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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe coreografada

rabiscado pela Gaffe, em 30.07.14

Dimitris Papaioannou é um dos meus coreógrafos preferidos e esta é uma peça comovente.

 

Há comoções que surgem do encontro com a perfeição, com a beleza. Aquela que é composta, parecendo simples, criando um sentimento de perda ao ser vislumbrada, ou com a fragilidade do encontro com a consciência da mortalidade.

Parece ser o caso.

 

É sobretudo uma obra de antíteses e talvez por isso se torne tão comovedoramente convincente e despojada. A antítese está na origem do equilíbrio. Neutraliza.

 

Tudo aqui tende a compensar-se com o seu contrário:

 

Encontro/desencontro;

Ganho/perda;

Hesitação/certeza;

Distância/proximidade;

Desejo/aversão;

Sintonia/desarmonia;

Ternura/desapego;

Complementaridade/impenetrabilidade;

Cumplicidade/despreendimento;

(…)

 

Existe na peça uma espécie de núpcias em que o reconhecimento reflexivo e reflectido de mim num outro é utilizado para sossegar a fatalidade final de uma condenação solitária.

 

É bem melhor estar calada. Ficar quieta e deslumbrada a reconhecer que, exactamente como nesta peça, quem ama apenas se reconhece nos espelhos que não reflectem, porque estão vazios de tempo e de morte.

 

Pasmemos:

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