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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe com uma história pequenina

rabiscado pela Gaffe, em 09.04.19

Corremos à procura das nossas histórias e esperamos que a maioria nos deslumbre como brilho das estrelas. Narramos os nossos mais pequenos acontecimentos com uma grandiloquência patega e, ufanos, respiramos fundo quando conseguimos, finalmente, fazer cintilar um pedacinho arrancado à ilusão de termos um diadema de brilhos imperiais a encimar-nos.

No entanto, as nossas histórias mais perfeitas são normalmente frágeis, pequeninas, fáceis de encontrar, fáceis de contar e fáceis de esquecer.

 

Encontrei algures uma destas preciosidades. Não há referência ao autor. Reproduzo-a, traduzindo do inglês todas as legendas, sem qualquer interferência minha e sem macular com minha saracoteante e retorcida escrita o que é cristalino, límpido, e de uma pureza apenas visível no que há de essencial.

 

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Numa noite de temporal a minha namorada viu o que pensávamos ser um pardal morto na nossa varanda. Mal respirava, coberto de formigas e completamente cego.

 

Abrigamo-lo dentro de uma caixa. Depois de passar uma noite no nosso quarto, acordou-nos com um piar agudo.Tentamos alimentá-lo, mas sem sorte. Aproximamo-lo da nossa varanda. Continuou a piar sem parar, durante três horas.

 

Finalmente, o pai veio ao encontro deste piar e começou a alimentar o pobrezinho. Trazia-lhe insectos e pão a cada 10-15 minutos durante todo o dia, durante duas semanas seguidas.

 

O pardal estava a ficar maior a cada dia, mas ainda estava cego. Chamamos um veterinário que experimentou um colírio simples. Funcionou como por encanto! O pardalito até se começou a esconder de nós atrás das flores. O pai começou então a mostrar-lhe como voar pela janela.

 

Um dia acabou por sair. Sabíamos que esse dia chegaria eventualmente. Ficamos realmente preocupados porque naquela mesma noite, e nos dias que se seguiram, houve tempestade. No entanto, três dias depois, o pardal voltou e adormeceu num dos nossos vasos, ao abrigo das flores.

 

Brilha tanto, não brilha?!

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44 rabiscos

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De Gaffe a 09.04.2019 às 16:05

:)
É uma história tão bonita e tão extraordinariamente pequenina - é só um pardal! -, não é?
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De Pequeno caso sério a 09.04.2019 às 17:21

Não. Não é só um pardal.
É sobre a bondade pura .
É sobre o caminho da vida, tal como ela deve ser.
É sobre o querer tanto que se deixa ir.
É sobre a certeza que um dia, seja ele a que distância for, o "pardal", depois de ter conhecido o mundo, saberá voltar.

Esta história é o resumo daquilo que todos dizem saber o que é mas que muito poucos tiveram o privilégio de SENTIR.
Fico muito honrada por ter sido uma das eleitas.

; )*

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De Gaffe a 09.04.2019 às 19:32

E eu honrada por teres descodificado o que afirmei ser simples.
... E é tão simples!
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De imsilva a 09.04.2019 às 15:56

Não estou nas melhores condições para este tipo de histórias, mas obrigada por partilhares esta.
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De Gaffe a 09.04.2019 às 15:58

É uma história tão pequenina!
Não são necessárias grandes condições para a ouvir.
:)
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De imsilva a 09.04.2019 às 16:20

Condições emocionais, estou especialmente sensível, daí que as histórias como a tua tocam- me com mais força.
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De Gaffe a 09.04.2019 às 16:37

Mas são bonitas.
Deviam animar e fazer com que se acredite em alguma coisa, finalmente.
:)*
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De imsilva a 09.04.2019 às 16:43

São lindas, precisamente por isso, dão vontade de chorar!
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De Gaffe a 09.04.2019 às 16:46

Mas deviam fazer sorrir.
:)

Um esforço ... ... ... e já está!
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De Luísa de Sousa a 09.04.2019 às 16:38

