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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe informal

rabiscado pela Gaffe, em 03.10.12

(The Esquire Guide to Ambitious Suits)

Li, completamente rendida, há alguns anos, Roland Barthes.

Falava o ilustre pensador na criação do mito. Entre outras matérias, analisava com extraordinária lucidez, a mitologia do formal e do informal no código do vestuário.

Achei oportuno referir esta decomposição levada a cabo por uma das mais proeminentes vozes de que há memória.

O código inscrito naquilo a que se convencionou chamar formalidade provoca no espectador a sensação de segurança inspiradora de respeito e confiança. Está aliada a uma noção de competência e de eficácia, muito requerida nas entrevistas de emprego. A gravata apensa ao fato de três peças, de cores discretas, neutras e inofensivas, as peúgas pretas e os sapatos picotados e conservadores, são passaporte para uma primeira e favorável impressão. A impecabilidade está no rigor e na imagem asséptica do candidato.

Há, refere Barthes, a desconstrução desta formalidade austera sobretudo na imagem de políticos em mangas de camisa, sem gravata e prontos a abandonar a representação de gabinete sedentário e burocrata, rumo a uma batalha campal, repleta de obstáculos, mas encarada de peito aberto. Troca-se a habitual formalidade pela informalidade que advém do trabalho exaustivo no terreno.

Creio que quer uma, quer outra, fazem parte da mitologia descrita por Barthes.

O código que é criado nos dois casos, submete-se a uma estrutura mental vigente e pretende transmitir imagens que correspondam aos critérios de avaliação daqueles que se situam quer num patamar intermédio ou superior da pirâmide social, quer nos que os antecedem.

Não são bem vistos os rapazes que se apresentam de shorts no gabinete da presidência, assim como não são bem colhidos os yuppies que se atrevem a imiscuir-se nos grupos catalisadores de actividades pouco dignificadas por nichos mais conservadores.

A formalidade e a informalidade são, vistas por este prisma, mitologias. Respondem aos anseios e as falhas e faltas (Barthes refere manques) sentidas e ressentidas por determinados sectores bem definidos.

Em resumo:

Formalidade e informalidade são questões de entendimentos, exigências e leituras sociais.

Não é, portanto, aconselhável aparecerem de t-shirt e calções cargo para uma audiência com a Beth II de Inglaterra e não se recomenda o uso de fato riscado a giz, com gravata a condizer, numa rave onde o mais formal que se pode encontrar é a coroa de plástico de uma drag queen que se enganou a programar o GPS.

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2 rabiscos

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De BCarmona a 04.10.2012 às 18:39

É certo que a formalidade é ditada por entendimentos e exigências sociais mas é também, e a mim interessa-me mais esse ponto, fonte de beleza.


Naturalmente vestir formal não é vestir bem nem belo. Não há nada de belo no conjunto estereotipado de fato azul escuro, camisa branca e gravata azul escura do político português.


Mas existe um patamar de beleza que só se atinge com a sofisticação da roupa clássica e de bom corte. E isso perdeu-se nos homens.


É certo que devemos adaptar a formalidade da roupa ao contexto, o problema é que os espaços e contextos tornaram-se demasiadamente informais para os homens. 


Actualmente existe um desfasamento entre a formalidade e o requinte com que mulheres e homens se apresentam. Não é raro ver casais em que ela parece uma mulher e ele um miúdo. Muitas vezes é assim na maturidade de ambos, não deixemos que isso também seja visível na apresentação.

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