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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe da deputada

rabiscado pela Gaffe, em 29.11.19

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Meus amores, o facto de parecer que Joacine Katar Moreira decidiu enfiar uma pilha de tolices no rabo, não permite pensar que o assessor é um pirilampo.

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A Gaffe voluntaria-se

rabiscado pela Gaffe, em 29.11.19

Hans Natge

- (...) porque é através do nosso voluntariado que, por exemplo, o sem-abrigo tem sempre um jantar quentinho.

- Claro que tem.

- Infelizmente o nosso micro-ondas avariou.

- Infelizmente.

- Seria maravilhoso que alguém nos ajudasse neste momento.

- Claro que seria.

- Não sabemos o que havemos de fazer com o micro-ondas avariado.

- Minha cara, ofereça-o ao sem-abrigo. Vai ver que devagarinho o seu voluntariado ainda lhe monta uma cozinha.  

Mana

fotografia de Hans Natge , 1921

 

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Gavetas:

A Gaffe no início

rabiscado pela Gaffe, em 28.11.19

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O risco era traçado a lápis sobre papel vegetal, cosido depois com pontos largos no linho. Era lento o processo de cobrir o desenho com os fios desfiados, retirados do pano, ou com os que sobravam da feitura da peça em teares caseiros, pequenos, sem largura, que impediam a construção de toalhas de mesa.

Só de rosto.

O desenho vegetal era coberto lento. Folhas de carvalho entrançadas em flores desconhecidas. Rosas trespassadas por ramos de oliveira. Malmequeres abertos sobre tulipas tombadas em cálices pálidos que se raiavam de cinza do lápis que indicava a rota.

Depois de retirado do interior com o bico da agulha os restos macerados de papel, era lavado o bordado findo, e, ainda húmido, passado a ferro. Do avesso, sobre uma tábua almofadada, para que o bordado a cheio não espalmasse.

- Nunca me ensinaste a bordar a cheio, Jacinta.

Baixo relevo.

A toalha que procuro nas gavetas largas, muito finas, quase rasas, do móvel com margens de madeira canforada, onde em papel vegetal dobrado adormeceram princesas de linho e renda e fios de seda com jardins picados lentamente ao longo da lonjura das agulhas dos tempos perdidos, é maçã de outras eras.

- A dos baptizados foi bordada por mim que a que embrulhou a mãe da menina estava num fio. Serviu toda a gente desta casa.

A dos baptizados dos meninos. De linho grosso, caseiro, de tear estreito que só dá para o rosto, tem os monogramas a cheio dos que protegeu, que os meninos da casa são baptizados nus.

- Foi a avó que fez todos os riscos.  As iniciais da menina estão aqui. Bordei-as eu com os fios que arranquei à peça de linho que deu a toalha, que nada sobrou em novelo depois dos dois primeiros.

As iniciais do meu nome - ao lado dos inícios da minha irmã, do meu irmão -, em linho caseiro. Grosso, rude e agreste, rugoso e rígido princípio. Nu, a cheio que nada sobrou depois dos primeiros.

- A avó da menina quis assim e que se lhe há-de fazer? Nem um froco, nem um remate bonito. Só as letras a cheio. Esfiapa com o tempo. Não parece de baptizado, assim tão áspera.

- Tu sabes que sim, Jacinta.

- Sei, mas ao menos uma renda, um entremeio. Dava mais leveza, dava mais vida. Às vezes, basta um pedacinho de luz a meio do caminho.  

 

Imagem - François Morellet

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Gavetas:

A Gaffe inútil

rabiscado pela Gaffe, em 27.11.19

Gaffe

A Gaffe começa a considerar maçador que, no aconchego da sua caixa de correio, lhe digam que é fútil, oca, vazia, tonta e superficial, embora sinta que tal colecção de epítetos possa conter alguns que não deixam de ser repetidos.

 

A Gaffe sempre soube que era apenas um balão repleto de ar.

 

Nunca prometeu ser um reflexo da Humanidade trágica, ou a compenetrada tragédia da galáxia por onde parece vaguear sem qualquer dose de pensamento crítico.

