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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe adjectivada

rabiscado pela Gaffe, em 27.09.18

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É certo e sabido que os rabiscos da Gaffe estão pejados de adjectivos e de advérbios. Uma coisa tremenda que foi desde sempre apontada como desgraça para o bom fluir de um texto. Também é evidente que a Gaffe sempre teve perfeita noção da ocorrência e nunca levantou o dedo da tecla para evitar a desfaçatez. Esta rapariga não gosta de se desgastar com o gosto dos seus críticos, nem tem a intenção de elevar rascunhos tontos ao nível dos escritos dos contidos consagrados. É o que se poderá chamar um vê se te avias de adjectivação.   

 

A Gaffe aproxima-se desta forma das figuras curiosíssimas que de quando em vez trespassam os nossos areais, vendendo bugigangas. Capazes de enfrentar a maior canícula e os mais agressivos raios meridionais, estes senhores pisam brasas carregados de varapaus onde pesam centenas de inutilidades que incluem lenços de coloridos gigantescos, óculos de sol, fios, pulseiras, estatuetas africanas, elixires capilares, berloques, quinquilharia marítima, destroços de automóveis, saídas de praia para matizar gorduras, vestidinhos de alças e de bordado inglês feito na China, mantas da Covilhã, bronzeadores e uma ou outra fotografia de Mapplethorpe apanhada no caixote do lixo de Serralves.

 

A Gaffe não tem qualquer prurido em ser literal e literariamente comparada a estes corajosos vendedores de banhas de praia.

O que a aflige - de forma ligeira e muito precavida, pois que a Gaffe é muito dada a  brunouts repentinos -, é ver-se próxima daqueles senhores que aparentemente não vendem frandulagem, mas que a usam por todo o lado. O importante é que se consiga avistar a olho nu – para contrastar.

 

É evidente que os excessos femininos são condenáveis, mas nós, raparigas, podemos sempre dizer que carregamos a herança cultural de legiões de druidas. Fica bem e ninguém se atreve a passar por inculto. O dente encastrado em ouro que trazemos ao pescoço, que arrancamos à chapada a um passado recente, turbulento e barbudo, é visto como um chamariz da aura ancestral emanada pelos barbeiros, alquimistas ainda imberbes, chegado da escura, densa e esconsa Idade Média.

Com os homens estas preformativas justificações não resultam.

 

Um rapagão que se disfarça de mostruário de farraparia é, por norma, excluído da selecção de rapazes que podem ser despidos por raparigas muitíssimo empáticas, ou demasiado sociáveis nas noites das iguanas.

Os berloques, as medalhas, os anéis nos dedos e os penianos, os botões de punho, os alfinetes, os pins nas lapelas, as pulseiras, as correntes, as fitas nos punhos, as fitas ao espelho, os cintos complexos de fivelas torpedeiro, os picos das botas, os piercings nos mamilos e príncipes nas pilas, as coisas pendentes e as tretas sem dentes, os brincos, os aros, argolas nasais e as depiladas pernas que reluzem de noite, são provas cabais dos crimes que os donos cometem quando desatam a acreditar que é atraente a Feira da Ladra.

 

A Gaffe propõe que toda a fancaria usada por estes rapazes-mostruário, seja neles tatuada. Poupa imenso tempo, não oxida, não sai, nem vai, não foge, não escorrega, não se perde, não se ganha e contribui para que se cumpra o desiderato de toda esta gente à beira mar exposta. Em 2020, os portugueses terão todos uma tatuagem algures e uma selfie com Marcelo.  

 

A Gaffe dá o exemplo e tatua adjectvos e advérbios.                        

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8 rabiscos

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De Pequeno caso sério a 27.09.2018 às 23:32

Gosto de tatuagens mas ainda não tive coragem de fazer nenhuma porque tenho sempre em mente que o que hoje está mais ou menos esticado, um dia deixará de estar.
Gajos com chibecalhada nunca me atraíram e desconfio sempre da sua masculinidade.
Já gostei mais do Marcelo e não faço questão de ter nenhuma selfie com o presidente.

Reflito :
Tu queres ver que não sou portuguesa?
;)

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De Gaffe a 28.09.2018 às 00:38

Não és portuguesa.
No máximo tens um ou outro gene.

Lembro a águia tatuada que com o tempo se transformou em galinha choca...

Melhor não.
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De Maria Araújo a 01.10.2018 às 16:04

As tatuagens deste blog são soberbas.
Já as que se vêem nos corpos, por favor!
Odeio!
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De Gaffe a 01.10.2018 às 16:19

Há rapagões a quem ficam bem ...
;)
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De Maria Araújo a 01.10.2018 às 21:22

Depende das tatuagens e dos rapagões
Uma boa noite.
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De Gaffe a 01.10.2018 às 23:06

;)
... claro ...
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De Anónimo a 21.12.2018 às 18:53

botões de punho no meio disso tudo é que não! Eu uso há mais de trinta anos, é chique e faz com que as camisas não fiquem apertadas nos pulsos.
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De Gaffe a 21.12.2018 às 20:22

De acordo.
:)
São adereços perfeitos.

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