Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe blasfema

rabiscado pela Gaffe, em 07.02.17

1.jpg

 

Ao contrário do apartamento da minha irmã, isento de qualquer tipo de memória, aqui todos os objectos são seleccionados pela carga emocional que transportam.
Gosto especialmente da cigarreira antiga de prata com um medalhão romântico na tampa onde deveria estar gravado o monograma do dono.
É um objecto lindíssimo, pousado na mesa, sozinho.
Quando o toquei pela primeira vez senti o sobressalto da minha irmã, mas não o entendi.
- Pousa-a.
Não pousei.
A minha irmã levantou-se, abriu uma gaveta e cravou-me nos olhos uma fotografia envelhecida.
Na mão direita do homem fotografado brilhava a cigarreira de prata antiga com um medalhão romântico na tampa.
Então entendi que naquela caixa sem monograma e sem dono agora, a morte também tinha deixado as impressões.

 

As casas também guardam os seus intocáveis e há objectos que quando ficam sem dono se tornam os donos da gente que fica. 

 photo man_zps989a72a6.png

Gavetas:


2 rabiscos

Imagem de perfil

De Cecília a 07.02.2017 às 14:24

nunca pensei olhar para uma foto e racionalizar " fantasmagórico" e " rené magritte" na mesma frase.

as casas devem ser decoradas com partes de nós. só assim nos abraçam e abraçamos quando nelas entramos. mas chega a ser terrível o ruído das ausências que certos objetos emitem.

Imagem de perfil

De Gaffe a 07.02.2017 às 15:19

Ou o barulho imenso do silêncio que produzem.

Comentar:

Mais

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.





  Pesquisar no Blog

Gui