A Gaffe jamais se apresentou como ícone do raciocínio analítico ou influenciadora e representante inata de causas quebradiças que borbulham por baixo das saias de assessores de amores, clamores e glamores fracturantes e nunca disponíveis fora de horas.

 

A Gaffe nunca teve nada para dizer.  

 

A Gaffe nunca ambicionou ser mais do que, nas garras da futilidade, um estampido inútil que não perturba em demasia o sono dos que justos vão bufando as brasas dos mais renhidos fogareiros do saber dizer.           

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Gavetas:

A Gaffe nos SAPOS de 2019

rabiscado pela Gaffe, em 26.11.19

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Os SAPOS do ANO assim  apuraram. Estas Avenidas são outra vez finalistas na categoria Generalista.

Como já é norma, meus amores, a Gaffe não chega a mergulhar no charco. Fica a alguns saltitos da vitória.

Tendo esse facto em consideração, esta rapariga decide não fazer campanha, mas denegrir, conspurcar, difamar, perseguir, esbardalhar e destruir a campanha dos blogs concorrentes, prontos - mais uma vez -, a ficar-lhe com o título.

Preparem-se, que vai começar:

 

MAROTOS!

 

Então vá, viram?

Um horror. 

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Gavetas:

A Gaffe fiável

rabiscado pela Gaffe, em 23.11.19

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- É evidente que confio em si, meu caro.

Mas não se entusiasme. Também já acreditei no Pai Natal.

Mana

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Gavetas:

A Gaffe por "costumizar"

rabiscado pela Gaffe, em 22.11.19

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O template que uso é absolutamente antiquado. Suspeito que já nem existe no rol da plataforma que me dá abrigo. O SAPO descobriu novos nenúfares.

A verdade é que uma rapariga arejada se sente um bocadinho apertada neste desenho antigo. Deveria actualizar estas Avenidas, abrindo-as à modernidade, qual Napoleão, qual Pombal, qual Maria Leal.

 

Tenho, contudo, de confessar que quase sofri um AVC quando decidi costumizar estes passeios. Acertar com as riscas e com a escolha do fundo e com as medidas do cabeçalho, foi um trabalho descomunal que me fez sair daqui a parecer a protagonista do Exorcista nos seus momentos mais esverdeados. Acabei por me contentar com o aspecto que tem, mas confesso que sinto as portas a bater sempre que respiro.

 

Vivo neste blog como num T0. Levanto uma perna e abro uma janela, espirro e soltam-se as sanefas, afasto as cortinas e desaba o fogareiro - sou uma rapariga campestre -, estico os braços e tomba a caixilharia da marquise, bato as pestanas com mais força e escaco a louça do WC.

 

Uma maçada. Não se apanha sol e fica-se com sardas assanhadas mesmo assim.

 

Não entendo rigorosamente nada de personalização avançada e o mais próximo que estive do CSS foi durante os episódios do CSI Las Vegas que suspeito não terem nada a ver com este assunto, apesar de não me importar nada de ser costumizada por Gary Dourdan.

 

Vou às apalpadelas, embora de órbita mais ou menos prevista.

 

Não sou apologista do tuning, mas às vezes apetece-me muito olha e ver uma macacada infinita pendurada aqui. Receio ter dentro uma rapariga pronta a fazer saltar os faróis, a desatar o colorido do pára-choques, a sobrecarregar os laterais com desordenados slogans, a iluminar o tejadilho e a enfiar apetrechos aerodinâmicos no carburador, tudo ao som de uma batida bem sonora e bem pedrada.

 

Depois controlo-me. Lembro-me que, na única vez que fumei um charro, senti que a todo o momento me iam saltar os olhos e rebentar as maminhas. Não foi uma experiência agradável e dei comigo com a cabeça, enfiada no lavatório, a levar com jactos de água como se fossem meteoritos. Deixo, portanto, charros e costumização avançada para os profissionais.      

 

Eu fico-me por aqui, sentadita no meu calhambeque a ver passar os bólides.

