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Ilustração - Fernando Vicente


O senhor Dijsselbloem

rabiscado pela Gaffe, em 23.03.17

Eu não tenho escrito nestes dias porque ando a pensar muito e não consigo fazer as duas coisas ao mesmo tempo. A minha professora até perguntou se eu sou disléxico ou quê. Eu acho que sou o quê porque quando disse à minha mãe o que a minha professora tinha dito a minha mãe disse que estava com licença cagando para o que a minha professora dizia e que no tempo dela só havia cachopos burros. Agora é que têm a mania de andar com florinhas. Por isso não sou disléxico. Ando a fazer o que o meu avô se farta de dizer que é ver e calar como dizia o Salazar. As pessoas caladas vivem melhor. A minha tia está cansada de avisar a minha prima para fechar a matraca lá no feiceboque que é um perigo. A minha prima Idalina mete lá tudo o que lhe vem à mona e põe fotografias que a gente chama selfes com pau. Depois anda à batatada com os amigos que lhe dizem coisas por causa das mamas à mostra e dos paus que também se conseguem ver. A única vez que a minha tia meteu fotografias no feiceboque foi quando fomos passar férias a Albufeira e vimos duas holandesas velhas todas nuas a beber cerveja e uísques que são uma espécie de comida para gatos ricos que o do Firmino só comia restos. As holandesas andavam nuas e aos guinchos porque se usa muito lá na Holanda uma pessoa vestir-se assim quando vem a Portugal nas férias e passa pelo Guincho. A minha irmã teimou que era por causa dos homens da lota que saíram da rolote das velhas holandesas para ir à pesca. Eu acho que devia ser pesca com rede porque um deles trazia uma na boca. A minha tia disse que era igual às meias que a Idalina usa no trabalho e fotografou aquilo para mostrar que nós também usamos coisas bonitas quando trabalhamos e não é só no estrangeiro que as mulheres são finas. Depois meteu a fotografia no feiceboque. O meu tio quando viu disse que aquela merda era uma vergonha e só não cascou na minha tia porque sabe que se levanta o bico apanha uma pantufada que lhe leva os dentes que isto do machismo é uma coisa que enerva muito a minha tia. Eu acho que o meu tio ficou com raiva dos homens da lota por cauda das holandesas nuas que ele não viu porque estava a lavar a louça na pia do campismo. Começou a berrar que se gasta tudo em copos e mulheres e que depois é a miséria que se vê. A minha tia até teve de o acalmar e de lhe lembrar que ele já não tem idade para aquelas coisas. Que vá bebendo e calando porque da última vez que apanhou uma holandesa nua nem a deixou tirar os colantes e depois andou a dizer que a bandalhoca que é um badalhoca de banda larga era virgem. Uma virgem é uma senhora que cresce em cima das oliveiras. A bem dizer já não há muitas que isto de andar em cima das árvores ainda dá trabalho e já não rende como rendia. Eu gosto muito do senhor Djalobomble.

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O destaque

rabiscado pela Gaffe, em 14.03.17

Eu gosto muito do destaque embora não saiba bem o que significa. Fui a tempo de ver a palavra no Magalhães antes de chegar um senhor vestido de ministro que mo tirou à chapada depois de outro senhor vestido de ministro mo ter dado há uns anos para eu ver o significado das palavras. Eu como agora aprendo inglês aqui na escola até lhe disse put a keep pare you mas o homem fez que não entendeu e arrancou-mo na mesma. Só tive tempo de ver que no Magalhães aparecia a palavra destaque por isso penso que é o contrário de taque que é uma coisa que se faz no hospital. Não é aquela coisa que se diz mas que primeiro bisnagamos o ambiente com uma das amostras de cheirinhos que a minha prima Idalina rouba nas perfumarias enquanto as empregadas estão distraídas a falar no uatesapo com as outras colegas que estão no balcão ao lado. Isso é um traque. Um destaque é uma coisa que atira para ar uns vírus que fazem mal às pessoas e aos computadores. Deve ter sido por isso que me tiraram o Magalhães que devia estar cheio de destaques dentro e já a infectar a mioleira à minha professora que disse que aquilo tudo era uma vigarice e que se nos apanhasse a ver mulheres nuas nos fechava a tampa do computador depois de nos meter a pila lá dentro. A Escola não é a oficina do meu primo Zeca que tem umas fotografias coladas na parede de senhoras com mamas de fora. A minha prima Idalina diz que são companheiras de luta que a minha prima é sindicalista e trabalha no turno da noite porque diz que depois das nove há mais movimento de massas. Eu só espero que não sejam as massas que comi com atum ao jantar que ainda andam às voltas nos meus intestinos. Até tive de disfarçar o pivete. Não foi é complicado porque basta a minha professora falar que ela tem um bafo que parece saído do Inferno e aquilo passa. É melhor se nenhum dos cachopos da minha classe não vomitar nos cadernos como aconteceu ao Bernardino que é um colega meu que está sentado no fundo da sala e que fica muito agoniado com os bafos das pessoas e que também vomita com o cheiro dos queijos da serra que a minha prima traz do sindicato quando não há trocos e com a bosta das vacas que andam a pastar aqui no recreio. A minha prima Idalina diz que as vacas deviam ser sagradas como num país chamado Índia que fica na América que está cheia de índios que usam penas na cabeça de passarinhos mortos à paulada que é uma menina que desfila em Torres Vedras chamada Paula mas que toda a gente trata por Paulada porque dizem que é tarada por andar toda nua a abanar o rabo em cima de um carro de bois enfeitado com flores de papel de embrulho durante as férias do Natal e fala com sotaque do Brasil que é país que fica debaixo do mar e que foi governado por uma lula gigante que também era sindicalista. Eu até penso que é tudo mentira porque o único país dentro de água que eu conheço é o meu e não é nenhuma lula que o governa e se dissermos que é um polvo mesmo que seja um polvo ranhoso levamos umas chibatadas que até nos levantam dos bancos depois de lá terem saído uns senhores de óculos e muito tesos por causa das preocupações e do trabalho que tiveram em almofadar o rabo para não magoar as hemorróidas quando decidem que já é altura de disfarçar os traques que foram dando mesmo aqueles que cheiram às amostras que a minha prima roubava nas perfumarias antes de a descobrirem lhe chamarem vaca e telefonarem à polícia. O que valeu foi que a minha prima Idalina também faz artesanato nas horas de ponta e ofereceu uns alfinetes de peito ao polícia de turno que gostou muito e agora não sai de lá de casa a pedir o resto porque pelos vistos a mulher dele é mais bolos. Eu gosto muito do destaque que fizeram no Sapo.

