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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe da Porto Editora

rabiscado pela Gaffe, em 17.01.19

Teresa Oaxaca.jpg

 

Vá, sejam educadas, pessoas nervosas do facebook.

Já bastou o alarido que fizeram, bradando pela exclusão e queima da obra, quando deram conta que estava à solta uma frase mais marota de valter hugo mãe que podia ser injectada nos vossos rebentos conspurcando-lhes a inocência.

Agradeçam à censura por vos ter revelado que existe a Ode Triunfal de Álvaro de Campos que por acaso contém os versos:

 

(…) Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas (…)

 

(…) E cujas filhas aos oito anos - e eu acho isto belo e amo-o! –

 Masturbam homens de aspeto decente nos vãos de escada. (…)

 

 

Convém ler o resto. Há o resto. Não se fiquem por aqui, por muito que o desejem.

 

A Porto Editora é tão imaginativa quando decide divulgar a obra de um poeta!

 

Imagem - Teresa Oaxaca

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19 rabiscos

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De Anónimo a 17.01.2019 às 10:20

O Poeta é património imaterial da humanidade e heterónimo.
Por muito que os inquisidores desbravem e os escritórios de advogados estrangulem será sempre impossível enfiar-lhe o dedo onde seja para por prazer castigá-lo.
Será sempre brilhante ele-mesmo inimputável.
Além disso é engenheiro naval por Glasgow atualmente em Lisboa em inatividade.
Sou do tempo de todos os modernismos e outros ismos da Faculdade, não recordo essa parte do texto.
Haveria censura na Avenida de Berna no tempo do Grunge?
Vou ter que verificar o livro que já está do meu lado e em vãos de escada - à antropólogo - meter o nariz onde não sou chamado.
Ho! And you thought you knew us without scratching the surface.
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De Gaffe a 17.01.2019 às 10:36

Creio ser exactamente esse o problema dos "faceboquianos" indignados. A superfície das coisas que de súbito se torna aço e betão, impedindo a permeabilidade das águas do imaterial. 
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De Anónimo a 17.01.2019 às 11:55

Um pouco de luz sobre o assunto...
Depois de consultada a biblioteca cá de casa, o Conselho de Administração deliberou o seguinte:
A edição facsimilada a partir da Revista Orpheu, 1915 (na capa, uma mulher nua, de pé, braços abertos, ladeada por duas velas maiores do que ela, acesas) não sofreu qualquer desvio apresentando-se fiel às suas origens ou seja não rasurada.
A edição da Coleção Poesia - fundada por Luiz de Montalvor, Edições Ática, 1993, apresenta ambos versos censurados.
No primeiro caso omite-se a palavra puta.
No segundo ninguém masturba alguém nesses termos pois existe um tracejado como se o manuscrito perdido e encontrado no baú fosse indecifrável e ilegível.
Convém sublinhar, e sei que a Gaffe o permite, que esta ODE é mais atual do que nunca e o Poeta, via heteronímia ou como lhe dá na gana, pressupõe na sua presença algumas das verdades mais lúcidas que nos escapam ontem, hoje e amanhã.
O que é muito curioso é que haja uma ligeirita censura ao Fanã numa edição com capa de Almada Negreiros - suponho que uma Fénix - e com uma epígrafe traduzida do alemão de um tal Novalis que não consta do meu repertório intelectual.
Diz isto em letra de máquina, tal como está no livro, para nos imiscuirmos um pouco mais e melhor no triunfo:
A POESIA É O AUTÊNTICO REAL ABSOLUTO. ISTO É O CERNE DA MINHA FILOSOFIA. QUANTO MAIS POÉTICO MAIS VERDADEIRO.
Grato pela atenção dispensada.
Com os melhores cumprimentos,
Anónimo
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De Gaffe a 17.01.2019 às 12:16

Tão pesquisador!


Suponho que Álvaro de Campos se embebeda com tanta trepidante azáfama em redor dos seus ditos. 


É uma pena termos sido tão pobrezinhos, tão pequeninos, tão caseirinhos, tão bonitinhos, em relação à obra deste "senhores". É lamentável que o continuemos a ser, mas suponho que é destino português. 


Li algures, a propósito, alguém a aconcelhar a Porto Editora a ridemir-se. Havia muita indignação nesta proposta.   


