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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe artesanal

rabiscado pela Gaffe, em 12.07.19

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Na mão dele havia o traço negro das gôndolas e um abandono, ao frio, de estandartes.

Na mão dela ficava o mapa do corpo que era o dele, reencontrado, e o lento arrasto da euforia dos trajectos.

Na mão dele havia um peregrino. Outrora as mãos peregrinavam e no encontro com as mãos dela ouviam-se rezas pagãs nas catedrais.

As mãos dele, divinas.

As mãos dela comédias, saltimbancos súbitos que assustavam prendendo pássaros aos dedos.

 

A mão dele agora no flanco dela, como o esboço morto de um poeta, deixou de ser tudo.

São mortas as baladas que ecoavam por entre os dedos brandos da mão dele.

Talvez a noite aquática das praças tenha desfeito o que ele entrançava na varanda dos seus dedos, ou talvez seja ela a ir-se embora.

 

Porque o fim do amor é artesanal.

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