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O Festival da Canção

rabiscado pela Gaffe, em 08.03.17

O Festival da Canção é uma coisa muito bonita com muitas luzes onde as pessoas votam. O voto das pessoas que votam vai pelo telefone e depois manda às pessoas a conta. Eu este ano vi o Festival da Canção na casa da minha tia que gosta muito de canções festivaleiras que são canções onde é preciso gritar muito e ter muitos batuques e pessoas atrás aos pinchos com umas coisas a brilhar espetadas no cu e na cabeça. Este ano a minha tia disse que aquilo foi uma merda e que vamos ficar em último. Nos anos passados ganhamos sempre o Festival porque não mandamos um morcão e uma fanhosa a cantar uma coisa a dois que mal se ouvia. A minha tia disse também que o morcão que ganhou parecia que tinha caído no lixo e que aquilo não são maneiras de se apresentar no palco. Devia ter vestido uma coisinha limpa e assim com umas luzes a piscar como o Goucha. O Goucha não apresentou o Festival. Foram duas meninas muito bonitas. Uma chamada Bárbara que é de Fermentões em Guimarães que a minha prima Idalina conhece bem porque tem muita mata e muito arbusto e outra menina chamada Alberta Marques Fernandes que também faz as notícias depois do Festival. A minha tia achou que as duas meninas eram as únicas magrinhas que por lá havia mas eu vi outra que parecia que tinha morrido apertada com uma coisa castanha e achei que passava fome que no Festival não dão lanche. A minha prima Idalina gostou muito da canção onde havia uma senhora gorda que gritava muito a ver se apanhava os dois homens que cantavam ópera que é uma coisa que os cirurgiões fazem muito. A minha prima disse que essa sim era festivaleira. Ou essa ou a do rapaz que ninguém sabe quem é mas que era o Justino Biba porque cantava em inglês mas que estava disfarçado de velha para não ganhar logo. Eu achei bonita a canção que ganhou mas não disse nada porque a minha tia leva muito a peito o Festival que nos representa e era certinho que levava um tabefe. Não me lembro das outras pessoas do Festival mas isso é porque o peito da minha tia estava na frente e eu não consegui ver muito bem. A minha tia não sabe porque não mandam a Ana Malhoa que dá sempre muitos votos. Eu gosto muito do Festival.

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O BES

rabiscado pela Gaffe, em 06.03.17

O caso BES é um caso mediático porque só se pode pagar com o cartão mediatis que é um cartão só para médicos. Não se pode usar o cartão multibanco como no caso BPN que é muito mais engraçado de dizer mas que fez muitas vítimas inocentes que agora usam umas pulseiras nos tornozelos que disparam um alarme que está ligado a uma central atómica que lhe coze os tomates quando pensam fugir. Isto é tudo tecnologia de ponta e nada como no caso das offchorses onde os polícias mandaram vir de fora uns cães que cheiravam mal as coisas. Não era preciso mandar vir do estrangeiro esses cães porque bastava a senhora pintora Paula Rego que é a chefe da Polícia Judiciária ir buscar a Tinita que é cadela da minha tia Elvira e que já tratava da alma porque os intestinos já eram. A Tinita safou-se de ir para o canil no ano passado porque o canil não estava pronto. O Presidente da Junta andou na carrinha com um funil eléctrico que aumenta a voz a dizer na freguesia ao lado que ninguém devia abandonar os animais porque tínhamos bichos que chegassem para abater quando o canil ficasse pronto. A Tinita costuma desatar a ladrar quando o telemóvel da minha prima Idalina toca e que está dentro de um saquinho que a Idalina comprou nos chineses parecido com o coelho do saquinho da mãe da Médi mas só que em rata. Os cães cheiraram e disseram que era uma coisa que o senhor governador do banco andava também a cheirar porque tinha droga. Não é nada disso. O saquinho só serve para não riscar o telemóvel que está lá dentro e que o governador do Banco de Portugal usa para telefonar para mandar vir salgados para o lanche ou marcar férias nas matas de um senhor muito rico que era dono de muita coisa e até das matas. A minha prima Idalina viu no cinema um filme chamado Blair que se passava nestas matas e ficou toda borrada. Até disse que matas nunca mais agora só nas esquinas e quando muito nas zonas das bordas com um ou outro arbusto que ainda lhe davam na tromba com as máquinas de filmar como àqueles campistas do Blair. O Balir era um ministro da Inglaterra que é um país que tem muita mata e que pertence a uma família real que se chama Mac Donaldes. Os Mac Donaldes abriram uma loja na América onde se vende computadores e carne picada que tem de ser muito bem esturricada porque senão aparecem dedos de pessoas lá dentro. A minha prima prefere comprar os rissóis e no Intermarché mas o meu primo Zeca disse que lhe dão azia. O meu primo Zeca é estúpido porque ninguém dá às pessoas os continentes. Ainda se fosse a Europa ainda vá que não vá que diz que somos todos de lá menos a Polónia que é de um senhor que anda atrás das mulheres para as desancar e para as esturricar nos fornos que pertenciam a um senhor que fazia filmes onde as pessoas andavam muito depressa e não tinham cores. As cores só apareceram muito depois com a evolução do Darwin. Não sei o que é o Darwin mas a minha prima Idalina diz que já fez isso quando esteve no Algarve. Deve ser um estrangeiro que veio junto dos cães que cheiram mal ou então um jornalista dos tablóides que são tábuas onde se levam os bifes dos Mac Donaldes para grelhar com os alhos e as cebolas que é como a minha professora gosta de os comer. A minha professora disse que para ela o caso BES já foi e é igual aos outros mas pior ainda. Nem sei porque é que ela me mandou fazer esta redacção logo a mim que sei tanto como a polícia. Só se for porque escrevo melhor e vou ser escritor quando for grande e metido no panteão que é uma casa onde também estão umas caixas de pedra sem nenhum morto dentro o que faz jeito porque eu não quero morrer. Eu gosto muito do caso BES.

