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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de uniforme

rabiscado pela Gaffe, em 23.02.16

É perturbadora a fascinação que sentimos por fardas!

Não excluo os homens deste imenso grupo deslumbrado. Uma rapariga esperta não esquece as poderosas armas que lhe chegam às mãos um uniforme de enfermeira, mais ou menos picante - farda e moçoila - ou quando se mascara de ingénua colegial pronta a ilustrar Nabokov, ou quando a comissária de bordo agita os braços enfarpelados espargindo perfume pelas indicações de voo, ou ainda quando decide que tem todo o direito de desatar a miar, numa aproximação caseira a Michelle Pfeiffer, na sua inesquecível Cat Woman.

 

Toda a segurança é abalada quando uma farda se atravessa no caminho.

 

Implorando o perdão dos mais sensíveis, não é descabido, sem sentido, absurdo e tonto, referir que os mais belos uniformes de todos os tempos, os do III Reich, contribuíram de forma subliminar para a submissão completa de uma população a aniquilar. O poder que destas fardas emanava, a negra beleza dos cortes perfeitos e a imposição tirânica da sua imensa fascinação sinistra, colaboraram no esmagamento da vontade de reagir ao Terror.

 

Os uniformes provocam, muitas vezes numa mistura impressionante com o medo e outras tantas com a agressividade, o desejo, o deslumbre e a sedutora, embora submissa neste caso, atracção pelo domínio e pelo poder, seja ele de que espécie for.

 

Somos frágeis. A insegurança corre-nos nas veias, mesmo quando não sentimos o seu latejar. Creio que a necessidade de protecção, de abrigo, de asilo, de resguardo ou de refúgio, provoca a necessidade de obediência subtil, e tantas vezes fatal, aos que vestem o símbolo mais visível de poder e de força.

Estamos inconsciente e perenemente perdidos e é nos signos que encarnam a potência e o domínio que procuramos a indicação da rota a percorrer.

 

Trágico é quando, nesta atracção, encontramos o abismo. Neste caso, para o atravessar é precisa a nudez.

 photo man_zps989a72a6.png


7 rabiscos

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De Maria Araújo a 23.02.2016 às 17:12


Gosto de fardas, umas mais que outras.
As fardas do III Reich, como a lindíssima da imagem, se transmitia medo, provocava uma admiração por tão belo porte de quem as vestia.
O último parágrafo é decepção!
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De Gaffe a 23.02.2016 às 17:48

Há psiquitras que afirmam que a beleza das fardas, sobretudo da divisão mais sinistra, as SS, inibiam a resistência.
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De Corvo a 23.02.2016 às 18:10

Historicamente comprovado!
E as outras não menos!
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De Gaffe a 23.02.2016 às 20:10

O inexplicável fornece alguns rastos quando o tentamos compreender.
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De Maria das Palavras a 23.02.2016 às 18:08

Logo a seguir ao, agora estudado, orgão sexual de Hitler que se via ao microscópio (que explica muito do que ele quis fazer) esta é a explicação mais palpável para a submissão de várias nações ao fenómeno nazi.
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De Gaffe a 23.02.2016 às 20:11

Longe do sarcasmo, agora.
Recuso-me a nomear o ditador. Acredito que a razão invocada pelos psiquiatras faz algum sentido, assim como o fenómeno "não fiz nada. É engano". estas "razões" isoladas parecem patetices, mas compiladas e unidas a outras centenas delas fornecem uma pista para o inexplicável.
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De LadyVih a 26.02.2016 às 10:17

Só tenho algo a dizer:
Fardas

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