilo a que chama surtos psicóticos, provocadores de sofrimento e drama, está - como diz o povo -, a tentar fugir com o rabo à seringa, pois que ninguém sexualmente estabelecido – com casa e mesa e roupa lavada -, se preocupa tanto com a dor dos doentes que padecem de homossexualidade como alguém que tem periclitante a sua própria mobília.

 

Nem mesmo os homossexuais.

 

Interpelo-a por mera curiosidade.

Seria adorável que me descrevesse uma sessão daquelas onde inicia a cura da enfermidade que tanto a perturba e que tanto lhe desperta a vocação de milagreira que é coadjuvada pelo cura da esquina, ou pelo pároco do beco.

 

Começa por rezar o terço, ou vai directa à benzedura que exorciza o espírito do mal, alojado na pobre alma do seu paciente?

 

Encharca-o de orações e de xanax - não são a mesma coisa - ou dá-lhe tau-tau no rabinho?

 

Inicia o tratamento encaminhando o doente para o confessionário - apoio espiritual, como diz -, ou usa o método do reflexo condicionado, electrocutanto os testículos, ou os mamilos - caso seja lésbica a possessa -, dos pobres diabos sempre que lhes é mostrado uma das obras nuas de Mapplethorpe, doente que tanto  aborreceu Serralves, ou a página central de uma play-boy dos anos oitenta?

 

embora num primeiro vislumbre tal pareça, não são questões de somenos importância, pois que até me enche de curiosidade este último método como relaxante e superador das tensões dos outros. Dos outros, que eu sou, como a menina, muito altruísta.

 

Das suas respostas, minha tão informada artista, depende o bem-estar de milhões de pacientes que sofrem horrores, que suportam dores imensas, que vivem pesadelos, que são limitados por não terem ainda visto a luz e que esperam desesperados que haja vaga na agenda das suas consultas.

 

Esqueça, boa fada, aqueles que responsabilizam também gente como a Maria José Vilaça por muito do sofrimento a que tanto a menina quer dar fim.

São pecadores bipolares.  

 

Ilustração - S. Cracker

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A Gaffe de helicóptero

rabiscado pela Gaffe, em 11.01.19

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A Gaffe está na ambulância do Dr. Peça acompanhada de um abraço urgente de compreensão e solidariedade.

A Gaffe também é só por terra. 

Não imaginam, caríssimos, o que as pás de um helicóptero conseguem fazer a um outfit!

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