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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe deseja-vos

rabiscado pela Gaffe, em 23.12.15

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Gavetas:

A Gaffe mensageira

rabiscado pela Gaffe, em 29.12.14

Grant WoodA Gaffe ainda não se focou na mensagem de Natal do Presidente das República por três razões de peso:

- Porque sempre lhe disseram que tocar num osso enquanto a matilha o vai roendo, aumenta as probabilidades de se ser mordido;

- Porque, digam o que disserem e por muito ecuménico que seja, não é de bom-tom misturar festividades, diminuindo as hipóteses de nos vermos com mais do que um presente;  

- Porque o Halloween é um festejo irlandês que se americanizou em demasia.

A verdade é que as mensagens de Natal presidenciais nunca foram momentos cintilantes. Abre-se uma excepção para a doçura e alegria das da família Clinton que incluíam sorrisos, cães, petizes, relva, saltinhos e estrelinhas, mas desde que Clinton insinuou o encetar de relações com Cuba mostrando o charuto, a coisa descambou. Obama aparece sisudo com a cabeça de Michelle a ocupar todo o cenário, como um incauto aventureiro jurássico que não se apercebe que tem mesmo atrás um Tiranossauro Rex.

As mensagens de Natal monárquicas são mais comedidas. A hereditária experiência mostra aos coroados que basta um membro do casal real para imitar a Miss Universo e desejar paz no mundo. Filipe de Espanha e Isabel de Inglaterra, por exemplo, para além dos alfinetes ao peito – cada um no seu género – revelam ter em comum a noção de parcimónia que impede que o cônjuge faça mais uma vez figura de parvo.

A solução encontrada pelos assessores de imagem do Presidente da República portuguesa não é, de todo, satisfatória.

Colar ao lado de Cavaco Silva um poster de má qualidade com a fotografia em tamanho real de Maria Cavaco Silva, não resulta. Compreende-se que o usem quando em cerimónias oficiais a senhora não tem de andar muito ou não exista uma carteirita de cortiça, um porta-chaves, uns sapatitos, uma caneta ou um outro qualquer presentinho no fim da linha, mas não é aceitável quando se tem de ajudar a convencer um povo que o seu presidente não foi criogenado.  

Tornaria tudo incomparavelmente mais dinâmico se se juntassem todos os presidentes num estúdio a entoar We Wish You a Merry Christmas. Seria interessante tentar distinguir os mortos dos vivos e talvez em polifonia passasse despercebido o facto de todos nos cantarem a mesma coisa em todos os natais da nossa história.      

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A Gaffe sôfrega

rabiscado pela Gaffe, em 25.12.14

Natal.gifA melhor forma de sentirmos que durante todo o ano há estrelas que brilham presas nas árvores das pestanas de quem se quiser é aproveitarmos todos os pedacinhos do Natal.

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Gavetas:

A Gaffe habitual

rabiscado pela Gaffe, em 24.12.14

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Gavetas:

A Gaffe com arroz doce

rabiscado pela Gaffe, em 22.12.14

Al Brule..jpgO desafio partiu do Francisco e sendo ele um rapaz distraído vou tentar fornecer-lhe os links para não me repetir de forma maçadora e tentar escapar às nomeações obrigatórias.  

 

Árvore de Natal artificial ou natural?

Enfim, faz-se o que se deve. Quem não tem cão, caça com o gato.

Natal com neve ou sol?

Já só peço um frio de fazer congelar o Pai Natal sobre a minha chaminé.

Esperar pela manhã ou abrir os presentes à meia-noite?

Abrir presentes à meia-noite. É uma meia-noite absolutamente mágica que faz com que qualquer presente brilhe nos olhos de quem o ofereceu.

Qual o filme que adora ver nesta altura?

Mas há televisão nesta noite?! Se houver, quero estes.

Cânticos de Natal no Shopping. Sim ou não?

Se falamos do coro de Santo Amaro de Oeiras, nem nos elevadores.

Qual o uniforme que usa no dia de Natal? Pijama ou veste-se toda bonita?

Visto-me muito melhor porque uso a tradicional camisola de Natal que herdei do meu avô.  

Qual a sua comida de Natal favorita?

Batatas cozidas com bacalhau, ovo, cenouras, couves e alho esmagado, tudo regado com uma dose descomunal de azeite, comme il faut!

O que quer receber este Natal?

