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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe beijada

rabiscado pela Gaffe, em 13.04.15

George Brassaï.jpgComeça o corpo pelo beijo.

O livro abre-se pela boca e é na boca do livro que se recolhe o mover subterrâneo da frase, o movimento tectónico das placas das palavras.

É na boca que o peixe encontra, pequena, a morte e na língua solta o debater inútil da asfixia.

É no beijo que começas o desbravar do corpo, quando os teus lábios roçam as estrias de outros lábios. É no entreabrir da boca, no defrontar da língua que procura a língua, na saliva misturada com incêndios, que decifras o outro corpo, adicionando as chispas e as fracções e os indícios que claramente lês, que intuitivamente, instintivamente, és.

Há, apesar do instinto, uma racionalidade gelada dentro de um beijo. Uma espera de equações por dissolver. Matemática de carne, formulários de línguas e salivas, expressões com números de circo.

E é apenas no corpo que as resolves.

 

Foto - George Brassaï

 photo man_zps989a72a6.png


4 rabiscos

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De Boneca Abestalhada a 14.04.2015 às 09:28

Adorava conseguir escrever assim!!
Muito bom :)
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De Gaffe a 14.04.2015 às 11:21

Tem dias.
:)
Obrigada.
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De Maria Araújo a 14.04.2015 às 22:47


A sua escrita percorre a minha alma e o meu corpo.
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De Gaffe a 15.04.2015 às 09:30

:)
Cuidado com os precipícios...

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