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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe da gaja do Norte

rabiscado pela Gaffe, em 13.03.15

walter baumhofer.jpgÉ impressionante ver a quantidade de gente que se empolga e se descabela tantas vezes de uma forma patética com os mais pequenos acontecimentos ocorridos no universo dos blogs!

A Gaffe deu por si a apreciar a avalanche de tolices que foram escritas acerca de um artigo que faz a apologia de determinado tipo de mulheres circunscrito a um grupo específico, as gajas do Norte, erguendo-as à categoria de divas ou de deusas passeando pela brisa dos heroísmos utópicos.  

Não é credível que a autora do post o tenha escrito com o intuito de provocar uma catástrofe, tendo em conta que o artigo é mimoso e emite apenas uma opinião de carácter pessoal, limitando-se certamente a falar das experiências vividas pela própria.

Não é de todo justificado o terramoto de comentários e de posts de faca na liga, alguns tenebrosos e insultuosos, que foram surgindo e reduzindo a senhora responsável pelo crime – que não é brilhante - à condição de demente.

Causa um desconforto acrescido verificar que os incitamentos ao linchamento chegam também de criaturas que se horrorizaram perante o massacre dos jornalistas de Charlie Hebdo e choraram lágrimas de sangue, assoando o nariz de valores que mais alto se levantam aos cartazes onde proclamavam ser Charlie.

É evidente que a ameaça de bofetadas e de murros traz colada um manancial de insultos que vão desde os mais simplórios e totós – é uma tia -, até aos mais elaborados que não urge, por indizíveis, exemplificar. Esta vertente mais prosaica não interessa vistoriar, pois que sabemos o quanto é fácil atirar a pedrinha e esconder a mão cibernética.

O que intriga no lixo que foi produzido nos remoques ao artigo de opinião é perceber que alguns dos agressores são exactamente os mesmo que se insurgiram e se desnudaram perante o ataque ao semanário francês, empunhando o slogan que os identificava com os massacrados.

 

A Gaffe não acredita na vacuidade histérica das acções daqueles que condenam os actos que restringem a capacidade, a qualidade e liberdade de expressão, erguendo a bandeira imensa da indignação e da mais sofrida solidariedade com os amordaçados, mas que no aconchego do teclado vão espancando ou promovendo o linchamento dos que não sendo Charlie, vão dizendo coisas.

 

A Gaffe considera que a melhor opção, no meio das balbúrdias, é a de abrir a caixinha do pó (de arroz) e retocar a maquilhagem.   

 

Ilustração - Walter Baumhofer

 photo man_zps989a72a6.png

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12 rabiscos

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De Fatia Mor a 13.03.2015 às 13:45

Vou ali por um rougezito e já volto!
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De Gaffe a 13.03.2015 às 14:28

Ficaste pálida?!
hum... ...
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De Fatia Mor a 13.03.2015 às 23:47

Fico sempre quando coisas destas, sem qualquer impacto nas nossas vidas, geram mais reacções do que coisas realmente importantes! Fico pasma (e pálida) com a capacidade de todos defenderem o direito e a liberdade da expressão, mas esquecerem-se convenientemente disso quando o assunto não lhe agrada, interessa ou não é da concordância. Ai Gaffe... São as gafes da vida!
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De Gaffe a 14.03.2015 às 12:36

São antes as gafes da saúde mental.
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De Pandora a 13.03.2015 às 16:40

Nas redes sociais tudo parece um potencial mote para uma boa pancadaria. Enfim, há gente que deve viver 24h sobre 24h colada a um ecrã. Deve ser o muro das lamentações da era moderna.
Quanto ao artigo, fui das que partilhei o link no meu blog, dando uma espécie de gripo do Ipiranga, neste caso de gaja do norte assumida. E ainda que seja uma opinião generalizada, e hajam gajas em todo o país, também é um facto que a maioria das características apontadas se verificam, em maior número, no norte. E digo-o com conhecimento de causa, nascida e criada no norte, já vivi na capital, costumo passar férias além do Tejo, e conheço bem as diferenças regionais que acabam por se cravar na pele de cada um.
E esta polémica logo ao virar do dia da mulher é top
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De Gaffe a 13.03.2015 às 17:15

Colada ao monitor e pronta a disparar.

Também sou do Norte e também assumo que penso que a maioria das características apontadas são das mulheres do Norte. Diria mesmo, são da gente do Norte.
O problema é ler o que foi escrito como se se tratasse de um insulto à gente do meu país que não é cá de cima. Uma tolice. Depois, a autora insinua no início (pode fazê-lo mal, mas mesmo assim é perceptível) que vai apenas, por ser mais fácil, nomear o grupo de mulheres que acaba por admirar. Chama-lhe "Gajas do Norte", devia chamar-lhe "Maria Palmira" que levava menos nas trombas.

Mas mesmo que não fosse o caso, a senhora tem o direito de exprimir o que sente sem que os que mimam Charlie a esmurrem.

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De Pandora a 13.03.2015 às 17:30

Faz pensar na tão aclamada liberdade de expressão!
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De Gaffe a 13.03.2015 às 18:56

... que só é bonita quando dá na televisão.
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De *Nightwish* a 13.03.2015 às 22:58

A velha máxima do "quem não é por mim é contra mim" é tipicamente... humana. As pessoas simplesmente não sabem respeitar as opiniões alheias e pronto. Como eu costumo dizer "somos todos iguais... mas eu sou mais igual que os outros", ou seja, quando é para ficar bem visto, ai e tal, liberdade de expressão e todos devemos dizer aquilo que nos apetece, mas quando não gostamos, a criatura que abriu a boca é um deus-ma-libre!
Sou do norte (não sou do Porto, que há mais terra "cá por cima"), e revejo-me em grande medida nesse texto, não por ser "gaja do norte", mas por ser uma pessoa do norte - são características (não todas) típicas de todos os que são e/ou habitem há muito tempo nesta região: falamos alto, sem peneiras, com palavrões, desenmerdamo-nos porque não temos outro jeito mesmo como qualquer nortenho. Isso não significa que não hajam pessoas de outras zonas do país com estas características, mas por cá a maior parte das gentes é mesmo assim.
Dei uma vista geral pelos comentários. Não me pareceu nada que não fosse o típico norte vs sul (isto é, puorto vs lisbôa) tipicamente tuga.
****
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De Gaffe a 14.03.2015 às 12:39

Sim.
Concordo contigo.
Mas li posts em que o bofetão na senhora era uma receita muito badalada.
:)
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De Ana Burmester Baptista a 15.03.2015 às 10:31

Li o artigo da Filipa e gostei muito. Os comentários só provam que:
a) há muita gente que não tem mais nada que fazer do que encanzinar a vida dos outros
b) há muita gente que tem inveja de não ter como amiga uma Gaja do Norte
c) há muita gente com demasiado tempo livre nas mãos.
Gaja do Norte, gaja do Sul, cada um tem a sua e que a trate bem.
Beijinhos e parabéns pelo blog, que não conhecia!
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De Gaffe a 15.03.2015 às 16:07

Obrigada!

Penso que não será demais acrescentar uma alínea:
d) há muita gente com valores-girassol.

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