O que está dentro do coração de quem tenho dentro do meu e a notícia de que não é o meu irmão a decorar a árvore.

Planeia antecipadamente os presentes de Natal ou é à últmia hora?

Deixo tudo nas mãos do espírito de Natal e convenço-me sempre que vou encontrar o presente ideal para toda a gente mesmo ouvindo já os guizos do trenó natalício.  

Veste-se de Pai Natal?

Não. Sou uma menina de uma família muito conservadora que não aprecia fatos de fibra e pêlos artificiais à mesa da consoada.

Qual a sua música favorita de Natal?

Frank Sinatra e I’ll be home for Christmas e todas as outras que me lembram um Natal antigo.

Onde vai passar o Natal este ano?

No Douro, como sempre, ao lado de mais de duas dezenas de paixões espalhadas pela família.

 

Ilustração - Al Brule

 

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A Gaffe no lado sinistro do Natal

rabiscado pela Gaffe, em 22.12.14

Natal.jpgO mais assustador da época de Natal não é a visita dos vizinhos que custe o que custar acham por bem vir desejar-nos Boas Festas, mesmo quando não sabiamos que o pecado morava ao lado. São uns queridos, embora nos façam duvidar se é aconselhável trazer com eles o cão e as crianças. O que arrepia é a quantidade vezes que a Gaffe lê e ouve:

- Um desfile de Pais Natal nus em solidariedade com a TAP;

- Concentração de Pais Natal junto à cadeia de Évora;

- Manifestação de Pais Natal em protesto contra a exploração das renas;

- … Pais Natal por todo o lado.

Meus queridos, Pais Natal não existe, pese embora o que nos é dado deles ler na televisão.

O único Pai Natal admissível é o velhote simpático e bonacheirão que pertence ao imaginário infantil com a bênção da Coca-Cola. Pais Natal é apenas o que se poderá chamar uma calinada do arco-da-velha. Se nos referimos aos aglomerados de rapazes enfiados numa fatiota vermelha de fibra ranhosa, comprada numa loja chinesa, com pedaços de algodão a descolar na cara e barrete de forcado, convém chamar-lhes pais natais e sobretudo não esbardalhar cópias nas janelas.    

Uma das mais arrepiantes imagens do Natal é esta última. Pais natais que se cravam nas varandas como se tivessem sido cuspidos do trenó numa curva mais apertada e estatelado contra os ferros forjados das nossas noites de Inverno, ou então versões do Chucky que procuram assolar os nossos sonhos natalícios durante semanas a fio. São pais natais secos, mirrados, desossados e torcidos, anões que oscilam ao vento e pingam encharcados numa eterna incapacidade de dobrar o parapeito. Não são bonitos, arrepiam e assustam. São substituídos, às vezes, por quadrados de pano vermelho com o Menino Jesus estampado. É igualmente sinistro, mas pelo menos deixamos de nos sentir assustadas sabendo que há uma coisa antropomórfica a tentar entrar no nosso quarto.

Pendurar na varanda um bacalhau seria igualmente imbecil, mas preferível. Teríamos um demolhar mais ecológico.

Outro apontamento a repensar nesta época é a mania de se atirar com um único fio raquítico de luzinhas de Natal para cima de uma árvore digna e frondosa e pensar que ficou gira. A pobre acaba a parecer que usa fio dental comprado numa qualquer sex-shop manhosa. O crime só tem compincha quando se preenche o arbusto da entrada com a colecção completa de luzinhas dos OVNIS que o dono da casa costuma avistar. É um piscar incessante e nervoso capaz de provocar ataques epilépticos a qualquer transeunte menos prevenido e absolutamente stressante para a ramagem que não vê chegar o fim da tortura, porque existem ainda os escuteiros.

Os presépios dos escuteiros crescem desalmadamente. Qualquer jardinzito público viçoso é pasto para estas criaturas capazes de transformar nesta época um relvado bem tratado numa pasta empapada e enlameada onde enterram muitos paus, com muitos nós e muita tela, muitos troncos, muita palha e muita corda. O presépio fica sempre parecido com uma tenda dos Sioux depois de uma carga de pioneiros americanos e o jardim com as hostes de Custer após a tareia de Touro Sentado. É aconselhável que durante o Natal não se permita que estes rapazes saiam dos bosques onde vão acender lareiras e cozinhar coisas simples. Em alternativa poderemos sempre obrigá-los a cantar o Jingle bells enfiados na neve até que os bells deles deixem de tocar.

