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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe boémia (Que c'est triste Paris)

rabiscado pela Gaffe, em 01.10.18

Hans Silvester.jpg 

O Inverno chegou mais cedo a Paris.

 

Morreu Aznavour.

 

Foram tantas as vezes que lhe procurei a voz para me fazer acompanhar nas tristezas mais dolentes. Tantas vezes lhe dancei na alegria. Tantas vezes o identifiquei com Paris, com as suas ruas friorentas de mansarda, com as janelas ternurentas de porteiras, com os amantes quase venezianos a chorar o fim das histórias que riscaram. Tantas vezes achei o meu lugar de memória na memória cantada desta cidade quase sempre entardecida. Tantas vezes o ouvi até saber do amanhecer da melancolia.

 

Chegou o Inverno à mansarda de Paris.

Chega sempre cedo o Inverno - num de repente -, quando o que o que finda nos dizia uma árvore de Outono que nos parecia eterno.

 

Existe algures - e no amanhã também -, numa rua estreita e escurecida, num bar sumiço, sentado a um balcão encanecido, alguém que nas cores do Outono sabe de cor todas as canções de Aznavour.

 

Talvez por isso o Inverno tenha chegado hoje de repente.

 

Foto - Hans Silvester

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6 rabiscos

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De Maria Araújo a 01.10.2018 às 15:55

Bela homenagem.
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De Gaffe a 01.10.2018 às 16:18

Tão triste.
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De Corvo a 01.10.2018 às 20:37

É verdade, morreu.
Conheci Paris antes de alguma vez o visitar, quando a sua voz me fez sonhar.
Deixa muita pena e infinita saudade, mas é assim.
Paz à sua alma e que o Céu o acolha e guarde.
Sinto-me triste: muito triste.
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De Gaffe a 01.10.2018 às 23:07

Ouvi-o e vi-o duas vezes em Paris. Era soberbo. Um carisma imenso.
É soberbo.
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De Pequeno caso sério a 01.10.2018 às 22:01

Acredites ou não, assim que li a notícia lembrei-me de ti.
Como tão bem sabes, os génios não morrem . Deixamos de os ver mas nunca de os sentir. E é esse o maravilhoso poder da música e dos génios que a fazem.
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De Gaffe a 01.10.2018 às 23:05

Ouvi-o toda a tarde. Jamais o deixarei de ouvir.
Apaixonante. Faz parte da banda sonora da minha vida.
Adoro-o. Adoro-o realmente. Creio que é um dos raros talentos e das raras figuras externas a mim que me despertam tamanho amor.

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