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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe com a face app

rabiscado pela Gaffe, em 19.07.19

Joseph Wright of Derby, Self-portrait (Detail).jpg

 

No meio de algazarra muito pouco BCBG, a Gaffe é colhida pela mais recente coqueluche: a face app.

Ao som de gritinhos, gargalhadinhas, saltinhos e pequenas exclamações de divertida surpresa, as meninas vão apanhando o futuro dos seus rostos fresquinhos.

A Gaffe não compreende tamanho alarido saltador. Sempre imaginou o grupo tresloucado bem pior do que o previsto, passado o tempo que se indica.

Recusa, portanto, ser vítima de benevolências informáticas.

Insistem, sugerindo a submissão de um rosto alheio ao seu. A Gaffe aquiesce, num revirar de olhos.

 

Não funciona!

A aplicação não funciona!

 

Espreitam espantadas e um bocadinho irritadas descobrem que a Gaffe tinha escolhido a Cher.

 

Não querem brincar mais.

 

A Gaffe acaba, depois de muito matutar - coisa que faz rugas - por concluir que a face app é útil apenas como forma de tornar mais próxima a relação do povo com os seus eleitos.

A Gaffe pode, deleitada, engraçada e bem-disposta, escolher, por exemplo, o penteado dos políticos. Dar palpites, sugestões, votar nas madeixas que melhor assentam nos sentados seus representantes que mimosos submetem as suas poses marotas ao escrutínio do povo.

Aproxima-nos! Adquirimos uma cumplicidade fofa que nos dá a hipótese de escolher o cor-de-rosa mavioso do tailleur da política, ou o tom exacto da grisalha melena ao vento trauliteiro do deputado europeu.

A face app pode ser inquestionavelmente o método mais sólido de aproximação dos eleitores dos seus representantes. A Gaffe supõe mesmo que não existe outro qualquer, pois que a aplicação não permite, caso existissem, a submissão de ideias e ideias.      

 

Imagem - Joseph Wright of Derby - auto-retrato (detalhe)

 photo man_zps989a72a6.png

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