A estes pequenos contratempos natalícios, a Gaffe acrescenta que, cedo ou tarde, se vai esbardalhar contra os miúdos do coro de Santo Amaro de Oeiras

 

A toooodos um bom NataaaaAAAAALLLL

A toooodos um bom NataaaaaAAAaaaL

 

mas acredita que, depois de ter enfrentado o referido, os encarará com uma atitude já muito Lexotan.

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Gavetas:

A Gaffe acredita

rabiscado pela Gaffe, em 18.12.14

today.jpgPorque o dia começa a tremer de frio; porque o nosso pijama tem laços de miosótis bordados na gola; porque há pão com manteiga e chá quente na mesa do pequeno-almoço; porque podemos ouvir Frank Sinatra e I’ll be home for Christmas; porque o cão se sentou ao nosso lado e adormeceu encostado às nossas pernas; porque na jarra de vidro fosco há azevinho; porque uma bola de vidro tombou da árvore de Natal e rolou até parar aos nossos pés; porque o ar nos cheira a fresco como se tivesse sido lavado com um sabonete antigo; porque nos apetecia que nevasse, mas sabemos que tomba do céu o silêncio matinal das ruas; porque a manta de lã da Covilhã adormeceu amarrotada no sofá da véspera; porque sentimos que tudo nos fala de azul, enquanto lá fora a rua começa a misturar as cores; porque o gato na janela da frente nos olha sonolento com a placidez dos monarcas; porque as coisas mais pequenas são aquelas que nos tornam gente grande.

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A Gaffe estrelada

rabiscado pela Gaffe, em 16.12.14

Salvo raríssimas excepções, uma rapariga esperta jamais interage com material capaz de lhe dar um choque.

A Gaffe desconhece o nome destes aparelhos e sabe que jamais conseguiria encaixar com tanta perícia uma lâmpada nos objectos que necessitam de fios coloridos para funcionar, mas depreende que para os rapazes que gostam de bricolage este piscar equivale a uma avenida inteira de luzinhas e transforma-os no orgulho da família mais chegada.

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Gavetas:

A Gaffe dos esquecidos

rabiscado pela Gaffe, em 12.12.14

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Gavetas:

A Gaffe preocupada

rabiscado pela Gaffe, em 04.12.14

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Gavetas:

A Gaffe autorizada

rabiscado pela Gaffe, em 03.12.14

Casa Cartier.jpgSe a Maison Cartier já nos aparece neste estado, podemos então esbardalhar por todos os lados todas as luzinhas de Natal que nos aprouver sem deixarmos de ser BCBJ.

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Gavetas:

A Gaffe da árvore de Natal

rabiscado pela Gaffe, em 02.12.14

São amorosas as propostas de árvores de Natal que surgem por tudo quanto é lado!

Elas são de tábuas, de vidros, de canudos de papel higiénico, de novelos de lã, de garrafas vazias de whisky (neste caso é compreensível o desarranjo), de papelinhos, de luzinhas suspensas, de retratos de família, de rolhas, de espuma, de embalagens de gel de banho, de livros coloridos, de cestos de fruta, de pauzinhos secos, de peluches e de tudo o que nos queiramos lembrar.

Um universo de criatividade sempre disponível no Natal.

Normalmente é um aborrecimento reproduzir na sala estas propostas. Nunca ficam tão radiosas como as das fotografias e enchemos os dedos de cola que custa imenso a sair e dificulta o trabalho à manicure. Quem não for talhado para a bricolage é brindado com um pesadelo natalício.

Meus caros, aquilo que nos mata de trabalho deve vir já feito. É por alguma razão que os chineses vendem árvores de plástico já decoradas!

É uma maçada desatarmos a recolher coisinhas para construir o que se pode perfeitamente comprar já completo num armazém qualquer. Poupamos imenso tempo que depois podemos gastar a escolher os presentes.

As árvores de Natal originais, muito recicladas, muito in, que a nossa vontade de inovação apanha fotografadas, são como os cigarros que se preparam a uma esquina deprimente da vida. Existem já prontos, empacotados, matam da mesma forma, só que são mais baratos.

Uma árvore de Natal tem de ser o tradicional e gigantesco trambolho verde vestido de luzinhas, bolinhas, fitinhas, estrelinhas, anjinhos e tralha a brilhar, capaz de fazer tropeçar a travessa das rabanadas que se esqueceu que o gigantone se tinha erguido há uns dias pelas mãos calejadas do Natal das nossas memórias.      