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O Dr. Eduardo Sá

rabiscado pela Gaffe, em 03.03.17

O senhor Doutor Eduardo Sá é um senhor muito bondoso assim tal e qual a madre Teresa de Calcutá que tratava dos pobres que eram mais do que as mães. As mães dos pobres também estavam lá em Calcutá e também eram pobres. A diferença é que o senhor Doutor Eduardo Sá não usa os panos da cozinha na cabeça como a madre Teresa mas também não conheceu a princesa Diana como a madre Teresa. A madre Teresa até lhe deu conselhos ó filha tu não corras que a tua vida é uma correria é tu para aqui é tu para acolá se continuas assim ainda te espetas contra um poste. A minha prima Idalina diz que já não se fazem senhores como o senhor Doutor Eduardo Sá nem como a princesa. A minha prima sabe muito destas coisa porque até diz que fazia na boa o Senhor Padre Amaro que é um senhor que namora com a Soraya Chaves que a minha tia diz que tem cara de quem anda com um vibrador encastrado. Eu não sei o que é encastrado mas deve ser das cozinhas porque a minha tia também tem uma encastrada no apartamento novo. Um vibrador eu sei que é um aparelho para bater na fruta. A minha avó disse que mais vale um pássaro na mão que dois desses batedores a vibrar mas a minha avó só diz merda porque teve um acidente em pequena e ficou sem os dentes da frente que são os dentes que fazem a ligação com os miolos. Não é como o senhor Doutor Eduardo Sá que é muito inteligente e muito compreensivo. Até defende as bichas que o meu primo diz que deviam ser todas queimadinhas. Eu também acho que as bichas deviam ser queimadas. Eu só arranco asas às moscas e até já nem acho muita piada mas se a minha mãe me vê a tocar nos fósforos levo nas trombas porque no ano passado incendiei o palheiro onde a minha prima Idalina fazia o picheleiro. A minha prima com o talento que tem para estas coisas devia era ser professora de trabalhos manuais como o senhor Doutor Eduardo Sá que também faz muita coisa com a mão segundo diz o meu primo Zeca que lê muito. O meu primo só não acha bem o que o senhor Doutor Eduardo Sá defenda as bichas porque elas também fazem mal aos intestinos. São uma doença que ataca muito as pessoas inocentes que vão passear às quatro da manhã para o parque Eduardo número sete. São pessoas muito distraídas assim como eu que já vou levar dois estalos da minha professora porque o senhor Doutor Eduardo Sá parece que é jesuíta. Podiam ter-me dito há mais tempo que afinal a redacção era sobre um pastel mas também apanhava nas trombas porque afinal um jesuíta também não é um pastel. Raio da merda do homem que só me dá problemas. Eu não gosto de problemas porque fico sempre com a cara a arder e o nariz a sangrar como o meu primo Zeca quando vai ao futebol e não leva umas coisas de ferro para enfiar nos dedos e que o meu primo diz que ajudam muito quem tem problemas de nervos. Eu gosto muito do Senhor Doutor Padre Jesuíta Eduardo Sá.

