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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de navalha

rabiscado pela Gaffe, em 10.10.16

Em Montmartre, no tempo Ocupado por navalhas, os homens traziam-nas no bolso. Navalhas de barba com cabos trabalhados. Serviam de ameaça ou de defesa, de passe para a fuga ou para o ataque.


Madame, todas as tardes em Montmartre, braço dado num amor francês, procura que Paris lhe tolde a persistente memória do amor perdido.


Em Montmartre, no tempo Ocupado por navalhas, a mulher insistia em ler as sinas.
Aberta na cinza de Montmartre, a palma da mão do amante de Madame, na tarde em que vencido ele desiste.
Não há lugar, nem indício, nem risco ou linha que fale de Madame! Não há no seu destino o rasto da amante. Madame não existe nas linhas da sua vida.


O homem saca da navalha e abre um golpe fundo na mudez das linhas da sua mão.
- Lê outra vez. Agora já a tenho - ordenou ele.


Madame sorri enquanto fala daquele tempo ocupado por navalhas, debruçada sobre uma confidência desgostosa. Retira depois da caixa de madeira antiga a navalha de cabo de trabalho.


- Guardo-a há demasiado tempo. Agora é sua. Rasgue o seu destino. 

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