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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe conventual

rabiscado pela Gaffe, em 23.10.18

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No epicentro de uma das discussões actuais, para além de várias inutilidades, surge aquela que parece ter origem nos códigos de vestuário que - diz-me um amigo -, foram dissecados por Barthes.

 

É maçador debruçarmo-nos aqui sobre os ditos do pensador, até porque a Gaffe não está a usar soutien e depressa se distrairia. Vale, no entanto, ser considerada bagatela digna de anotação registarmos a verdade na santa expressão O hábito não faz o monge.

 

A Gaffe, na sua azáfama empacotada, descobre que uma imensa percentagem do seu guarda-roupa provém de Teresa Martins. A Gaffe perde-se com as texturas, com os pesos diversos e cortes assimétricos, endoidece com as sobreposições, enlouquece com os padrões, desvaira com as cores e com os acessórios, perde o juízo com os volumes e treslouca com a capacidade de contrair e descontrai, construir e desconstruir arquitecturas susceptíveis de uso quotidiano, pessoal e único.

 

A Gaffe, dobrando as saias e vestidos e casacos e tudo o mais que não se diz por ser exagerado, vai anotando a descoberta. Teresa Martins desenha personagens absolutamente ímpares no que diz respeito à capacidade de fomentar imagens de descontracção, conforto, liberdade, dinamismo, subtiliza e um respeito irrepreensível pela feminilidade.

 

A Gaffe vai reconhecendo que o facto de a considerarem muito livre, muito dinâmica, muito cool, muito descontraída, muito acessível, muito solta, muito dada, muito urbana, muito familiar, muito portuguesa, muito calorosa, muito emocional e muito emotiva, se deve muitíssimo ao hábito que esta autêntica freira vai usando.

 

Um erro de apreciação.

 

Meus caros, a Gaffe é fã de Teresa Martins, mas convém ter em conta que até nos conventos e mosteiros há gente habitada por Cavaco Silva, às Quintas-feiras e nos outros dias.         

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Gavetas:


10 rabiscos

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De Quarentona a 23.10.2018 às 15:27

Gosto! Muito! Tem imensas influências éticas, vi por lá referências a culturas do Leste Europeu e da América Central, adoro, era capaz de usar muitas das suas peças :))))
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De Gaffe a 23.10.2018 às 15:42

Tem influência étnicas, eu sei ...eu sei ...
;))))
(Adorei apanhar-te no meio da confusão!)

Teresa Martins é um espanto. A fortuna que me faz entregar vale todinha a pena que me faz deixar de a ter. O meu reino pela colecção toda da senhora!!!
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De Quarentona a 23.10.2018 às 15:55

Já viste a falta que um "éne" faz nesta vida?! :D

(Tivesse eu liquidez para isso... tenho que me contentar com a minha capacidade de improvisação e encontrar belezas idênticas noutras marcas mais "democráticas" :P)
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De Gaffe a 23.10.2018 às 16:20

Verdade. Faz "éne" falta.

Verdade. É cara como se não houvesse amanhã e não fosse preciso almoçar e jantar. Também é cara como o crl - como diz uma amiga minha.

(Uma saia linda, maravilhosa, de morrer de paixão, inspirada nas varinas - ou nas peixeiras, que dessas coisas não entendo -, comprida, de pregas largas, de linho e seda, com um peixe bordado à frente, e uma linha de pesca num fio prateado, custa-nos os olhos da cara e o couro e o cabelo - em saldo. Morremos logo ali, de paragem cardíaca.)

Maldita.

(Quero que o meu vestido de noiva - se e quando for caso disso - seja criado por ela. Que paguem os padrinhos, faz favor. Não lhes digas, porque ninguém sabe... )
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De Maria Araújo a 23.10.2018 às 23:22

Quero ver esse vestido de noiva, ok, TM.
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De Gaffe a 24.10.2018 às 00:08

:)))
E posso desenhar os meus próprios bordados!!! Posso personalizar o vestido com elementos que só a mim dizem respeito!

Há sobreposições lindíssimas e adereços belíssimos nas noivas TM.
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De Pequeno caso sério a 23.10.2018 às 23:10

Apesar de não fazer muito o meu estilo reconheço a originalidade da estilista.
Ainda que mal comparado (a começar pelo preço ) achei ali algumas (breves) semelhanças com a marca "Desigual ". Estarei a alucinar?

: /
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De Gaffe a 24.10.2018 às 00:16

Estás a alucinar, meu amor.
Tu tem calma. É a.mesma coisa que teres um Ralph Lauren e achares que é parecido com o Anselmo Ralph.
;)
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De naomedeemouvidos a 24.10.2018 às 09:33

Como devo ser a mulher que menos percebe de roupa à face da Terra (ando limpinha e arrumadinha, atenção, mas sempre no equivalente - já que falamos de monges- a uma espécie de modo missionário dos trapos...), remeto para a magnífica fotografia que ilustra o texto, que vai (como habitualmente) para além da roupa.
Quintas feiras são óptimas para memórias e outros dias também. Já as memórias, algumas, o melhor seria em dia nenhum...
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De Gaffe a 24.10.2018 às 10:34

A memória dos verdadeiros monges não parece dar relevância às Quintas-feiras. Todos os dias são memoráveis.

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