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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe com Cristas

rabiscado pela Gaffe, em 18.01.17

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A Gaffe está zangadíssima com António Costa.

 

Embora com relativa alegria o tenha visto de turbante e pachemina e confirmado o seu sentido de humor, não pode deixar de o repreender quando vê este maroto a apontar sorrisos a Assunção Cristas.

 

Toda a gente reconhece que esta rapariga é de boas famílias e as boas famílias não precisam de se preparar para debates com homens aborrecidos, lidos, experientes, manhosos, entediantes e velhos, alguns provenientes de perdidas - por sabe Deus que gente - colónias e que se atrevem a tocar no Chanel de uma menina de raiz exclusivamente portuguesa com imensos rebentos fofos, que tão bem iniciou a tutela do Ministério do Mar abolindo por Despacho as gravatonas cinzentas dos seus funcionários. Lufadas de ar fresco, marítimo, na penugem peitoral dos subordinados.

A Gaffe aplaudiu naquela altura e continua de mãos abertas à espera que Cristas denuncie a postura de segurança de discoteca das irmãs Mortágua que ainda não entenderam que o cenário é mais o de casa de alterne e que a descontracção - mesmo controlada por um senhor estranho, mas muito bem-parecido -, nos conduz sempre às posições repletas de piada de Passos Coelho que decidiu entretanto iniciar uma carreira na difícil área da stand-up comedy.

 

Uma rapariga não pode - quando pipila na sua maviosa pedalada de bicicleta com cestinho à frente preenchido por miosótis -, ser abalroada por um catrapillar em contramão, mesmo quando se esqueceu de ler o livrinho que ensina que o guiador normalmente está à frente do aparelho.

 

A pobre menina não consegue mostrar os desenhos que lhe fizeram em papel couché; não pode abanar as pulseiras de berloques e de guizos Cartier que exigem que o governo se lembre das Berlengas da dívida soberana e súbdita e tudo ao mesmo tempo; não lhe é permitido ficar com beicinho irritado e peitinho a tremer quando reivindica os irrisórios triunfos de uma geringonça que a retirou do seu Austin mini; não arranja modo de poisar uma boina na visita à feira - não toldando a leveza do abanar madeixa -, sem que um cigano lhe tolha a passada de tacão na média; não encontra uma forma de passar o brilho das suas intervenções de acutilante teor e arrasador efeito, sem ser esbardalhada por um brutamontes que lhe sorri como o gato de Alice.

 

A Gaffe não se espanta com a animosidade Jerónimo de Sousa, porque do senhor já se espera o destempero e a aversão a jóias Pandora, mas  está zangadíssima com António Costa, um cavalheiro que devia saber que custam caro se não forem uma versão em bico, e daqui lhe recorda que uma rapariga tem todo o direito de dar uns saltinhos na bancada, sem ver destruído por uma bruta bola de demolição o banquinho onde pousa o rabo.

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9 rabiscos

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De Cuca, a Pirata a 18.01.2017 às 18:59

Eu venho aqui apresentar uma reclamação contra a reincidência do uso dessa coisa horrível, horrível, horrível, que é a palavra esbardalhada. É que no meio da sua prosa magnífica é mais ou menos como uma pessoa estar de alma aberta a comer cerejas e de repente engolir uma com lagartos! O pobre cliente até se engasga, caramba!
Bem sei que não tem de aturar isto, mas eu sou das lutam por um mundo perfeito.
:)
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De Gaffe a 18.01.2017 às 19:05

Eu gosto tanto da palavra "esbardalhar"! Admito que a uso em demasia. Vou tentar encontrar equivalente , mas sem bicho.
:)
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De Maria Araújo a 18.01.2017 às 21:11

À Gaffe, nada passa ao lado.
A imagem está brilhante.
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De Gaffe a 19.01.2017 às 00:00

Faz parte de uma colecção extraordinária de espantalhos. Tive alguma dificuldade em escolher o meu favorito.
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De Rapunzel a 19.01.2017 às 11:15

Eu adoro a palavra "esbardalhar"!
Acho que com esta simples palavra conseguimos construir um cenário bem ilustrativo do que descrevemos. Não acho deselegante. No entanto, há palavras que algumas pessoas usam, com alguma frequência, que me arrepiam e me fazem pensar que estou numa taberna ou caserna. Passo a exemplificar: enrascado, à rasca ou desenrascar... Fico à beira de um episódio convulsivo...
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De Gaffe a 19.01.2017 às 11:24

Ah!
Algumas nem sequer consigo pensar nelas.
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De Maria Araújo a 19.01.2017 às 16:43

Sério?!
Nunca pensei verdadeiramente nisso: taberna ou caserna. Mas não está mal visto, não. É o "r" de rasca?
O esbardalhar, acho gira, porque me faz rir. Palavra que conhecia mas não usava.
Acho que vou usando, agora, porque o esbardalhar da Gaffe é tão elegante que me seduziu a utilizá-la mais vezes.
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De Gaffe a 19.01.2017 às 18:00

Creio que o problema está na "imagem" que a palavra produz. A verdade é que não é muito sedutora.
:)
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De Maria Araújo a 19.01.2017 às 21:45


Não é sedutora mas faz rir.

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