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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe a cuidar

rabiscado pela Gaffe, em 08.01.15

Os gerânios estão quietos e amordaçadas pelo frio. Em breve, muito em breve, é tempo de os colher. A minha avó previne.

Há um sossego de sombras no jardim e só a gota de gelo que escorrega do baloiço da folha, estilhaça as pacíficas superfícies da quietude.

A minha avó de pérolas olha o colar de melancolia pousado no regaço. Tem o alfinete de âmbar a prender o xaile, como uma pulseira da cor de troncos de árvores transparentes que enrolou nos ombros.

Tens de cuidar de tudo, minha pequenina. – Volta a pedir.

Eu cuido, avó.

- Eu cuido, avó. Já não sou pequena.

Olha para mim e toca-me no braço. As mãos como se fossem duas gotas ou dois ventos amenos que se enredam nas sebes do jardim.

- És tão pequena ainda, minha querida. És tão menina ainda! Cuidas de tudo?!

- Eu cuido avó. Descansa que de tudo.

Sorri e volta a olhar, lá fora

- Eu sei que cuidarás. O teu avô sabia.

- Ainda dói muito, avó, a falta dele?

A minha avó de pérolas olha o colar de mágoa pousado no regaço.

- O teu avô olhou tanto para ti que quando te vejo agora, minha querida, sei também do teu avó em ti.

Cuidas de mim?

 

Cuidar é uma palavra tão perfeita!

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