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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe numa onda Grunge

rabiscado pela Gaffe, em 12.07.12

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É extraordinariamente difícil assumir a apelidada onda Grunge, termo proveniente de uma área musical restrita que é acompanhada por um estilo que não desenvolve uma tentativa consciente de criar uma imagem atraente, arcando com as consequências pouco lisonjeiras que estão apensas a um desleixo e a uma negligência propositada.

Paradigmas desta opção estão em primeira linha Kurt Cobain e Jonathan Poneman, da Sub Pop, que declara corajosamente que isso [roupas] é barato, durável e é uma espécie intemporal.

Contrariando a estética chamativa e apelativa da década de 80, o Grunge adapta-se às décadas seguintes e é absorvido por uma larga camada de jovens que, podendo não estar em sintonia com a corrente musical que acompanha à imagem, readquire um estudada desatenção e pensado desmazelo encantador, mas de recepção e aceitação complicadas.

É evidente que se dirige a um nicho muito jovem, mas este facto não iliba o simpatizante de cuidar atentamente de uma imagem que assume descuidada.

Os rasgos nas pernas das calças e a despreocupação fictícia em relação a peças consideradas essenciais, aliam-se a um certo allure vintage que se torna relativamente atraente, sobretudo quando as pernas que deixam vislumbrar são dignas de figurar no catálogo que apoia a Mãe Natureza e existe, na base, a indiscutível inteligência que se transformará, também, em charme logo que o portador envelheça e se deixe de tolices.

O Grunge não é, de todo, aconselhado a rapazes que descuram a sua higiene oral, que frequentam fanaticamente festivais de Verão, enfiados em tendas menores do que eles e que substituem a água do banho por litros de Super Bock. Nestes casos o Grunge deixa de ser uma imagem, para se tornar uma porcaria aos urros.

As meninas devem duplicar o cuidado, porque, mesmo sem Super Bock e com os dentes escovados, teimando em adoptar esta imagem sem preocupações acrescidas, continuarão a urrar (ou, em caso não raros, a zurrar).

No entanto, há que referir, se o vosso sorriso for o deste rapazola, meus caros, não interessa o que vestis, porque o desejo que será sempre o de vos ver despidos.

 photo man_zps989a72a6.png


2 rabiscos

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De BCarmona a 12.07.2012 às 16:13

Admiro-me com a variedade de temas abordados e divirto-me sempre com o humor nos textos.

Quanto a este, já passei a idade propícia à tolice!
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De Gaffe a 12.07.2012 às 16:20

Oh, meu querido! Está então a espalhar charme pelas avenidas da vida.

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