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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe nupcial

rabiscado pela Gaffe, em 17.06.12

Inexplicavelmente fui censurada pelo photobucket e a inócua imagem que existia foi considerada ofensiva, violando o pudor que se exige. Decidi substituir a perdida, pelas absurdas razões invocadas, por duas ainda mais suaves que continuam a representar o que é dito.

 

Um dos mais importantes trilhos que uma noiva tem de percorrer sozinha, depois da escolha, minuciosa, ponderada e absolutamente criteriosa, do perfume a usar, é, como é de esperar, a lingerie.

Acredito que o vestido pode recolher as impressões, e uma ou outra lágrima, da mãe e os devaneios irritantes da futura sogra, as opiniões dos criadores distintos e a implicante atordoada do cabeleireiro - nestes casos, é sempre bom que seja um gay desconcertante e louco. Como não pode casar com colorido ardor, como deseja, vai projectar o ideal imaginário nas hipóteses que vamos naturalmente recusar, mas que ajudam a seleccionar o mais conveniente, por exclusão de partes.

Acredito que a organização do evento pode ser entregue a uma senhora que nos pesa primeiro para saber quanto temos de lhe entregar em ouro, que normalmente tem um sotaque francês e que começa todas as frases por oh! querida, a menina não pense que… e as termina invariavelmente com então vá, desconhecendo nós para onde ela nos manda e mesmo não pensando muita coisa.

Acredito que a lista dos convidados pode ser negociável e que é admissível excluir a prima em segundo grau que foi durante alguns séculos o primeiro amor do noivo embevecido e que, na nossa humilde opinião, foi um  desgraçado infeliz ao lado dela, mesmo sendo a prima a boa Santa Teresa d’Ávila, mas em sucessivos êxtases.

No casamento, acredito em quase tudo. Aliás, creio mesmo que, no casamento, acreditar em quase tudo é uma condição necessária à duração do mesmo.

Só não admito que a rapariga alva e pura, doce e terna, que voará envolta em véus rumo ao altar, permita que a lingerie que usa nesse voo tenha os perdigotos da opinião alheia.

A lingerie nupcial é o último reduto da timidez da noiva e por muita desvergonha havida no período que antecede o enlace, ou nos bancos do Rolls do avô, ou atrás das portas gigantes de uma sala do Louvre (esta última referência é pessoal), a noiva é uma criatura sempre estranhamente tímida, nervosa, mesmo insegura, uma noviça, uma conventual iguaria que só as abadessas viram nua.

A escolha da lingerie nupcial é proibida a estranhos. Só a mulher conhece o corpo noivo, só a mulher instintivamente sabe da renda e da rendada sedução que a liga vai tecer e nada, rigorosamente nada, se despirá de forma tão total e tão abrasadora do que a lingerie que uma noiva escolhe.

(Lingerie nupcial, 1929)

NotaNão! Não é a lingerie da imagem a que eu escolheria, mas a minha selecção fica comigo.  

 photo man_zps989a72a6.png


2 rabiscos

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De Vic a 17.06.2012 às 19:06

Wow! (para a da fotografia )
A outra, nem consigo imaginar, mas se é mais...apelativa...vou só ali e volto já 
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De Gaffe a 18.06.2012 às 15:54

A menina da foto foi censurada!
A tolice deste falso pudor é irritante. A imagem servia de fundo ao que era dito e era perfeitamente inócua. Quase não tinha interesse, como as que foram agora publicadas e, esperemos, desta vez, não censuradas pela imbecilidade vitoriana do phobucket.    

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