Ironicamente, achei quase pessoano.   
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De Anónimo a 17.01.2019 às 12:56


Pertence a outro nível, está-se marimbando para os pequenotes.
Será um novo heterónimo descoberto pela Mãe de FP, TRL.
Tão inquieto e muito à superfície eu-mesmo.Certo dia terei lido numa entrevista a um realizador português que dizia que algo que o tinha ajudado a resgatar-se de uma doença grave, não interessa qual mas é considerada maquiavélica por praticamente todas as escolas de pensamento da Medicina, foi a leitura do Livro do Desassossego.
Sabe uma coisa e não estou nadíssima isento de falhas nem de uma multitude de erros - que agora até agradeço - nunca usei tanto o dicionário como quando comecei a escrevinhar blogues.
Por ignorância, por curiosidade, por medo, por coragem.
Anteriormente dizia, por vezes digo coisas com algum bom gosto e sentido, que ninguém precisa de ter qualquer livro em casa, basta que tenha, folheie e se aconselha com um dicionário.
Na mesma linha de raciocínio, sabe mais quem não lê nada do quem só lê jornais.
Extrapolando para 2019...
Não é necessário sequer aflorar a questão da falta de esforço na raiz do pensamento.
Vivemos, julgo, cada vez mais rodeados de todo o tipo de erros de morfologia e sintaxe.
Pessoa é toda uma Teoria da Literatura posta em prática.
Despeço-me com amizade, sou do tempo do TV Rural do Eng. Sousa Veloso - agradecendo o tempo de antena - com um breve excerto do próprio texto que as redes sociais não imaginam nem sabem como interpretar, absorver e desconstruir:
Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!
Hé-la! He-hô! H-o-o-o-o!
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!
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De Gaffe a 17.01.2019 às 13:40


O Livro do Desassossego é uma das minhas obras de eleição. Talvez, se pensar nas outras, seja delas a minha favorita.


Abro a Mensagem. Acabo por perceber que também existe dentro o Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá. Há Mostrengos eternos e omnipresentes. 


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De Maria Araújo a 17.01.2019 às 14:25

Também sou do tempo do tempo do hup-lá, hup-lá.

Quanto à Porto Editora, nem comento, apenas digo que vemos nas televisões e nas redes sociais, coisas muito piores do que os versos de Pessoa e seus heterónimos.
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De Gaffe a 17.01.2019 às 14:39

Não vemos nas redes sociais rigorosamente nada parecido com qualquer verso de Pessoa. 
O que vemos são o verso e o inverso de pessoas. 
:)))
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De Maria Araújo a 17.01.2019 às 16:31

Eu quis dizer que hoje, na TV e nas redes sociais, se vêem imagens e se lêem coisas muito mais chocantes que o que Pessoa escreveu.
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De Gaffe a 17.01.2019 às 20:20

Sim. Eu entendi de imediato.
:)*
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De Pequeno caso sério a 17.01.2019 às 18:10

Há grandes golpes publicitários...mas este não foi um deles.


Mais um não assunto para distrair o povinho do que é essencial. 
Confesso que já me começa a irritar um bocadinho esta vaga de beatice que se propaga como as ervas daninhas.
 
Não gostam de Álvaro de Campos? Olha, leiam antes Bocage  que é mais light.
; )
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De Gaffe a 17.01.2019 às 20:18

Não. Claro que não. 
Foi uma imbecilidade.
É realmente aflitiva esta onde de hipocrisia e de bonitinho se espraia com tanta convicção e mediocridade.


Bocage não é tão. .. suave como pareces fazer com que acreditem ...
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De Pequeno caso sério a 17.01.2019 às 22:48

Eu sei. Precisamente por isso é que o recomendei.
:)))))
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De Gaffe a 18.01.2019 às 11:52

Tu apareces tão ... desbotada!!!
Andas a ler Bocage e gastas-te muito ... 
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De Pequeno caso sério a 18.01.2019 às 17:13

A culpa não é do Bocage, é tua.
Mudaste a caixa de comentários e de vez em quando (sem perceber porquê ) apareço em modo bufa.
;)))))))))
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De Gaffe a 18.01.2019 às 18:14

A sério?!
Vou ver o que se passou. Não te quero ... enevoada.
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De Gaffe a 17.01.2019 às 20:27

A resposta ao teu comentário está mal articulada. Pareço taralhoca, mas espero que tinha dado "p'ros trocos".
;)
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De Pequeno caso sério a 18.01.2019 às 00:08

Minha amiga, 
ainda vem loge, muito longe o dia em que articularás mal qualquer coisa .
; )
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De Gaffe a 18.01.2019 às 11:51

Não é bem assim, mas obrigada.
:)*

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