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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Graça

rabiscado pela Gaffe, em 05.06.19

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A Gaffe gosta de Graça.

Não fosse a aliteração demasiado desengraçada, a Gaffe gabaria Graça pela graça que guarda.

A Gaffe gosta do seu cabelo estrouvinhado que permite divagar acerca do modo como Graça saltou da cama, ou de outra qualquer peça de mobiliário, directamente para o Governo.

A Gaffe gosta do desdém absolutamente divinal com que enfrenta os jornalistas e que nos faz esperar que mande uma cuspidela no microfone no fim das suas cirúrgicas e sobranceiras respostas - na presença da superior secura de Graça, qualquer rapariga de boas famílias se sente uma ordinarona do piorio.  

A Gaffe gosta do desprezo enojado com que Graça olha os piquenos tolos que se atrevem a dirigir palavra ao seu vetusto acervo de excelsas e inalcançáveis competências que, pese embora tenham permitido o afastamento pecaminoso e desavergonhadamente imbecil do responsável pelo Museu de Arte Antiga, lhe entregam um ar de mistério insondável, que fica sempre bem quando acompanhado de um sorriso condescendente e paternal.

A Gaffe gosta do ar denso e eivado de partículas de Absoluto que se respira quando Graça nos abençoa com a brisa da sua dada como certa inteligência - pois que é impossível dar prova da existência da dita sendo-se responsável pelo Ministério da Cultura em Portugal.

A Gaffe gosta da estratosfera semântica onde Graça colhe o que Azeredo Lopes nem sequer sonhou poder existir.

 

A Gaffe gosta da tranquilidade incomparável que enleva o povo quando Graça afirma que cerca de duzentas obras de arte que nos pertencem - mais tela, menos tela -, não estão desaparecidas, pois que apenas delas não se conhece o paradeiro.

Abençoado povo que engraça com estas graçolas, porque é dos nus e dos rotos o reino de Tancos.

... Dos tansos. Perdão.                

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4 rabiscos

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De Maria a 13.06.2019 às 10:58

Como sempre brilhante a descrição da graça sem graça que com desdém trata tudo e todos.
Qual rainha sem trono, vai destilando as suas sentenças e certezas.
É nós, quais súbditos adormecidos e enertes vamo-nos deixando enrolar .
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De Gaffe a 13.06.2019 às 11:59

Simpatizava com a Ministra.
Parva que sou, os sisudos inspiram-me um respeito simpático.
Depois, isto. A tola manipulação de uma frase, visando tapar o sol com peneiras, faz descarrilar o comboio do bom-senso.
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De Maria a 13.06.2019 às 14:50

A Graça caiu, para mim, em desgraça na discussão do IVA dos espectáculos, de uma arrogância total.
Passei a ignora-la com o desaparecido e por localizar.
Do elenco governativo só respeito o Dr Centeno, apesar de achar que está a ser excessivo nas cativações pela obsessão com défice. Sem ele, presumo, estávamos a aguardar nova aterragem da troika na Portela.
Os outros, nem os oiço, mudo de canal quando explicam o inexplicável.

Obrigada por ter poupado o meu erro de palmatória ao escrever inertes, não usando o risco vermelho como a minha profesora da primária.
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De Gaffe a 13.06.2019 às 14:56

O problema é que se ignoramos as graçolas destas Graças, acabamos a viver no meio delas, sem questionar o que quer que seja.

(Entendi o deslize como a gralha que era.)

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