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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e os cromos repetidos

rabiscado pela Gaffe, em 26.06.12

De Paris a NY, passando por Milão, Tóquio, Madrid ou, embora em menor escala, Lisboa, entramos, nas ruas, numa espécie de portal temporal, uma variante afunilada de passagem para um universo onde encontramos em cada esquina rebanhos de homens que nos parecem repetidos e que nos causam a sensação de déjà vu. São homens relativamente interessantes, supostamente bem vestidos e elegantes, que se duplicam até à exaustão, forçando uma imagem que tende para a uniformização e generalização.

 

 

Esta característica é maçadora e aproxima o homem do estereótipo que, como sabemos, é companheiro favorito das massas amorfas e pouco racionais.

O homem torna-se igual ao outro em cada rua onde passa. A imagem é a mesma, invariável e quase monótona, com algumas, minúsculas, honradas e honrosas, fugas de cor ou pormenor.

A tendência é a de tornar similar, tornar geral, idêntico e aborrecido, um pequeno conjunto de imagens masculinas que vão funcionar como elemento aglutinador e comprovam a pertença de grupo. No entanto, esta metamorfose da diversidade em uniformidade, coloca o homem na área do facilitismo que é consequência da cegueira submissa ao pensar de determinado e bem referenciado grupo.

Sintoma de pertença a um círculo específico, esta comunidade imagética constante e imutável, aproxima o indivíduo do estereótipo, fazendo-o reconhecido pelos pares e pela multidão externa ao grupo, mas, como será de esperar, implica uma ausência de esforço, de imaginação, de criatividade e de originalidade, características não exigidas na formação do lugar-comum, do cliché, do chavão de trapos. É a simplificação absoluta da razão, o resumo básico e pouco cuidado do pensamento e, como tal, é aceite e reconhecido pelas massas, mas é, como se torna óbvio, uma redução primária da criatividade e da inteligência.

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Não se pense que não é agradável ver homens que provocam em nós, raparigas espertas, a perigosa sensação que nos faz acreditar que todos são o mesmo, pensam o mesmo, vestem o mesmo, fazem o mesmo, escolhem o mesmo, gostam do mesmo, dizem o mesmo, sofrem do mesmo, falam do mesmo e, tragicamente, trazem-nos sempre a mesma história sexual. A previsibilidade masculina sempre foi uma das nossas mais poderosas armas, mas, temos de admitir que se nos sai constantemente na saquinha de papel cromos repetidos, acabamos por mudar de colecção ou, no mínimo, procurar a estampa que, em princípio, não escolheríamos para colar na primeira página da nossa caderneta. 

 photo man_zps989a72a6.png

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5 rabiscos

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De Vic a 26.06.2012 às 11:43

É por essas e por outras que não ligo muito à moda masculina. Importante é a individualidade e o estilo pessoal.
Mas há aí alguns que estão bem...
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De Gaffe a 26.06.2012 às 11:58

Alguns estão óptimos.
O problema é que são repetidos.
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De BCarmona a 26.06.2012 às 12:20

Huumm,


Mesmo em Milão, NY ou Londres (em Tóquio nunca estive) acho que homens bem vestidos (ou vestidos assim) são a excepção e não a regra.


Os homens, em média, são muito menos conscientes do  estilo do que as mulheres. Ou então sou eu que encontro fascínio numa mulher muito mais rapidamente!


No entanto é verdade que a roupa masculina é muito menos variada do que a feminina e por isso é mais difícil ser original.




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De Gaffe a 26.06.2012 às 12:39

Em Paris, procuram ser a regra.

Às mulheres foi dada, na Renascença, a consciência do estilo e das suas potencialidades. O homem limitou-se a usar o que dele e delas faziam as esposas e filhas obedientes.

A originalidade, meu querido, pode ser bem mais interessante se encontrada em espaços apertados ou limitados.
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De BCarmona a 26.06.2012 às 15:53

E com esta última tirada se arruma uma conversa :)

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