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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe amarela

rabiscado pela Gaffe, em 24.05.16

amarelo.jpg

A Gaffe tinha decidido não se envolver nesta tonta polémica, porque nunca gostou do amarelo. É a cor da Medicina e uma das do Vaticano. Sempre considerou que com padres nem na missa e planeia não precisar de médico até chegar à idade em que o que não dói é porque já não funciona.

 

Deve-se desde já referir que a Gaffe não fez uso do corriqueiro ensino privado. A Gaffe andou em dois Colégios privadérrimos, daqueles em que os papás são obrigados no acto de matrícula a provar que têm à disposição um helicóptero para não atrasar o início das aulas quando há engarrafamentos nas vias de acesso às escolas pobres. Frequentou o ensino superior pobre, apenas porque o privado em Portugal é muito parecido com a Feira da Ladra - ou Marché aux Puces para disfarçar.

 

Contudo, a Gaffe depara-se com esta manifestação de um amarelo privado e não pode, nem deve, deixar de se comover com a honestidade e a ternura da faixa que abre esta indignação.

Hugo van der Ding.jpgHá que ter presente que a Gaffe quer muito acreditar que aquela vírgula marota é um apêndice photshopado, porque de contrário fica esbardalhado o argumento da superior qualidade do ensino privado em relação ao ensino público. Fica provado que não diferem grande coisa.

No caso improvável da faixa ter nascido assim, há que reconhecer que existe nesta manifestação uma sinceridade, uma honestidade, digna de relevo. Em nome do meu condena corajosa e frontalmente o que mexe no nosso bolso e assume implicitamente a defesa do que mexe no bolso dos outros e que se lixem as eleições. Os manifestantes não recuam perante o seu direito a poupar uns valentes trocados encaixando os filhos num espaço privado, se há uns palonços que lhes pagam as propinas enquanto enfiam os rebentos na escola pública, mesmo ali em frente. Seria muito mais tranquilizador criar umas comissões parlamentares que analisariam o impacto das medidas preconizadas de modo a que os resultados surgissem ao mesmo tempo que as conclusões finais das investigações ao acidente de Camarate.

É tão incompetente esta gente que pensa que uma pretensa anomalia de carácter público pode ser corrigida de modo tão drástico e sem cuidar do colegial bem-estar das pessoas de boas famílias com uniformes giríssimos!   

 

Depois, há uma imensa tenrura patente na faixa que encabeça este meeting.  

Provavelmente a última palavra do slogan é destinada ao Ministro da Educação. Tiago Brandão Rodrigues é realmente um petiz que, pese embora estas traquinices, poderia perfeitamente ser filho de um casal manifestante - é ministro! - e corrigido pela disciplina de um Colégio em condições.

 

É de lamentar contudo que seja usada, para finalizar a frase, uma palavra tão usada pelos pobres. Seria muito mais agradável a faixa conter um saboroso:

      

Em nome do Filho, então vá!

 

Cartoon - Hugo van der Ding

 photo man_zps989a72a6.png


3 rabiscos

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De Corvo a 24.05.2016 às 12:47

Também é um mistério que sempre me intrigou. Qual a diferença cultural para o aluno formado pelo ensino público ou privado? No primário quer um quer outro aprendem que 9x7 são 63 e que D. Afonso V é que era africano.
No secundário quer um quer outro aprendem o Inglês pela mesma gramática, e no superior quem se esforçar sabe e será útil a sociedade, e quem viver para prachar não sabe nem terá utilidade mas sai na mesma doutor.
Não precisar de médicos, ou não fazer tenção de precisar é bom, Gaffe ; muito bom mesmo e aplaudo-lhe a decisão. Faz como eu, 75 anos e nunca fiz perder tempo a nenhum. Só que nunca vou saber através da dor e da falta dela o que já não funciona porque dor física é sentido que nunca conheci
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De Gaffe a 24.05.2016 às 12:58

Esqueceu que uns têm uniformes giros e os outros não.

Vou confessar-lhe um segredito:
Apesar de tudo o que me satisfaz sabendo de si o que sei, não é muito simpático dizer que não quer, jamais, precisar de ... mim ...
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De Corvo a 24.05.2016 às 13:22

Eu sei, eu sei Gaffe . Lamento muito...por si mas não vou precisar mesmo.
Tirando as visitas obrigatórias, primeiro as exigidas quando se trabalha em África, depois as que me exigem para renovação de carta de condução, nunca precisei de médico para nada nunca soube o que era uma dor de cabeça, de rins, de estômago ou quaisquer outras, nunca fiz análises a nada, exames, rastreios, nada. Ainda estou para saber o que é uma gripe ou constipação, sobretudo quando vejo as minhas mulheres saírem-se com estas:
Ó pai, ó pai, vai ao médico, na tua idade devias tomar vacinas contra a gripe e...
E eu: quem é que anda ranhosa nesta casa? Não és tu que és a médica?

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