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A Gaffe na hidromassagem

rabiscado pela Gaffe, em 21.11.19

Remo

A Gaffe reconhece que os corpos masculinos mais extraordinários do planeta são os que a água ajuda a esculpir, seja de que forma for.

No entanto, meus queridos tritões, é destruidor pisarem terra com as barbatanas enfiadas nums miseráveis objectos que obrigam sempre - e comprometedoramente - uma rapariga a desviar o olhar, fixando-o no que mais em cima é bem melhor e mais eficaz que a hidroterapia.  

 

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A Gaffe malagueta

rabiscado pela Gaffe, em 20.11.19

-

1921

- O Domingos diz que está ansioso por "montar o pinheirinho de Natal".

… … ... ... ... ... ... 

... Há gente com uma vida sexual muito picante.

Mana

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Gavetas:

A Gaffe voltada a Norte

rabiscado pela Gaffe, em 19.11.19

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A varanda voltada a Norte precipita-se sobre o rio como se o uivo do vento por entre as garras de ferro se tivesse unido ao silvo do chicote da água, em baixo, serpente a rastejar.

O meu céu é este.

Lanhos de rio erguidos nos socalcos. Chumbo e prata a pesar no granito de frio que trepa os troncos das árvores e as rugas do espaço permitido suportar pela saudade.

O meu céu é este rio cinzento que brilha como um fio de prata no pescoço da terra.

O meu céu pulsa como corre o rio.

Trago os pés gelados para pisar o céu. Todos os céus são rios que descalça toco, que descalça troco, porque a inversão da paisagem existe na lâmina da varanda voltada a Norte que duplica o frio dos meus pés que pisam água e céu e terra, tudo junto.

Trago vestido o ar que vem do Norte.

O meu céu é este rio cinzento dos socalcos e o precipício da varanda onde me debruço sobre a nudez da terra e emudeço no uivo do vento nos ferros e no silvo da água que caminha sobre o meu vestido.

 

Imagem - Il Trionfo della Divina Provvidenza de Pietro da Cortona

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Gavetas:

A Gaffe no "mêtodo"

rabiscado pela Gaffe, em 19.11.19

1955 Princess Yvonne and Prince Alexander of Sayn-

Levanto-me ainda com Rodrigo Moita de Deus na memória.

Apanhei-o algures a dissertar sobre aquilo que referia como os mêtodos de ensino.

Os mêtodos erraduuuuuussssss de ensino que o prepararam para não se preparar quando fala em ensino, para afirmar saber sem saber do que fala, para denunciar os mêtodos que também o formaram e que através dele provam que realmente, que verdadeiramente, são os erraduuuuuussssss.

 

Levanto-me cansada de Deus.

 

Na foto - Príncipes Yvonne e Alexander of Sayn-Wittgenstein-Sayn, 1955

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A Gaffe horrorizada

rabiscado pela Gaffe, em 18.11.19

A Gaffe horrorizada.jpgA Gaffe decidiu torturar os homens da casa. O maninho e o amigo gigantesco que veio passar uns dias junto desta ruiva. Ambos suplicam o comando da TV e a ambos é dada uma condição para o obterem. Devem confessar 10 atrocidades que cometem quando estão sós durante horas a fio, fechados em casa. Devem ser barbaridades que saibam comuns a todos os rapazes.

 

Olham um para o outro e, para espanto desta rapariga nada cautelosa, começam a enumerar sem qualquer pudor aquilo que até às paredes deveria ser poupado.

 

A Gaffe hesitou imenso em revelar o que ouviu, mas considera serviço público anunciar ao mundo o que estes trogloditas que pensamos civilizados no aconchego do nosso lar, são capazes de ousar quando os deixamos sós.

Algumas das revelações, por escabrosas, podem ferir susceptibilidades e convém que sobretudo virgens e beatas se afastem daqui de imediato.