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Os lápis de cor

rabiscado pela Gaffe, em 02.03.17

Na semana passada a minha professora chamou a mãe do Firmino à nossa escola. A mãe do Firmino meteu baixa que é uma coisa pequena e veio ver o que era. A minha professora mandou-a sentar ao pé dela mesmo à nossa frente mas de lado e disse-nos que tinha sido o Firmino a roubar os lápis de cor à Liliana e que era bom que toda a gente soubesse qual era a raça do cachopo. A mãe do Firmino ficou como os tomates do meu primo Zeca que são muito vermelhos e brilhantes e desatou a chorar que nem parecia uma pessoa crescida. A gente grande chora para dentro que as lágrimas depois de velhas só caem no coração. Depois a mãe do Firmino levantou-se e foi ter com o Firmino que está na última carteira mesmo ao pé da janela porque é o único que diz que não tem frio. Agarrou-lhe na mão e foi-se embora. Nem disse bom-dia que é muito educado dizer-se quando vamos embora. Também podemos dizer adeus mas isso é só quando temos lágrimas grandes na garganta quase a cair no coração e já não vale a pena dizer bom-dia porque é sempre noite. Eu sei que o Firmino vai apanhar uma tareia e depois vai dizer que caiu pelas escadas abaixo ou que tropeçou na lenha e raspou a cara nas farpas. A gente sabe e já não liga. O meu pai disse que só se perdem as que caem no chão. Eu não me importava nada que as que caem no chão não nos apanhassem já lá deitados mas a gente não pode ter tudo o que quer. O Firmino se queria ter lápis de cor devia ter pedido ao padrinho dele ou então que pintasse o sol com a tinta das mimosas esmagadas misturada com cuspo. Não fica muito bem mas dá para disfarçar e mais vale pouca coisa do que nada como diz a minha avó. O céu deixava em branco a fazer de conta que são nuvens. Não se podem roubar coisas para dar cor ao nosso céu. Eu acho que têm de ser nossas. A Liliana ficou quase uma semana sem os lápis e levou duas estaladas por não apresentar os desenhos em condições. Foi por isso que estava toda contente por saber que o Firmino ia apanhar das boas no lombo. Foi bem feito para ela o Firmino ter aparecido sem uma negra.  Acho que foi a mãe do Firmino que se meteu à frente e disse ao Firmino para se esconder depressa e depois tropeçou. Eu sei disto porque a minha irmã viu a mãe do Firmino e disse assim pelo meio dos dentes olha outra que também cai muitas vezes. A mãe do Firmino aleija-se muito. Eu gosto muito de pintar o céu de branco.

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A D. Dulce

rabiscado pela Gaffe, em 01.03.17

Eu gosto muito da D. Dulce Pontes. Ontem vi na televisão que a D. Dulce lançou um novo CD que os velhos já tinha lançado e fiquei muito espantado, porque a D. Dulce faz CD todos estragados. O senhor Vitorino que é um homem que tem reuniões às Segundas e Quintas-feiras ao fim do dia com a minha irmã Idalina deu-lhe um e disse-lhe olha Idalina hoje não trouxe queijo mas dou-te este CD muito bom que me deram lá nas obras. Eu até fiquei muito contente porque sou obrigado a comer os queijos do senhor Vitorino que diz que fazem muito bem aos ares mas que cheiram muito mal porque são da serra e os pastores são muito pobres e não conseguem dinheiro para comprar luvas para amassar as tetas das cabras e então usam nas mãos as peúgas de lã que tiram aos fins-de-semana para as pastoras as poderem lavar. O CD que o senhor Vitorino deu à Idalina estava mal porque avariou a aparelhagem e a culpa não foi da aparelhagem que até tem um botão que diz play em inglês. Isso não adiantou nada porque quando a minha irmã meteu o CD o aparelho começou aos gritos muito estranhos que até parecia que estavam a enfiar um cacto no cu da D. Dulce. O meu primo Zeca disse ó Idalina ó bruta tu não vês que é a mulher que canta assim. O meu primo Zeca não pode dizer nada porque só gosta da dona Mariza Rodrigues que já morreu e está metida na parede dum apartamento muito grande e importante em Lisboa. A D. Mariza Rodrigues tinha o cabelo branco dos desgostos que apanhava quando andava no fado e com carrapichas que é uma mistura de carrapato e das coisas que não posso escrever aqui porque levo uma pantufada da minha professora que me leva os dentes e que é muito injusta porque não faz mal usar os nomes científicos que os médicos dão à pila. Eu não tenho culpa da D. Mariza Rodrigues ter carrapichas no cabelo que foram feitas por um cabeleireiro bicha com cuspo. O cuspo das pessoas bichas é muito peganhento e pegajoso vá lá a gente saber porquê e dá para fazer essas coisas que dão muito trabalho e que fazem as pessoas bichas adoecerem e ficarem muito distraídas e muito cansadas. O Senhor Padre Alfredo disse que as pessoas bichas precisavam de tratamento num campo e de se concentrarem mais. O meu primo Zeca disse que as pessoas bichas não podem meter um supositório sem o segurarem com um alfinete porque cai. Ora eu acho que gente assim precisa de ajuda como eu que mamei agora uma traulitada da minha professora porque a D. Mariza não se chama Rodrigues e quem se chama Rodrigues é outra senhora chamada Amália que não morreu porque o meu primo Zeca disse que ela não morre e que abre os braços e levanta a cabeça para ver se os pássaros não lhe borram a cena e que diz obrigada obrigada obrigada agora o povo agora o povo agora o povo e a gente canta que se desunha em vez da senhora D. Rodrigues que ganha um pipa de massa com aquilo e depois compra cortinados muito grandes que também servem de vestidos mas mais bonitos do que os da D. Dulce que são todos uns sacos de merda e que a fazem gorda e a parecer um daqueles bonecos gigantes que havia naquele país que agora é dos americanos e que uns homens deitaram abaixo para fazer bonequinhos mais pequenos e vender aos chineses que fazem aparelhagens iguais à da Idalina e que gostam muito de ouvir a D. Teresa Salgueiro que era uma freira que cantava sempre a mesma coisa na missa. O senhor papa número 16 antes deste mandou-a para a China quando descobriu que ela não era culogista e gostava de incendiar vacas e depois comer. A D. Teresa pelo menos não faz caretas como a D. Dulce. Parece que não é um cacto que lhe enfiaram no cu é coisa mais fina tipo apito. A D. Teresa usa umas mantas pretas com penduricalhos nas pontas e tem também um cabeleireiro muito doente que não sabe que o cabelo é uma coisa que cresce pela massa cinzenta do cérebro e que até pode encravar e crescer para dentro e fazer as pessoas carecas. Eu gosto muito da D. Dulce Pontes.

