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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe "apalonçada"

rabiscado pela Gaffe, em 06.09.16

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O palonço é um tipo de homem que facilmente encontramos na praia, ao Deus dará, de speedo e de speed pela areia fora, óculos espelhados e músculos em fase de construção - um work in progress infindável, - posando para as garinas que pasmam quando ele passa a caminho do mar convencido que tritões como ele, inconformados, revoltos e rebeldes, são o mais profundo desejo das sereias da polícia.

É por norma o bronze de eleição, a medalha dos que ficam sempre atrás dos campeões, mas acredita no karma e desconfia que foi tramado pelos pecadilhos marotos que comete, ou sonha cometer, sempre que por ele passa no seu balançado que é mais que um poema a garota mais linda que vem e que passa e o enche de graça a caminho do mar.

 

Há palonços magrinhos, enfezados, mas não sabem cantar e permanecem colados às toalhas de praia, em poses artísticas que procuram dar ênfase ao que apertado pelos calções se torna óbvio sem nos preencher sequer um soslaio de olhar, mas desses, a história é tão  parca como o que guardam para nos dizer ou declamar.

 

 

Comum aos dois é o cruzar dos braços frente ao mar e o lançar dos olhos na pesca do horizonte. Reconhecemos os palonços, nestes casos, porque os seus perfis, em contraluz cinematográfica, empurram, com o único jogo de cintura que possuem, o centro dos seus mundos para a frente. Identificámos a fita.

 

Os musculados estão tatuados. Tolices tribais e triviais, dragões que lhes queimaram os pêlos das pernas, carpas sem marés ou lugares-comuns de uma literatura naufragada.

Os raquíticos parecem tatuagens.

 

Não representam qualquer perigo. São como as marés. Sobem e descem ao sabor das nossas luas.

 

O único palonço que uma rapariga deve evitar é o que pertence ao terceiro tipo deste grupo popular.

Não tem tatuagens; gosta do calor; não posa nem pesa nos nossos temores; sabe de cor, mesmo não sabendo, palavras de poetas; quer fazer connosco o que a Primavera faz às cerejeiras, porque leu Neruda grafitado; esbardalha-se nas nossas toalhas e preenche-nos cadeiras que nenhuma faculdade nos credita e ronca e é grosseiro e lambe o dedo para virar a página do livro que somos sempre nós, de capa fina e ilustrações magníficas.

 

É o palonço que se não se encontra sempre à luz do sol. Às vezes aprecia as nossas sombras.

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20 rabiscos

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De Psicogata a 07.09.2016 às 11:42

Nunca gostei de palonços, só servem mesmo (alguns) para alegrar a vista ou preencher vazios enquanto não se encontra um homem a sério.
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De Gaffe a 07.09.2016 às 11:47

Alguns nem para tal servem, minha querida.
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De Psicogata a 07.09.2016 às 11:52

Verdade, nem para isso
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De Gaffe a 07.09.2016 às 12:13

:)))
Mas escapam alguns durante algum tempo.

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