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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe a balançar

rabiscado pela Gaffe, em 03.05.18

 

A minha mão passa despercebida, cambaleando sonâmbula no som que os pássaros soltam de ramo em ramo.

A minha mão é ruiva e nem a ferruginosa cor da minha mão permite a inacabada antítese da paisagem do meu corpo.

A minha mão ruiva não é mais do que o rasto que fica, como a ferida de um fruto que se acaba de morder. Um fruto vermelho, uma romã, uma cereja, ou a mordida feroz no coração da tarde ou no meu, que entardece no som despercebido da minha mão sonâmbula.

 

A minha mão ruiva é desigual a mão que digo amar e é nesse dizer do amor que sinto não sentindo que a minha mão balança na mão que digo amar, porque em mim o amor é sempre o oscilar das cores com que as aves fazem ninho.

Foto - Fernand Fonssagrives - NY, 1945

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Gavetas:


3 rabiscos

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De Fleuma a 03.05.2018 às 18:13

E portanto, não existe beleza como a da inquietação das sombras.

Tão bom.


Saúde,
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De Gaffe a 03.05.2018 às 22:22

São as sombras que operam claridade. Sem sombras a claridade era inútil.
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De Maria Araújo a 14.05.2018 às 18:39

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