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As polémicas

rabiscado pela Gaffe, em 28.02.17

Eu não sei muito bem o que são polémicas porque ainda sou pequeno e não conheço muitas palavras difíceis. Mesmo as que conheço às vezes só sei dizer as letras. Eu acho que tem a ver com desenhos mal feitos e com o Teatro do senhor Filipe la Féria que também se chama Teatro Polémico. Eu por acaso não gosto porque não tem pessoas nuas. Até era fácil ter. Eu fui ver com os meus pais um teatro chamado Mai Fair Lade que também é do senhor Filipe La Féria que é muito rico e tem muitos teatros e o meu pai disse que merda daquela os bombeiros daqui também fazem. Basta arranjar um candeeiro grande e umas escadas em caracol e ensinar a Idalina a fazer de rica porque parola ela não precisava que já é e até se punha nua se fosse preciso. O meu pai não pode dizer nada porque não estudou como eu que já vou apanhar um soco porque a minha professora está a dizer que o Teatro do Senhor Filipe La Féria afinal não se chama Polémico e que se chama uma coisa que se lhe varreu da cabeça. Eu agora não posso apagar nada porque a minha borracha está nas últimas e tenho de poupar que já gastei o lápis de cor amarelo a pintar o sol. Por falar nisso lembrei-me agora das polémicas das caricaturas e acho que devem ser desenhos mal feitos e com números de telefone porque dão porrada. O meu primo Zeca também levou uma carga de porrada do meu tio no ano passado quando fez um desenho da minha prima e escreveu a Idalina é puta e pôs o número de telefone dela nas paredes da cagadeira que agora se chama duplo Vê Cê desde que o Presidente da Junta mandou uma fotografia ao senhor Costa com as sanitas todas partidas. Eu vi o senhor Costa na televisão uma vez mas não ligo muito a concursos com o senhor Passos Coelho a apresentar. Só sei que foi o senhor Costa com o dinheiro que ganhou nesse concurso que mandou para cá sanitas novas que o meu primo Zeca andou a meter nos buracos antes de levar porrada. Quando lhe bateram ele ficou com um osso do ombro partido e já não fez mais nada porque era um osso que vai direitinho ao cérebro e quando a gente o parte pronto já não pode meter sanitas e só grita. O meu primo Zeca fez um chinfrim desgraçado a dizer que lhe tinham cortado a liberdade de expressão mas se calhar é a liberdade que às vezes se exprime mal e depois dá em porrada como os árabes da televisão que andam a queimar panos e a atirar coisas às pessoas que até parecem o senhor Doutor Mário Nogueira mas que não são árabes nem são o senhor Doutor mário Nogueira. São mas é senhores disfarçados porque eu sei que os árabes só andam de panos de cozinha na cabeça e lençóis cosidos. não queimam a roupa. As senhoras árabes andam com gaze nas mamas e na boca por causa dos dentes podres que na Arábia não há muitas escovas. Eu sei isto porque no Carnaval a minha prima Idalina disse ao Zeca olha eu vou vestida de árabe tu vê se me arranjas umas gazes lá no hospital onde vais fazer os tratamentos. O meu primo Zeca vai fazer tratamentos por causa da tareia que mamou à custa do desenho que fez da minha prima no duplo Vê Cê. Até foi injusto porque a minha prima Idalina passou a receber muitas mais chamadas a sair mais e até já foi ao dentista tratar dos dentes porque com eles podres fica-se com uma voz esquisita ao telefone. Eu gosto muito de polémicas.

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A D. Fátima Lopes

rabiscado pela Gaffe, em 27.02.17

A D. Fátima Lopes é uma senhora muito rica e presidente do sindicato duma coisa chamada estilistas que se preocupa muito com as cores das roupas que se usam e com as carteiras que levamos de férias ou quando queremos fugir à polícia depois de as levarmos. A polícia já prendeu os senhores que gostavam de andar com os sacos azuis dos cachopos que encontravam no Continente. O Continente é uma terra do senhor Paulo Azevedo que só veste coisas caras e com cores bonitas. A minha prima Idalina diz que é importante a gente ficar preocupada com as cores e disse mesmo que havia um senhor rei chamado Napoleão que tinha um casaquinho vermelho para não se notar o sangue quando ia à guerra. Há também o senhor engenheiro Sócrates que só veste calças pretas e ainda o senhor abade João das Neves que só usa sacos brancos para combinar com as meias que são iguais às do meu primo Zeca. O meu primo Zeca vai-se casar com a Dalete que agora se escreve D’All Lete por causa dos turistas e se lê Delete por causa dos computadores. O casamento vai ser aqui na escola dentro da sala de trabalhos manuais porque a minha professora diz que se querem fazer casamentos na sala dela ela parte tudo à chapada depois de nos fazer mastigar o giz que isto não é a casa da mãe Joana que é a avó dela e está internada no hospital onde o meu primo Zeca alugou umas camitas para os convidados que são do Alentejo. Os convidados ficam nesta casa na véspera do casamento. Devia ser no quartel porque a Idalina se sentia mais em casa. Já conhecia os guardas todos e até se podiam usar as cornetas e as gaitas dos guardas da fanfarra que a minha prima toca muito bem segundo dizem os que fazem a ronda todas as noites cá por casa e que nunca são os mesmos. Até me causa espécie porque as fanfarras deviam ter sempre as mesmas gaitas. A Idalina tem pouca sorte porque o quartel já está reservado para uma coisa chamada congresso doutra coisa chamada PP e os guardas estão todos prontos com aqueles capacetes dos robôs para que ninguém dê uma traulitada nas senhoras velhinhas que lá vão e que são como a avó da senhora professora que teve um ataque e que fala com a boca torta. Dizem que é para os turistas que chegam do estrangeiro e do Brasil compreenderem. O estrangeiro também é onde a D. Fátima Lopes vai ao cabeleireiro porque é para isso que tem um táxi sempre à porta mesmo mesmo mesmo ao mesmo tempo que a D. Maria José Morgado que é uma pintora muito famosa que vive no Rego. A D. Maria José Morgado manda chamar a D. Fátima Lopes para irem as duas dar uma de mão nos tectos ou apresentar um programa da televisão onde ela é ajudada a vestir pela senhora Fátima Lopes que é prima do senhor Santana Lopes que eu não sei quem é mas que anda por aí lá isso anda mas não que tem nenhum cabeleireiro amigo.  Eu gosto muito da D. Fátima Lopes.

