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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe estupefacta

rabiscado pela Gaffe, em 18.09.19

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As plataformas onde se alojam blogues não comunicam entre si, ou seja, uma determinada acção com origem no Blogspot, por exemplo, que se reporte a uma situação específica na Wordpress ou Sapo, não tem eco nas plataformas visadas e o caso é ignorado pelos destinos ou destinatários.

Foi o que aconteceu.

Apenas agora - e porque só agora o soube -,  dou comigo com uma gigantesca estrela pousada em mim que patinava, que esquiava, que me tentava equilibrar no piso escorregadio destas Avenidas.

Sinto-me absolutamente deslumbrada, orgulhosa, vaidosa e um bocadinho atarantada, porque mereci a simpatia de um dos raríssimos cavalheiros, de um dos grandes cavaleiros, da Literatura Portuguesa de todo o sempre.

Rentes de Carvalho teve a imensa generosidade de me considerar uma excelente surpresa.

E bastava-me um sorriso.

Valham-me todos os deuses! Eu tenho mesmo aqui ao lado as extraordinárias obras deste sábio e tanta vergonha de descobrir que estou nestes preparos!

Sinto-me tão recompensada!   

Muito obrigada.

 

Ilustração - Denis Zilber

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A Gaffe manual

rabiscado pela Gaffe, em 18.09.19

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Tenho as mãos feias.

Sempre tive consciência do tamanho das minhas mãos. Dos ossos demasiado longos, finos, dos dedos com nós salientes, da fealdade dos seus movimentos deselegantes, da impossibilidade de as adornar.

Escondia as minhas mãos, era criança. Matava-as nos bolsos dos bibes e das batas e dos casacos ou mantinha-as muito fechadas de forma a que aqueles bichos não ocupassem o espaço dos outros.

As minhas mãos envergonhavam-me.

Comparava-as com a lisura, com a harmonia, com os diáfanos voos e com a perfeita forma das mãos da minha irmã e sentia-me bruta e torpe e grosseira.

Permitiram, os dois bichos, entregar alternativas aos meninos da escolinha. Era o fósforo ou a mãos-de-tesoura. Nunca entendi qual o que cortava primeiro, nunca soube se era o aço a cortar o fogo ou se era o contrário. Nunca gostei do jogo.

O meu avô gostava das minhas mãos.

 

-  São como as grades do portão. Fecham o que quiseres dentro de ti.

 

As minhas mãos tornaram-se ágeis de tão feias. Aprenderam a escapar, a desaparecer, a espreitar, a surripiar silêncios e a mover com uma perícia e rapidez inusitada minúsculos objectos, detalhes, pormenores e nadas que, em mãos diferentes e perfeitas, se partiam no tempo da tarefa.

Guardava dentro delas os meus mundos. 

Assim aconteceu.

 

Tenho as mãos feias, mas é Outono.

Os dedos das árvores são medonhos, mas são meus.  

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