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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Jacinto Lucas Pires

rabiscado pela Gaffe, em 23.06.15

JLP.jpgDepois de ouvirmos João Tordo a informar que estará em breve no Contentor treuze começamos a perguntar se a novíssima literatura portuguesa está ou não bem servida. Neste caso a dúvida tem proporções ínfimas se comparada com a que nos assalta quando todas as Sextas-feiras, às 09.20, na TSF, Jacinto Lucas Pires nos brinda com a rubrica Canções Crónicas.

 

A primeira reacção ao ouvir o rapaz chega a ser pacata. Atribuímos-lhe o benefício da dúvida e supomos que Jacinto Lucas Pires quer apenas satirizar determinado tipo de imbecilidade cruzada com anseios intervencionistas. A sátira é medíocre e de mau gosto, mas há dias em que adoecemos e nada nos sai bem.

A situação agrava-se quando descobrimos que o jovem talento repete o esquema em todas as suas interferências, musicando e cantando um chorrilho de rimas rasas, rentes e paupérrimas.

 

Jacinto Lucas Pires não canta. Grasna como um pato tímido. Fá-lo pior do que eu que abandonei os duches musicais que faziam com que a minha avó batesse à porta a perguntar preocupada se me sentia bem. Jacinto Lucas Pires toca guitarra como um adolescente que arranha as cordas num retiro de escuteiros. Jacinto Lucas Pires compõe como se tivesse uma galinha dentro a debicar colcheias numa pauta rasgada. Jacinto Lucas Pires escreve o que coaxa com a qualidade de um versejador de aldeia de que vai forçando a rima escolhendo o que de mais óbvio e fácil tem na boca.

 

As Canções Crónicas sucedem-se lastimáveis, aumentando a nossa vergonha alheia e a nossa perplexidade perante a total ausência de qualidade e acabando a provocar uma irritação incontida ao apercebermo-nos que Jacinto Lucas Pires, mantendo aquela miséria, não entende que descredibiliza por completo todo o seu trabalho passado e futuro. Depois de ouvir aquilo ninguém mais conseguirá respeitar o autor.

É demasiado mau. É constrangedor e patético.

 

Sobram duas perguntas no campa rasa que sobra de cada intervenção do jovem talento premiado:

 

- Será que Jacinto Lucas Pires não tem um único amigo que lhe diga que é bem melhor bater com um gato morto nas costas até que o pobre mie do que aquela radiofónica humilhação?

 

- Como é possível a TSF pagar a alguém para desconsiderar desta forma os seus ouvintes?

 

Tendo em conta que mais vale uma previsível mediocridade a um choque anafilático, é caso para desatarmos a gritar:

Volta Zé Cabra, que estás perdoado!

 

Nota – O presente rabisco não dispensa a audição das peças.    

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1 rabisco

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De eduardo a 23.06.2015 às 23:41

olá noite da má língua,
a novíssima está bem servida segundo ouvi dizer, da literatura portuguesa pouco ou nada se sabe.
acabei por seguir o link e ouvir durante 45 segundos o libretto e se já tinha pensado dizê-lo posso assim afirmá-lo com maior destreza e propósito.
estamos perante um trio atacante colaboracionista tsf x quinta das lágrimas x porro com sabor a alho.
faço minhas as palavras da ana de amsterdam, poderia enunciar uma mão cheia de autores, premiados, lidos, consagrados que melhor fariam em estrangular a voz e manter-se calados.
mantém-se o dito, há uma linha muito ténue que separa o verdadeiro artista do puro puto sopeiro.
a grande revolução do ensino, por exemplo, não é pôr a malta toda a fazer contas de cabeça, tatoos com equações matemáticas, most of them wearables.
é substituir os velhos clássicos, pouco serve tentar articular como os cultos do século dezasseis e dezassete em diante, obrigando sem obrigar a juventude e encarregados de educação maioritariamente analfabetos e repetitivos a interpretar e reinterpretar o click de manara.
garanto, a gaffe concordará comigo, que de abstinência escolar nunca mais se falaria e as notas subiriam, como diria, deslizantes em flecha.
a erudição substitui a literatura de cordel por metafísica de saiote quando o que faz muita falta são novos episódios e não falo sequer da guerra dos tronos.
por outro lado, ao lerem-se crónicas e respetivos comentários dos jornais e revistas em circum-navegação dá para ver, não é preciso ser rapariga esperta, que escrita de referência é coisa que já não existe e que talvez só tenha existido quando o analfabetismo corrompia a maior percentagem de almas da população de duas patas.
mais do que talento, é preciso paixão.
para cantilenas temos todinha a família carreira, todinho um continente.
e por falar em paixão, deixo-a com uma beijoca com que não contava depois de um longo rol de manual de instruções.
a palavra do dia do dicionário da porto editora é martelinho e a menina deu-lhe forte mas a culpa é do jacinto que provocou esta caldeirada toda por dá cá aquela palha por isso bem feito.

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