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As SMS

rabiscado pela Gaffe, em 25.02.17

Eu gosto muito de SMS. Não sei bem o que é e até perguntei à Idalina que me disse que era uma coisa francesa que os telemóveis apanhavam e que vem sem a gente contar na corrente eléctrica. O meu primo Zeca pôs-se a rir e disse-lhe ó estúpida uma SMS é como um chate que é uma bicha que a gente apanha nos países mais baixos e só lá vai de injecção. Por isso penso que uma SMS é um animal perigoso porque ataca as fichas rentes ao chão. A minha irmã chamou-lhe inocente e cascou-lhe um murro na testa porque o Zeca estava a confundir com o senhor Marques Mendes. Eu é que tenho sorte porque a minha prima Idalina esteve a trabalhar em França nas obras a ajudar os turnos que apanhavam fruta de noite e lida muito bem com a língua e sabe que SMS é a maneira que os senhores que vivem em França dizem Se Mentes Safas-te. Eu acho muito bom sabermos lidar com as línguas e falar um bocadinho de todas. Gostava de ser como o senhor Padre que é muito corajoso porque até mata as bichas daquelas que nos mandam SMS mas que entram só pela parte de trás dos computadores pelos buracos das pénes. As pénes são uns paus de plástico que servem para as pessoas pendurarem num fio e depois se esquecerem onde as meteram e que se apanham muito nos duplos vês cês dos Centros Comerciais que são umas casas muito grandes e cheias de lâmpadas onde há pénes até dar com um pau porque lá entra tudo como na prisão onde esteve o senhor engenheiro. O senhor engenheiro teve sorte  porque lhe deram uma caneta para escrever um livro que depois meteu nas pénes para ninguém ler. Podia meter noutro sítio que a minha prima Idalina disse que sabia onde era e que me pareceu que doía porque o meu primo que esteve na tropa nos serralheiros ou nos artilheiros mecânicos já não sei bem disse que nesse lugar nem uma fava entra. O meu primo passou as favas do Algarve quando lhe fizeram a salada. Por isso penso que deve ser uma saladeira o sítio onde o senhor engenheiro devia meter aquilo ou então era na Santa Casa da Misericórdia porque de lá também sai merda junta com o senhor Santana Lopes que é filho de um Presidente muito antigo que já morreu e que foi substituído pelo senhor Doutor Cavaco que também tinha uma péne espetada no cu. Eu digo sempre a verdade por isso não mando SMS. Quem sabe se foi por isso que a minha professora me espetou uma galheta que quase me arrancava os dentes de cima porque em baixo já não tenho dois que os parti quando caí numas escadas rolantes que subiam sempre que eu queria descer no Centro Comercial onde a Idalina também trabalha perto das lojas onde se vendem cuecas vermelhas e foguetões que são telemóveis que vibram e mandam SMS. Eu gosto muito de SMS.

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A CGD

rabiscado pela Gaffe, em 24.02.17

A CGD é uma coisa que eu não sei o que é. Já posso dizer que não sei sem levar uma pantufada da minha professora porque a minha prima Idalina que não é menos que as senhoras do Cerco do Porto disse que se a senhora professora me voltar a assapar vem aqui e parte-lhe a dentadura toda com um martelo pneumático. Por isso espero que a senhora professora esteja atenta a ler esta redacção e tenha mais cuidado porque fica num instantinho sem os dentes de plástico que até são bonitos mas ficam depressa muito amarelos e a cheirar mal. O plástico é uma coisa reciclada e fica a feder aos sítios onde esteve antes de ir para as senhoras de reciclar. Eu sei que reciclar dá muito que fazer porque temos de saber as cores do plástico antes de o meter no lixo e nem sempre conseguimos decorar as cores dos sacos todos do modelo e do continente do senhor Paulo Azevedo. Eu não sei que modelo é mas penso que é a Sofia Aparício. É uma menina muito alta com problemas na boca e nas mamas que incham quando há humidade. Também pode ser outra qualquer que o senhor Paulo Azevedo é muito rico e pode ter mais do que um que não faz mal porque os mete no continente que é a África e ninguém dá conta. A África é muito longe e ninguém vai lá por causa dos mosquitos. Eu até pensava que era por causa das bichas que atacavam quando ficava noite mas o meu primo Zeca disse-me que isso era no Parque Eduardo número sete ou então no Beco do Esparramado que é onde a minha prima  tem o escritório mesmo ao fundo e onde faz muitas horas extraordinárias que são horas que não contam para o Currículo que é o patrão dela e que lhe faz a folha e me dá rebuçados. Eu gosto de rebuçados mas o que queria mesmo era a aparelhagem que vi na loja dos chineses igual ao leitor de CD que o meu primo Zeca comprou na feira. Dizia it’s a SONAE na parte de trás. Na frente tinha uns botões que ligavam à televisão e aparecia a dona Manuela Moura Guedes toda vestida de vermelho com as bochechas todas cheias de comida. Podia ser só defeito do aparelho que a Idalina disse OPÁ it’s a SONAE uma merda isto é mas é fancaria que também é uma marca de electrodomésticos e de pulseiras e brincos que a Idalina usa quando vai para o escritório e que a minha mãe oferece às senhoras quando elas lhe compram trumparueres que são umas coisas estrangeiras que encaixam umas nas outras como nós quando vamos para férias ao Carrapatelo e ficamos na tenda do meu primo que só tem uma assoalhada mas que é muito saudável por causa do ar desde que não se respire muito. Eu gosto muito da CGS.