Que história linda e tão simples!!! Adorei Gaffinha!
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De Gaffe a 09.04.2019 às 16:45

Temos de agradecer aos responsáveis.
:)
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De Genny a 09.04.2019 às 17:21

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De Gaffe a 09.04.2019 às 19:34

:)
Pois é.
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De Rui Pereira a 09.04.2019 às 18:02

É uma bela história, sim senhora!
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De Gaffe a 09.04.2019 às 19:31

O que prova que a realidade é passível de deslumbramento.
:)*
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De Fleuma a 09.04.2019 às 18:14

Acredito sinceramente na ideia de respiração universal. Nada tem de filosófico ou complicado mas creio que somos feitos de pó de estrela, como acreditava Carl Sagan. Apenas uma estranha noção de comunhão com algo gigantesco.

Por isso certos brilhos e certas fragilidades, por mais pequenas que sejam, servem na perfeição para justificar esse respirar; como nestas palavras escritas. E esta estranha sensação de estar a respirar algo que não é meu.


Esqueça a palavra cintilar, por favor. O brilho é demasiado para uma palavra tão pequena.


Abraço.

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De Gaffe a 09.04.2019 às 19:30

Nada é capaz de justificar tanto o respirar das estrelas como esta Simplicidade.

Um beijo.
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De Quarentona a 09.04.2019 às 18:27

É a simplicidade de histórias como esta que me faz sempre acreditar que nem tudo é feio e perdido neste mundo :))))
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De Gaffe a 09.04.2019 às 19:28

Esta simplicidade contradiz o que de mais obscuro existe.
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De Maria Araújo a 09.04.2019 às 22:59

Só comento que estes seres vivos não pensantes dão-nos belíssimas lições de vida.
A simplicidade brilha em qualquer lado.
Obrigada pela história.

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De Gaffe a 09.04.2019 às 23:08

Desta vez os pensantes também não estiveram nada mal.
:)
A história não é minha. Temos de agradecer aos autores desta pequena maravilha.
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De Pedro Vorph a 09.04.2019 às 23:10

Lindo...
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De Gaffe a 10.04.2019 às 13:49

Eu também achei que sim.
:)
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De Corvo a 10.04.2019 às 11:59

É sim uma maravilha, mas não pequena.
Todo o sentido de vida é-nos dado por esses seres ditos não inteligentes.
Na nossa casa, a cadela Zoé pariu dois cachorrinhos e morreu com os restantes dentro dela.
No outro dia a porca pariu quatro leitões.
O meu pai colocou os cachorrinhos junto aos porquinhos, e a mamã porca acolheu-os, alimentou-os e criou-os.
Portanto nessa belíssima história descrita nada me admira. Surpreende-me apenas os autores da história terem distinguido ser o pai e não a mãe a preocupar-se com a sobrevivência da desvalida avezita.
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De Gaffe a 10.04.2019 às 13:49

Suponho que é porque são os papás pardais que se encarregam desta tarefa.
Não sei. Traduzi exactamente como encontrei.
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De Corvo a 10.04.2019 às 14:08

A menina traduziu bem, nem se discute.
Eles é que traduziram mal o género.
Afigura-se-me que o papá pardal estivesse mais afadigado a cativar umas pardalitas do que propriamente apoquentado com a fome esganada da cria. :)
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De Gaffe a 10.04.2019 às 15:37

Olhe que não é invulgar serem os machos que tratam da "lida da casa".
As leoas, por exemplo, caçam enquanto o leão ... dorme.
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De Corvo a 10.04.2019 às 15:54

Sim, é verdade: enquanto lá habitam.
E mesmo assim só até a uma determinada altura.
Todo o bicho macho só se preocupa com a prole até a primeira boazona se vislumbrar.
A partir daí é tarefa de toda a bichinha fêmea.

E o leão não dorme. Fiscaliza a caçada não vá aquelas inúteis darem cabo do arranjinho.
:)
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De Gaffe a 10.04.2019 às 21:57

Creio que exagera, mas apetece-me concordar.
;)

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