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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e um pugilista

rabiscado pela Gaffe, em 26.05.11

A relação entre sexo e agressão intriga imensos antropólogos. Entre eles está Lionel Tiger que refere que a masturbação masculina é uma forma fácil e natural “onde a tensão do excesso de exigências nos jovens machos pode ser atenuada”, de uma forma mais barata e segura, digo eu, do que drogas como o Ritalin e certos tranquilizantes que são rotineiramente prescritos contra comportamentos anti-sociais.

O facto de sucessivas sociedades terem afincadamente proscrito uma tal masturbação, deixa-nos, a mim e a Lionel Tiger, perplexos.

Enquanto que a penetração sexual masculina provoca um aumento de testosterona, que está associada à asserção e à agressão, a masturbação deixa inalterado o nível desta influente substância. Pode efectivamente reduzir a tensão e o sentido de frustração que os adolescentes masculinos experimentam frequentemente. Refere-se aqui que as mulheres que são masturbadoras assíduas também estão familiarizadas – sobretudo em épocas de stress (ou seja, praticamente todo os dias) com um efeito semelhante de apaziguamento de tensão e da agressão, a partir de um rápido e muito prazenteiro jogo de dedos.

Existe também uma consideração orgástica especial no nexo entre sexo e sadomasoquismo. Tiger sugere a possibilidade dos sadomasoquistas terem sofrido maus tratos físicos durante a infância por pais cuja atenção procuravam ansiosamente, associando assim amor à dor, ou então, segundo ainda Lionel Tiger, são indivíduos que consideram que as suas vidas são destituídas de valor e encontram na dor que infligem alguma consolação para este sentido de depreciação. Lionel Tiger é, como se prova, uma criatura aborrecida.

É também interessante referir a propósito Edmund White que em States of Desire (1981) conclui: "O sexo sadomasoquista pode ser uma mera expressão mais franca da dinâmica subjacente a todo o sexo; talvez a libertação homossexual tenha simplesmente dado aos rapazes dos cabedais autorização para tornar manifesto o que está latente em toda a gente”.

Parece portanto existir realmente uma ligação entre sexo, orgasmo e agressão nos lutadores profissionais. Os pugilistas, em particular, parecem estar preparados para combater perante qualquer dor e humilhação, de modo a desfrutarem mais uma oportunidade para obterem o troféu de campeão. Este comportamento eventualmente sadomasoquista pode ter conotações sexuais para alguns lutadores – que exteriormente abjuram a dor, enquanto, secretamente, se acomodam a ela. Segundo Mark Kram, comentador desportivo da Sports illustrated, alguns pugilistas chegam ao ponto de excitação tamanha que ejaculam.

A relação entre agressão e sexo é demasiado complexa para ser tratada assim, tão repentinamente, (voltaremos a ela logo que haja oportunidade) no entanto há que, pelo menos, ter em mente que a agressão pode ser um factor a ter em conta em qualquer relação física, transformando-se numa moeda de duas faces. Para alguns indivíduos pode causar sensações emocionais tão fortes a um parceiro que inibem até o sonho de um possível e longínquo orgasmo; a outros, entretanto, pode provocar uma estimulação positiva e excitação sexual.

No seu caso, meu garboso e aguerrido desportista, dar dois murros no parceiro faz com que lhe latejem os sítios onde não é permitido ao adversário acertar. Não considero sequer que tal consubstancie uma sombra de um problema. Já o facto de se masturbar ainda no balneário pode trazer dissabores a quem toma duche a seguir e se vê obrigado a apanhar o sabonete olhando apenas para os lados (não vá o Inferno tecer teias de ataque) deixando o piso molhado sem vistoria prévia.

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