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O gato do Firmino

rabiscado pela Gaffe, em 23.02.17

Ontem já estávamos todos na sala e a minha professora viu que faltava o Firmino. A senhora professora mandou-me ir procurá-lo que só lhe damos consumições. Eu encontrei o Firmino na arrecadação onde guardamos a lenha para a salamandra da escola. Estava aninhado aos pés dos cavacos e a chorar muito. Eu sabia porque é que o Firmino estava a chorar. O gato do Firmino morreu. Eu tinha visto o pai do Firmino a metê-lo no caixote de plástico do lixo. O gato era velhinho. Muito velhinho e morreu. As coisas ficam velhinhas e depois morrem. Acontece às pessoas velhinhas e até acontece aos peixes às mães e às mimosas. O gato do Firmino chamava-se Farrusco mas toda a gente lhe chamava gato. Só o Firmino lhe chamava Farrusco porque é teimoso. Se toda a gente chamava gato ao gato é porque o gato se chamava gato. Eu sentei-me ao lado do Firmino e pus-lhe a mão nas costas para lhe segurar os suspensórios. Os suspensórios são coisas fortes que prendem os calções e como o Firmino parecia que estava a desaparecer eu queria segurá-lo e achei que se lhe agarrasse os suspensórios o Firmino não desaparecia. Lembrei-me daquelas ervas muito compridas que vivem nos rios e quando a água passa parece que vão com ela mas não saem do sítio. O Firmino também parecia um dióspireiro porque estava cheio de flores mas com mais nada. Eu não chorei. Tinha umas coisas grandes a doer na garganta que pareciam murros mas não chorei porque não se deve roubar nada a ninguém. Muito menos aos amigos e muito menos as lágrimas. Gostava que toda a gente do mundo toda a gente daqui até à lua se chamasse Farrusco. Não me importava de me chamar Farrusco. Quando tiver um filho chamo-lhe Farrusco e se for uma rapariga chamo-lhe também Farrusco. Até a Ritinha devia chamar-se Farrusco. Era bom que Deus se chamasse Farrusco. Isso é que era bom. Assim o Firmino não chorava porque tinha o gato dele para onde quer que olhasse. O problema é que só o Firmino chamava Farrusco ao Farrusco. Nem eu chamava Farrusco ao gato do Firmino. Eu sei que o Firmino é o meu melhor amigo mas quando ele se levantou bateu-me. Deu-me dois pontapés três estalos e dois murros na cabeça que eu contei. Depois foi-se embora e eu não sei para onde. Foi para casa. Eu acho que vamos sempre para casa quando os outros não sabem para onde vamos. Eu não sou o melhor amigo do Firmino porque acho que o Firmino não tem coisas que são melhor. Eu gostava muito do gato do Firmino.

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A senhora Inspectora

rabiscado pela Gaffe, em 22.02.17

Hoje não tenho muito tempo para escrever a minha redacção que a senhora professora mandou-nos para o recreio porque esteve na nossa sala a senhora Inspectora para ler as redacções de toda a gente. A senhora Inspectora nem precisava de cá vir porque lhe mandam as coisas para ela ver em casa e não ter de se incomodar mas ela é uma pessoa muito boa e mesmo não podendo que é doente anda que se farta. A senhora Inspectora era uma pessoa muito alta e muito magra e muito muito muito mas mesmo muito inteligente. Tão inteligente que os miolos pesavam assim como os sacos de batatas que o meu primo Zeca costuma acarretar. O peso era tanto que a senhora Inspectora esparramou-se e ficou atarracada e gorda. Os miolos agora misturam-se com as tripas e a senhora Inspectora vê-se à rasca para separar o que diz da merda que faz. Eu acho que a senhora Inspectora não vai gostar muito das minhas redacções porque eu ainda não sei o que são as vírgulas e a senhora Inspectora disse para quem a quis ouvir e foi pouca gente que as vírgulas são como o alimento dos passarinhos. A gente atira-as ao ar e onde caírem lá ficam à espera dos pombos. Há sempre um que não se engasga. Agora vou brincar que se faz tarde. Eu gosto muito da senhora Inspectora.

