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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe das duas moedas

rabiscado pela Gaffe, em 22.02.18

 

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Deparamo-nos por vezes com imagens que nos surpreendem, porque acabam por ilustrar uma das partículas de que somos feitas.

Esta é sem dúvida uma delas.

O homem do carro estacionado provavelmente procura desbravar os mistérios femininos com cuidados quase florais e tenta, inútil e sem qualquer sucesso, domar os bichos que somos, enquanto que - sem esforço desmesurado -, o garanhão bruto e tatuado, sem pouso certo e sem nada que se possa rentabilizar, fica fora de nós, aguado e a desejar o objecto que acredita ser o que nos convence.

 

Ouço dizer as más-línguas que o carro que um homem escolhe é o reflexo invertido da sua piloca, que um bólide gigantesco significará, portanto, uma pilita frouxa, quase impotente e humilhantemente pequena.

A não existir um completo erro nesta afirmação. Os homens que se deslocam em carros inimagináveis e quase absurdos de tão poderosos, com preços descomunais, são todos ineptos sexualmente. O carro compensará, desta forma, os exíguos apêndices que trazem entre as pernas.

 

Penso, no entanto, que esta espécie de compensação não se prende com tamanhos ou desempenhos de índole sexual.

A questão é mais oblíqua, mais insidiosa.

Suspeito que a potência do carro se liga normalmente à insegurança do dono, na cama em que é deitado. Quanto maior for a cilindrada e o aparato do popó, mais frágil, inseguro, hesitante, manobrável e irresoluto é quem o compra.

 

Não gosto de carros, mas reconheço que é proveitoso uma rapariga não seleccionar os rapagões sem primeiro conhecer os volantes que controlam. Alguns dos melhores, andam a pé.

 

É tudo uma questão de deslocações financeiras e de mecânica do prazer.  

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