Conheçamos então do que estes mostrengos são capazes:

1

Esbardalham-se no sofá, com os pés pousados na mesa de apoio, a fazer zapping. Pelo caminho enfiam a mão nos boxers, misturam o que dentro há para misturar, e levam depois os dedos ao nariz;

2

Esbardalhados ainda no sofá, com um braço a apoiar a cabeça, parados a avaliar as maminhas aos pinchos das coristas do Portugal em Festa, tentam cheirar o sovaco, porque sentem qualquer coisa a apodrecer;

3

Vão tomar duche e ensaiam em voz alta o discurso que vão usar para romper com a namorada, ou debitar na frente do Grande Chefe, enquanto fazem xixi nos azulejos e no tapete que impede que escorreguem;

4

Experimentam penteados, depois de se exercitarem ao espelho em poses de culturista. Pensam seriamente em fotografar a pilinha. Só não o fazem porque se esqueceram de levar o telemóvel. Insultam-se e praguejam contra o esquecimento;  

5

Mal sentem fome, abrem o frigorífico e retiram, mexem, enrolam, vistoriam o que há dentro. Comem de pé o que lhes agrada, com as mãos e com a porta aberta. Enfiam um pedaço de pão no frasco da maionese, cheiram os pickles e demais miudezas, levam um ou outra à língua só para provar e voltam a enfiar se for azedo o lambido no sítio;

6

Pensam vestir-se e começam por cheirar a roupa. O colarinho das camisas, o tecido debaixo dos braços, o interior da braguilha dos jeans e, pasme-se, as cuecas, são peças que gostam de inspeccionar com o nariz;

7

Pegam nos livros que estamos a ler, depois de uma sessão de Kung-Fu em que venceram Jackie Chan e de um número de vaudeville em que foram o Sinatra com o desodorizante a servir de microfone, e lêem o último capítulo com um único objectivo: contarem-nos o desfecho;

8

Abrem as nossas gavetas e retiram a lingerie que encontram. A única perversidadezinha que cometem consiste em tentar vestir o soutien mais cobiçado e caricaturar ao espelho a rapariga que os recusou, mas que lhes ficou na memória;

9

Dão uma vista de olhos à mais recente pornografia na net para passados uns minutos perderem o interesse e começarem a googlar o mais absurdo que conseguem inventar. Mulheres com pêlos nas orelhas, Constuitução da República Eslovaca ou choques eléctricos nos testículos dos nazis, são hipóteses a considerar;

10

Por não haver rigorosamente mais nada para fazer, fotografam finalmente a pilinha com o telemóvel. Olham a fotografia, acham um nojo, pequeno e tristonho, e desistem de a enviar à boazona que engataram no baptismo do sobrinho e que os presenteou há minutos com uma foto das férias onde toda a paisagem está tapada por duas mamas ampliadas. Reconhecem que já estavam bêbados quando a conheceram. 

 

Horrorizadas?

 

A verdade é que há razões para tal.

Saber que um jovem e conceituado professor de uma das mais distintas Universidades da Europa e um jovem engenheiro físico de importância vital para uma empresa que opera numa área que ultrapassa um mortal mais simples, enumeram tais horrores como comportamentos comuns a todos os homens que ficam sozinhos - e que pelo menos um dos enunciados é recorrente -, é ficar a um passo de admitir que eles, os homens em geral, quando sozinhos, conseguem ser muito mais civilizados do que nós!  

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A Gaffe ensopada

rabiscado pela Gaffe, em 14.11.19

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Por vezes, o optimismo é apenas uma forma de se representar o trágico com uma nota de esperança.

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A Gaffe começa a planear o Natal

rabiscado pela Gaffe, em 13.11.19

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- Recordo-te que a tralha natalícia é como o Jeffrey Epstein. Não se dependura sozinha.

Mana

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Gavetas:

A Gaffe a um Cantinho

rabiscado pela Gaffe, em 12.11.19

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Aqui, às vezes – tantas vezes! -, o que importa é perceber que existe realmente gente dentro dos blogs e que é necessário voltar a olhar, voltar a abraçar e a redescobrir o que acreditamos já haver conhecido.

Subitamente entendemos que a forma mais simples, mais limpa e depurada de olhar, é talvez a única que se estende interminável pela maravilha que é o reencontro com a pacífica serenidade de um Cantinho da Casa.     

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