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Tema livre

rabiscado pela Gaffe, em 21.02.17

Eu gosto muito do tema livre. Para dizer a verdade só gosto um bocado porque nunca sei o que tenho de dizer. Da última vez que a minha professora me disse que o tema era livre eu pensei que se podia copiar. Copiei o título de um livro que se chamava o iluminismo estrangeirado na obra do Cavaleiro de Oliveira que estava na secretária da minha professora para ela poder pousar o copo e a garrafa de água sem deixar marcas na madeira que dá mau aspecto e parece mal. Quando o senhor Sócrates nos veio entregar o Magalhães a minha professora até teve de se sentar na secretária para ninguém ver a rodela que o copo deixou na madeira. O Magalhães é um senhor que nos deu um computador parecido com a malinha da minha prima Idalina. A minha prima tirou um curso de manicura à noite e faz as unhas a uns velhos que até são muito bons clientes. Vão lá casa duas vezes por semana porque as unhas são umas coisas que crescem muito de um dia para o outro e devem ser cortadas rente porque senão os senhores são obrigados a vir às escondidas com vergonha das unhacas que ficam iguais às da minha professora que quase me arrancava os olhos quando descobriu que eu tinha copiado o título do livro. Nem se preocupou em ler o resto que era muito bom e falava no Cavaleiro de Oliveira que é o um senhor que morreu já múmia e que fazia filmes com a Soraya Chaves que já foi namorada do senhor Padre Amaro. Depois arrependeu-se e foi para Nova York estudar muito teatro. Já estava cansada de mostrar as mamas. Queria ver se conseguia mostrar menos coisas e dizer mais palavras. Coitada parece que aquilo correu mal só por causa dos professores que não sabiam falar português e gostavam de mamas. A senhora Soraya Chaves tem cara de gostar muito de hipismo que é um desporto que os hippies praticam e que exige uma cara de quem está sempre com pedra nos rins ou que enfiou no nariz o pó que a senhora que apresenta os sorteios da Santa Casa usa para encarquilhar e parecer morta há já uma semana. A gente percebe que é só a fingir porque ela até está muito bem para a idade como a minha professora que ninguém diz que é uma velha que já devia ter morrido e que não leu a minha redacção até ao fim porque me disse que eu devia respeitar os mortos que fizeram tanto pela nação e deixar de ser ingrato e rezar rezar rezar para que Nossa Senhora de Fátima nos ilumine que sabe iluminar as pessoas muito bem. Tem uma pilha na carteira porque no sítio onde moravam os pastorinhos não havia electricidade. Só lâmpadas muito fraquitas. Eu não falei de morto nenhum a não ser que ela estivesse a pensar que eu estava a falar do Senhor Oliveira que era um empreiteiro patrão do meu primo Zeca que trabalha nas obras da Covilhã que até foram primeiro desenhadas pelo Senhor Sócrates no computador que lhe deu o Magalhães que tem um programa chamado paint. Só se fosse por isso. O senhor Oliveira morreu num acidente de aviação porque uns pássaros se agarraram as rodas para ir de boleia. Aquilo deu para o torto porque o avião era uma avioneta sem força para aguentar a passarada e só havia um charquito para pousar nas emergências que era o charquito onde depois se fez o Freeport porque com os passarinhos mortos já não havia lá nada para guardar a não ser umas bichas sem importância que foram todas lá para dentro e que agora estão desempregadas porque o povo gosta de peixe e armou uma cavala só porque aquilo não demorou nadinha a ter autorização para se fazer. É uma vergonha porque se demorasse também reclamavam. O povo nunca está contente a não ser com o desgosto dos outros e não percebeu que o Senhor Sócrates fez aquilo a correr para esquecer os passarinhos que morreram no desastre agarrados as rodas da avioneta. Nem se queria lembrar daquela tragédia e quis fazer uma coisa parecida com o que estão a fazer em Nova York onde a Soraya Chaves mostrou as mamas. A minha prima Idalina disse que gostava de fazer como ela e estudar ainda mais para fazer umas unhas aos trolhas que lá trabalham porque pelo menos tinha uns andaimes em condições para se encostar e não a porcaria nojenta dos andarilhos dos velhos. Eu gosto muito do tema livre.

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O Papa Francisco

rabiscado pela Gaffe, em 20.02.17

Eu gosto muito do senhor Papa Francisco que é um senhor muito velhinho que vive em Roma numa casa muito bonita que tem um tecto pintado à pistola por um trolha que gostava de coisas feitas à mão e que fez pisa-papéis que são um homem nu com uma fisga na mão. Também fez muitos trabalhos de pichelaria porque não é calão como o meu primo Zeca que diz que o senhor Papa antes deste era um nazi de merda. Isso é mentira porque nazi é o nome de uma bisnaga para desentupir o nariz quando estamos constipados. Eu agora não sei se é nazi ou vick mas também não interessa porque os senhores papas não se constipam porque andam sempre dentro de uma cabina telefónica. É gente muito ocupada que recebe muitas chamadas. A minha professora já escreveu ao senhor Papa Francisco. Foi a senhora dona Aura Miguel que é uma freira disfarçada de jornalista que lhe deu a direcção. É muito fácil de decorar porque tem logo o número da porta. Vai logo lá ter. Depois as cartas são metidas nos chumaços que o senhor Papa tem nos ombros que parecem as asas do avião que bateu contra as mamas da minha prima Idalina. Disseram que isso aconteceu e que foi muito mau um avião ter batido contra as torres gémeas se bem que a minha prima não se tenha queixado muito. A minha prima Idalina também já não sente nada de tantas coisas que já lhe bateram contra as mamas. A minha prima disse que mais vale escrever ao senhor engenheiro João das Neves que esse responde logo com palavras muito difíceis a dizer mal das bichas e que pelo menos não anda de capelina como o Papa. Uma capelina é uma coisa que se põe nos pés dos atletas quando correm a maratona e apanham muito sol e ficam presos dos intestinos que até podem ser bichas. Então é preciso tomar o remédio que o senhor Papa dá aos padres para que eles não andem a dar catequese a mais como os senhores da Casa Pia que estão presos há tanto tempo e só queriam ensinar-nos a rezar muito. O remédio mata o bichedo todo porque o bichedo é uma coisa desgraçada que se mete em todo o lado e faz o meu primo Zeca cuspir para o chão e desatar aos murros e a bater com uma matraca num senhor em Viseu que é uma terra muito longe da casa do senhor Papa Francisco mas que ele já conhece porque o papa vê e sabe de tudo como aquela senhora da televisão que nos anda a fazer o mesmo que o pároco da minha freguesia faz ao regente do coro mas com o Calimero e que se chama Maia. Eu gosto muito do Papa Francisco que mora na rua do Bento n.º 16 Roma.

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