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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe com gatos

rabiscado pela Gaffe, em 17.09.15

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É tão aborrecida a facilidade com que os meios de comunicação social manipulam as opiniões de gente de bem que a Gaffe decidiu beliscar este assunto.

 

Todos estão recordados da fotografia comovente de uma rapariga que no meio dos escombros da Faixa de Gaza tentava salvar livros. As redes social encharcaram-se de lágrimas e a imagem roçou o icónico. O mundo foi abalado pelo tocante heroísmo daquela adolescente que no centro do inferno procurava a redenção.

Ninguém provou à Gaffe que a miúda não estava apenas a procurar um papel que substituísse o higiénico que naquela confusão é natural que se perca.

 

Similar acontece com a foto do sírio que nos chega com um gato dos confins do terror.

Subitamente, assistimos a uma inversão de marcha da opinião que dele muita gente fazia. O refugiado passa a ser uma criatura em busca do sonho, em demanda de uma vida, a negação do terror, o panegírico da vontade e da coragem com raiz na mais profunda dignidade humana, o que, despojado e esmagado, não perde a capacidade de amar os mais pequenos, os mais indefesos, os mais inocentes e que, num acto de esplendorosa humanidade, salva o seu bichano. Tudo a contrastar com o que aqui se vê. Há gente que vai de férias para a Caparica e faz um desvio por Coimbra para atirar o gato ao Mondego.  

 

A Gaffe lembra a todos os que subitamente alteraram a sua opinião em relação aos refugiados após publicação da foto, o punhado de razões que embandeiravam e que sustentavam os seus juízos anteriores.

 

Meus caros, há absoluta necessidade de sermos coerentes.

 

Também cá temos gatos sem-abrigo. Gatos que sofrem imenso em gatis abjectos. Gatos abandonados. Gatos mutilados - ninguém referem o suplício do gato a quem cortam os berloques como se fossem os dos sapatos do tio. Gatos vadios. Gatos à chuva e ao frio. Gatos esfomeados. Gatos subnutridos. Gatos espancados. Gatos assassinados. Gatos violados – há gente para tudo. Gatos portugueses na miséria enquanto se bajulam gatos persas e siameses. Gatos sem amor e até gatas em telhado de zinco quente.   

 

Não podemos toldar com a nossa natural sensibilidade e com o nosso sempre activo espírito de luz, a necessária objectividade com que olhamos o Zaytouna. Apesar do nome do pequeno felino nos invocar heranças linguísticas, é imprescindível ter presente a saga dos nossos reis que se viram gregos para varrer os árabes dos nossos territórios.

 

Fica, à laia de suplemento ou achega, um apelo a Nuno Crato. Urge fazer regressar ao programa de História as nobres facetas e os heróicos actos do povo português.

 

Tal como no caso da rapariga de Gaza, que carece de mais cuidado esmiuçar, não podemos de imediato concluir que o Azeitona foi salvo porque o amor se sobrepõe à maior desumanidade, até porque não conhecemos os hábitos gastronómicos desta gente.  

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12 rabiscos

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De Me, myself and I a 17.09.2015 às 12:28

Muito bem explanado, como é seu apanágio!
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De Gaffe a 17.09.2015 às 12:31

Ligeiramente felino.
:)

Obrigada.
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De Uva Passa a 17.09.2015 às 13:17

Eles não sabem nem sonham... que o gato é para comer...

Não resisti ;)))) e afinal era uma bela notícia se dessem conta que o homem afinal alambazou o gato.
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De Gaffe a 17.09.2015 às 14:17

Oh!

Não é bonito de dizer!
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De Mula a 17.09.2015 às 13:34

Quantas histórias destas não serão, efectivamente, inventadas, para nos fazerem lavagem cerebral... A verdade só a Deus pertence, a quem acreditar, porque até esse deve ter sido inventado.
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De Gaffe a 17.09.2015 às 14:17

Antes a invenção de um gato que a realidade de um camelo.
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De eduardo a 17.09.2015 às 14:11

a gatinha que mia mostra as garras
apenas se esqueceu de um pormenor muito importante
a saga do gato fedorento
a história de uma dinastia despojada que subiu subiu subiu a pulso patrocinado pela multinacional mais emblemática desde husse husse numa epopeia criteriosa dizem eles que discursa contornos muito seos
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De Gaffe a 17.09.2015 às 14:16

Nunca foi grande apreciadora desses miados, mas a verdade é que os tenho ouvido pouco.
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De Maria Araújo a 17.09.2015 às 19:13

Eu vi a imagem do homem do gato.
Eu gostei do que vi.
Eu não li nem ouvi nada sobre o gato e o homem do gato.
Eu vejo um rapagão charmoso e comento com o meu decote "ai, que gato!"
Eu detesto gatos persas.
Eu tenho uma gata.
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De Gaffe a 17.09.2015 às 19:15

Digamos que tem um decote muito assanhado...

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