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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe cacarecada

rabiscado pela Gaffe, em 31.07.15

cacarecos.jpg

Estes são os chamados cacarecos.

 

Encontram-se em qualquer feira de artesanato, mesmo ao lado da banquinha das bugigangas de arame e contas de plástico e em frente da que vende garrafas vazias com coisas de cortiça dentro, tudo vendido por pessoas muito simpáticas, com vestidos de padrões tribais, frescos, amplos e a arrastar, rastas por todo o lado, restos do que fumam no biberão do puto e batuques à disposição.

 

Entre os quinze e os vinte anos achamos aquilo giríssimo e compramos um ou dois exemplares, mas nessas idades também fazemos topless sem primeiro ensaiarmos ao espelho.

A partir dos vinte, passamos a desejar ter nascido em 1755, mesmo que isso nos dê uma certa idade, para que o terramoto escaque aquelas tralhas.

Aos trinta decidimos fazer um desvio descomunal só para não nos cruzarmos em Bragança com os mesmíssimos artesãos que nos impingiram os mesmíssimos cacarecos em Faro, na nossa desprevenida mocidade.

 

São coisas feias, os cacarecos.

Não são práticos, normalmente estão tortos, desengonçados, desequilibram-se, por muito que façamos não encaixam em lado nenhum e tudo o que se coloca dentro fica a saber a barro.  

 

Os de William Martin, da Inglesa Martin & Co., por muito que se tenham internacionalizado e adaptado às exigências dos mercados actuais, não escapam ao habitual. Uma rapariga esperta procura de imediato as portas de emergência quando ao longe esta ameaça artesanal é vislumbrada.

 

No entanto, a Gaffe gostava imenso que as meninas conhecessem este oleiro. 

 

William Martin por Phillip Prokopiou.jpg

Minhas queridas, os cacarecos já não parecem tão medonhos, pois não?

Já nos apetece reavaliar a estética da coisa, não é?

Já não nos importamos de bisbilhotar todos os cacarecos do rapaz numa barraquinha qualquer, mesmo maltrapilha e toda tribal.

Já não nos incomoda meter a mão neste barro e aprender a modelar qualquer coisita, com a nossa perninha a dar a dar.

O equilíbrio passa a ser última das nossas preocupações, porque a queda está muito bem amparada.

 

Esta nossa descarada inversão de marcha, meninas, prova que por muito espertas que sejamos, normalmente acabamos enganadas por todos os cacarecos que a vida nos mostra se o dono deles for um BOM oleiro.

 photo man_zps989a72a6.png


6 rabiscos

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De Maria Araújo a 31.07.2015 às 11:08

Sem dúvida, Gaffe.
Mas atenção que há barbas que não convencem.
Um corpo que não excessivamente musculado, uns olhos que prendam, uma boca que seduza, uma voz que encante.
Escrito com estilo, gosto dos seus posts.
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De Gaffe a 31.07.2015 às 11:17

É curioso não ter referido a capacidade de persuasão que tem o produto que o dono desse corpo e dessa barba convincente quer vender.

;)

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