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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe tresloucada

rabiscado pela Gaffe, em 07.11.13

Uma criança de oito anos morreu com uma peritonite depois de ter sido, pelo menos duas vezes, observada por médicos, num hospital público, que não consideraram as suas queixas dignas de nota ou atenção.

A apendicite não é, salvo raras excepções, difícil de assinalar. Há uma panóplia de exames que possibilitam um diagnóstico quase imediato - o sinal de Rovsing, o sinal de Blumberg, o sinal do psoas, o sinal do obturador, são disso exemplos eficazes e de básica aprendizagem. Exames mais complexos podem ser efectuados logo depois destes fornecerem o alerta.  

Não estamos habilitados a tecer conjecturas acerca do sucedido. As conclusões do inquérito ilibam os profissionais envolvidos.

Parece no entanto passar ao lado da brutalidade do conteúdo da notícia o facto de a criança ter sido levada, em desespero de causa, a um hospital privado que de imediato detectou a gravidade do caso e a urgência em intervir cirurgicamente esperando-se poder salvar a vida ao rapazinho.

Desta cirurgia imediata, insiste-se, dependia a vida da criança. Não tendo a mãe dinheiro para a pagar num hospital privado, a criança foi referenciada e encaminhada para um hospital público. O tempo a passar matou-a entretanto.

A mãe não conseguiu que o filho fosse diagnosticado e tratado como exigiria o seu caso clínico, num hospital público.

A mãe não tinha dinheiro para salvar o filho num hospital privado.

Não se consegue, com os poucos dados que são fornecidos, avaliar ou ajuizar o ocorrido no primeiro caso, mas parece ser óbvio que se aquela mãe tivesse dinheiro o filho teria tido a hipótese de sobreviver.

É assustador pensar que existem nos hospitais paradoxos de bata branca – as outras hipóteses são horripilantes – que descuram as mais básicas formas de prestar cuidados a um paciente ou que conseguem deixar de intervir em caso similares apenas porque suspeitam que, directa ou indirectamente, não serão pagos.

O SNS mostra, neste caso dramático, a necessidade premente de ser repensado, reavaliado, renovado, revitalizado, reestruturado e sobretudo humanizado.

A privatização da Saúde mostra, neste caso dramático, o perigo que consubstancia a sua concretização descontrolada e por razões que não parecem ser de interesse público.

Nas conclusões do inquérito estão impressas as reacções das entidades envolvidas que repudiam qualquer responsabilidade no ocorrido e acusam os energúmenos que não perdem uma oportunidade para denegrir a reputação de Instituições impolutas.

Parece aceitável. Há sempre, em cada dia que passa, tresloucados que arremessam crianças de oito anos mortas dentro das paredes e contra o bom nome destas Instituições. 

 photo man_zps989a72a6.png


1 rabisco

Sem imagem de perfil

De C. a 07.11.2013 às 14:18

Basta a velhinha palpação abdominal e o  testezinho à perna direita que não se consegue erguer sem dor aguda localizada, para detectar (suspeitar de) uma apendicite.


A ausência de registo de febre também é estranha. 


Às x prefiro desatar à paulada a estes tipos do que tentar fazer milagres com eles.


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