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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Cristina Troufa

rabiscado pela Gaffe, em 21.02.14

Cristina Troufa é uma das minhas paixões desde há algum tempo.

Apaixonei-me pela sua obra vibrante e colorida logo que a encontrei e reconheço-lhe a capacidade de tocar, através da expressividade das suas figuras maioritariamente femininas, os lugares que são comuns a todos e onde todos nos acabamos por encontrar.

Às vezes, atrevo-me a pensar que a autora recolhe alguns vestígios de Paula Rego e de Graça Morais, refazendo-lhes as temáticas e alterando-lhes a paleta, mas Cristina Troufa tem voz própria e a aproximação é abusiva.  

Não sou crítica de Arte, mas sei que a anulação dos traços que perfazem um conjunto, fornecendo-lhe uma leitura ou descodificação imediata ou mesmo subentendida, provoca no observador a atracção que é apanágio do iniciático e que a síntese pode entregar ao imaginário. A ausência propositada do considerado acessório, que é incluída nos espaços que acabam também por ser descritivos, arquitecta conjuntos enigmáticos que apaixonam irremediavelmente o que é confrontado com o desconhecido adivinhado nos fragmentos que foram escolhidos.

Existe em Cristina Troufa, sobretudo nas obras mais recentes, uma espécie de greve na imagem. Um descontínuo, um embargo e uma ausência do inteiro, que acabam por se tornar aproximação às sucessivas e inevitáveis ausências e falhas do real, os seus reflexos pictóricos, uma espécie de greve onde a imagem reivindica a realidade e onde o não visto é substância de suporte a esta reivindicação.

As figuras interrompidas de Cristina Troufa são imagens de ligação com o presente, com a história de cada um, e fazem parte integral e integrante para a construção do total, sendo, sozinhas, já total. Resultam por isso em obras em que o talento permite que sejamos colocados nos nossos próprios labirintos.

 

Imagem - "O Dom" - Cristna Troufa -  acrílico s/tela, 86 x 100 cm, 2012

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