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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe na chuva da avenida

rabiscado pela Gaffe, em 12.10.16

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 Há chuva na avenida.

 

Dentro da chuva há gente. Um cão que ladra e uma folha de papel sem mais nem menos.

Ninguém se vê. Ninguém confunde ou olha ou pasma, deslumbra ou desfalece. Passo por gente que rompe pela chuva já sem tempo de olhar e de sorrir, de se voltar para trás para tornar a ver.

 

Nos dias de tempos idos, mesmo rasando a luz do entardecer, sentava-me no banco do jardim da avenida e havia apenas névoa e cães e folhas de papel presas ao chão e sempre me sentia alguém que eu não sabia, diferente e igual a mim, mas nunca eu.

Agora há chuva e sinto-me cansada de me sentir sentida. Sinto-me e penso que o sentido chega daquela que é pensada por mim, que não sou eu. Sinto-me a pensar e estou cansada.

 

Há chuva e sinto-a como um cão que ladra dentro do que penso.

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Gavetas:


2 rabiscos

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De Fleuma a 12.10.2016 às 17:14

Bem minha cara, hoje já são duas as vezes que sou apanhado desprevenido neste blog! Cuidado, converta-se isso num hábito e acabará por ser demonstrado que aqui se escreve muito melhor quando as palavras caminham lado a lado com aquela deliciosa escuridão. Ou antes, melancolia revisitada. Não pacóvia. Antes sóbria e a fazer lembrar que os grandes dias são os de chuva.

Sim, muita saúde.
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De Gaffe a 12.10.2016 às 18:13

Rever ou revisitar a melancolia é, só por si, um dia chuvoso que nos tomba dentro.

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