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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Rutger Hauer

rabiscado pela Gaffe, em 26.07.19

 

Há momentos raros em que é revelado o encontro entre universos aparentemente desligados.

 

O solilóquio de Batty, protagonizado por Rutger Hauer, em Balde Runner - obra maior de Ridley Scott, escolhida para preservação no National Film Registry, da Biblioteca do Congresso, como sendo cultural, histórica ou esteticamente significante - é indiscutivelmente um breve, mas potentíssimo, abraçar do Cinema e da Literatura.

É um extraordinário solilóquio que, ao contrário do pensado, não foi da inteira responsabilidade de Philip K. Dick, já que foi reescrito pelo actor que lhe acrescentou o imenso e comovente fim que aproxima a chuva das lágrimas nela diluídas.

É extraordinária a beleza que surge na escolha de uma série muito curta, breve, simples, de palavras que unidas produzem as frases eternas.

 

I've seen things you people wouldn't believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched c-beams glitter in the dark near the Tannhäuser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die.

 

Soberbo, Rutger Hauer é neste exacto momento o filme inteiro.

 

Sou incompetente a discorrer sobre o estupendo Blade Runner. Outros já o fizeram, tornando-me incapaz de acrescentar o que quer que seja que retenha interesse, mas é este pedaço de humanidade, de impressionante mortalidade, de desalentador e desesperante sentido de nos sentirmos já vividos, que me convence que nascer e morrer são momentos vácuos, sem história, ocos, indignos de registo.

 

Mesmo a chover, só o que temos entre o nascer e o morrer é a eternidade.

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