A árvore de Natal tem de ser verde, gorda, farfalhuda, grande, maternal, profusamente enfeitada com insignificâncias que cintilam, quente, refulgente, envelhecida e ficar espapaçada na sala a ocupar o lugar da poltrona da avó.

O resto é mariquice, mas se não concordam comigo, meus queridos, podem sempre experimentar a proposta que vos deixo.

árvore de Natal.jpgFoto de Geof Kern

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A Gaffe e um Natal escuro

rabiscado pela Gaffe, em 26.12.13

Dentro dos olhos fechados ardem luzes.

As luzes que as mulheres de luto teimam em pendurar na árvore, porque é Natal fora dos seus olhos.

É Natal nas árvores, nas balaustradas, nas coroas de azevinho que cresceu desenfreado e tem de ser cortado para que sem freio cresça uma outra vez e uma outra vez se enfeite em coroa com as luzes que as mulheres de luto teimam em suspender nos olhos abertos mesmo quando há sono.

Ficam sempre atentas às luzes dentro das pálpebras que fecham.

 

Deixai o escuro cerrar pelos olhos dentro, deixai a noite inteira e negra e negra e negra, porque é despudorada a luz cá fora e não sabeis adormecer com sono e não se apagam dentro as labaredas.

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Gavetas:

A Gaffe e o eterno desejo

rabiscado pela Gaffe, em 24.12.13

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Gavetas:

A Gaffe à espera do Natal

rabiscado pela Gaffe, em 23.12.13
(Norman Rockwell)

O quartel general é, este ano, em casa da minha avó onde chegamos ontem à noite.

O Natal já escacou o sentido estético da minha prima colocando nas portas deprimentes coroas de bolas de plástico vermelho e laçarotes escarlates que prendem azevinho falso.
A rapariga chegou ao início da manhã de ontem, no seu melhor estilo hollywoodesco, juntamente com a mãe que ganhou o privilégio de reconhecer apenas o Natal que bem entende e se recusa a olhar para os arranjos.
O restante exército depois, pela calada da tarde.

O meu querido irmão, o meu reforço principal, tarda a aparecer!
De Paris aqui há um penoso e tortuoso caminho a palmilhar, aviões comboios, autocarros, triciclos, carrinhos de choque, bicicletas, tartarugas, trotinetes, camiões, patins e sabem os deuses o que mais terá de ser apanhado para aqui chegar, sobretudo para quem se recusa a conduzir.
Encaixo a minha mais ingénua, cândida, amável e pacífica figura, mas sinto-me como se tivesse encarnado uma das mais psicóticas figuras de Almodóvar e começo a ficar com a alma assustadoramente parecida com o realizador.

E eles começam a chegar!
Toda a tarde de ontem se ouviu bater portas de carros e como um bando de pardais à solta se viu esvoaçar a mais diversificada comandita de exemplares que se vão reunindo para o debicar das iguarias do Natal no Douro.
E há de tudo!
Yuppies ressequidos e recessos, damas de copas com espada à cinta, dois adolescentes que resplandecem ruivos, boémios a tresandar a whisky e a tabaco, artistas plásticos de plástico e vinil, cantoras de ópera de barrocos palcos, velhos tão velhos que a velhice é velha, doentes de Molière e saudáveis que tossem mesmo as lágrimas, arrastados sotaques e pronúncias, meninas tontas a espirrar hormonas, lunáticos repletos de luar nos olhos, um Chihuahua  à beira de um ataque de nervos, soutiens de farpas, barbatanas de baleia, um homem que ri que ninguém conhece, uma dona Elvira e um calhambeque, um frade, um mendigo e dois magnatas e mais o que não digo porque já me perco!


E a minha prima a acordar as hostes com um estrondoso e rodopiado karaoke! Mariah Carey de pijama à solta esbaforido e uma jarra minúscula de cristal por microfone:

 ... And all I want for X-mas is...YOU!

O Natal é também esta espera que faz tilintar todos os sininhos que de súbito se descobre haver no coração e em cada um deles perceber que existe no Natal que chega a magnífica hipótese de voltarmos a nascer e a certeza límpida e impoluta de que podemos em cada renascer encontrar por todo o lado aqueles pedacinhos frágeis de Felicidade que se unem e que se chamam Vida.

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Gavetas:




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