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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe da Marvel

rabiscado pela Gaffe, em 09.09.19

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O Prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, proibiu a venda do livro de BD que apresenta dois heróis da Marvel, Wiccano e Hulkling, jovens rapazes potentes e muito pouco recatados, num abraço fechado num beijo onde é provável que a língua de um esteja a pesquisar o palato do outro.

 

A Gaffe não é a Folha de S. Paulo e não vai apresentar a ilustração proibida, até porque não satisfaz a sua refinadíssima exigência estética, mas, após apurada pesquisa, está apta a revelar que a BD é de 2012 e que os envolvidos no escandaloso e nojento beijo são ambos filhos de mães solteiras. Um é filho da Feiticeira Escarlate, que perdeu o Visão -  pai do seu filho e não um problema oftalmológico -, e o outro é filho da Capitã Marvel, uma senhora que já foi um senhor. Nada de bom se poderia esperar, como se conclui pelos antecedentes.  

 

A imagem proibida é suscetível de atentar contra a #deixemascriançasempaz, muito popular por estas paragens e originar mesmo um belíssimo artigo da autoria de Laurinda Alves, insurgindo-se mais uma vez - e possivelmente torcendo e retorcendo mais Decretos de forma a que pinguem atentados civilizacionais -, contra a degradação humana que permite que dois homens se beijem em público, provavelmente nos WC comuns e sobretudo nos desenhos.  

 

A Gaffe leu, algures no tempo, uma entrevista em que Laurinda Alves declara que quando se dirige a Deus, fá-lo - e não falo, é de bom-tom sublinhar -, sempre em inglês, pois que sente que Deus a ouve e a entende melhor nessa língua.

 

A Gaffe considera que esta afirmação é suicidária. Laurinda Alves deixou de ser credível, pois que toda a gente sabe que Deus é francês - Il n’aime rien, iI est parisien. Não vale a pena ler a senhora se não se nos dirigir na língua de Molière.

 

#deixemascriançasempaz merece a nossa particular atenção, pois que prima pela defesa da moral e dos bons costumes infanto-juvenis que a escumalha demoníaca tenta violentar - qual cardeal a um acólito -, pese embora Crivella, Fátima Bonifácio e Portocarrera - trio maravilha unido nas lutas, em frentes diversas, pelos valores tradicionalíssimos que sempre comandaram o mundo, graças a Deus e à Santa Virgem cosmonauta.

 

A Gaffe não entende como não é visível ao comum dos mortais as consequências, malefícas e devastadoras, destas e de semelhantes imagens de despudorado, ínvio, depravado e desnaturado cariz sexual evidentemente anómalo - que esgotam no momento em são proibidas, mesmo sabendo-se que podem causar desmandos nas orientações sexuais das criancinhas!

É evidente que uma criança que vê um desenho onde dois rapazes se beijam em preparos homossexuais, por muito contrariado que seja pelo senhor pároco ou pela psicóloga, detentora da cura, vai a médio prazo dar na veia - não necessariamente a poética -, ou, - pior! -, desatar a engatar matulões nos WC da Basílica de Fátima.     

 

A Gaffe já deu início a uma petição pública para que seja esfregado e raspado o relevo depositado no Museu ao ar livre de Karnak que representa o rei Senusret I - nos idos 1971/1926 AC - abraçado a Min-Amun - que anda bastante armado ou que ficou muitíssimo contente por ver o faraó.

 

Haja respeito pelas Instituições Sexuais.

Valha-nos Deus.

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7 rabiscos

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De naomedeemouvidos a 09.09.2019 às 14:26

Talvez não seja preciso esfregar e raspar os relevos, que, dito assim e ao ar livre, pode espantar mais que o grito dos super-homens. Se calhar basta com embalar em plástico preto lacrado e do lado de fora avisa-se para o conteúdo. Aliás, se a menina não se põe a pau, salvo-seja, ainda lhe censuram aqui o blogue.
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De Gaffe a 09.09.2019 às 14:52

Bastará o plástico negro para silenciar a depravação. Depois, com um plástico negro "nunca me comprometo".
Concordo.

Censurar-me o blogue?! Sério? Acredito que haja promessas, mas...

UNIDAS VENCEREMOS!!!
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De naomedeemouvidos a 09.09.2019 às 14:55

É que tudo nesta história é tão absurdo que dá dó. Menos o teu post que é fantástico.

Beijos
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De Gaffe a 09.09.2019 às 15:20

O assustador é perceber que histórias parecidas, ou histórias que podem dar o braço a esta, estão em vias de se eternizarem.
O preconceito, que gera todo o tipo de violência, é como que hereditário. Não há à vista alterações desta "genética mental".
Conheço jovens que conseguem arranjar dísticos que identificam pessoas portadoras de deficiência, e que colocam no carro. Conseguem assim estacionar nos locais destinados a portadores de deficiência.
Conheço jovens empresários de sucesso que não pagam subsídio de férias aos empregados, em Julho, porque dizem que as pessoas com esse dinheiro vão passar férias aos Algarves e gastam tudo o que devem usar no regresso às aulas do filhos.

(Conheço gente tem um amigo gay para amostra. Provam que não são homofóbicos com a sacramental: "Eu até tenho um amigo que é!")

Conheço gente que vive considerando estas indignidades, naturais, banais, sem qualquer importância e que tem filhos pequeninos a quem transmitem esta sinistra mesquinhez e doença.

Estas outras violências, permitem e reforçam as que se referem aqui. Estão absolutamente ligadas e são filhas, irmãs e primas umas das outras.
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De naomedeemouvidos a 09.09.2019 às 16:51

Esses exemplos que referes são medonhos.

Uma das coisas que mais me aflige na educação de uma criança - na educação da minha, em concreto - é, precisamente, a tendência para lhes incutirmos todos os nossos preconceitos, mesmo que inconscientemente. Luto com isso todos os dias e procuro nunca me esquecer de o ouvir. Descobri que tenho muito menos respostas do que tinha antes "dele", e o leque parece alargar-se a cada dia que passa.

O clássico do "até tenho um amigo que é" é idêntico ao "não sou racista, mas". E há coisas que fazemos quase sem pensar. No meu caso, tento estar atenta, e ouvi-lo: se eu tiver cometido uma imbecilidade qualquer, mesmo cheia de boas intenções, pertençam ou não ao inferno, vou vê-la plasmada na criança, mais dia, menos dia. É assim (também) que me vou corrigindo, principalmente, naquilo com que ainda não sei lidar muito bem.

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De Gaffe a 09.09.2019 às 18:24

Podia referir centenas se outros exemplos, pequenos "nadas", que conheço e que vão dando continuidade aos mais mesquinhos preconceitos que existem.

O dramático é que, tantas vezes inconscientemente, vamos contaminando o futuro. Perpetua-se este tipo de violência. Fazemos com que seja herdada, sem nos apercebermos do mal que transmitimos.
Espio-me a todo o momento. Vigio-me sem dó e, mesmo assim, sei que cometo pequenos crimes imperdoáveis.
Creio que o importante é sabermos como explicar aos que tutelamos a liberdade que é apanágio da humanidade. Se começarmos por aí, suponho que estamos no caminho certo.
:)*
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De Maria Araújo a 14.09.2019 às 22:09

"... vamos contaminando o futuro."
Temo este futuro, não por mim que estou a caminhar para velha, mas pelos meus sobrinhos netos.
Não há valores que valham nesta sociedade doente.

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