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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe detox

rabiscado pela Gaffe, em 16.04.18

FFO.jpg

É extraordinária a quantidade de gente que corre sem paisagem; que pedala em bicicletas sem rodas; que cola aos braços aparelhos que contabilizam as batidas do coração, que medem a largura, o comprimento, dos passos que são dados, a quantidade de metros percorridos, a quantidade de braçadas, as vezes que se inspira, que se expira e a qualidade de calorias que se gastam na quantidade de suor que é medido por outros aparelhos que se apensam.

 

É extraordinária a quantidade de músculos que se querem ter tonificados - os nossos, mas também os do vizinho de passadeira de ginásio -, o peso das couves que se espremem para unir o sumo a pitadas de gengibre e bagas doidas diluídas num detox fit que nos dá saudades do velho clister, e mordiscam-se pepitas de aveia, de linhaça, de sementes de papoila, ao som de uma batida que nos comanda os saltos.

 

Vigia-se o fígado, perscrutam-se os pulmões, espia-se o coração, indaga-se o baço, espreita-se o estômago e espiolham-se os intestinos, pois há que ser fit, há que permanecer em excelente forma física e mostrar ao mundo que se é saudável, que se está em condições de esquecer o cérebro.

 

É extraordinário tentar perceber como será difícil a esta nobre gente tão detox, lidar com o envelhecer.

 

É tão quase tão extraordinário como reconhecer a tristeza que se sente quando se percebe que que é incomparavelmente mais feliz e mais vivido ter como banda sonora da vida - um só exemplo - a Slave March de Tchaikovsky, comandada por Pletnev, em substituição da batida ensurdecedora da aula onde se envelhece muito fit.

 

Ilustração - FFO Art

 photo man_zps989a72a6.png

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21 rabiscos

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De Maribel Maia a 16.04.2018 às 11:54

A primeira parte, do ginásio, é comigo...pelo prazer do treino... só quero envelhecer com um pouquinho mais de qualidade de vida!!!
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De Gaffe a 16.04.2018 às 12:09

Exacto.
Não acreditamos portanto que a qualidade de vida necessite de uma espécie de fanatismo fit que pesa e abafa o prazer do ginásio.
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De Maria Araújo a 16.04.2018 às 14:09

Há bastantes anos que alinho ir ao ginásio, porque gosto e quero prevenir a velhice, embora não seja fã de máquinas como fui nos primeiros anos.
Felizmente, não preciso ficar fit recorrendo ao detox até porque mal bebesse um desses sumos, sobretudo verdes, ia imediatamente para a casa de banho.
Ah! Não dou a mínima importância a essa coisa de medir as calorias. Dou sim aos produtos que compro.

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De Gaffe a 16.04.2018 às 15:54

Não me parece, minha boa amiga, que o ginásio previna a velhice. A velhice é uma cabra muito resistente.
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De Maria Araújo a 16.04.2018 às 20:55

Quis dizer os ossos da velhice, porque as rugas, ninguém as tira, a não ser o detox do botox.
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De Gaffe a 16.04.2018 às 23:25

O botox pertence a mulheres que não nasceram ontem.
;)
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De Corvo a 16.04.2018 às 18:21

São estes profundos e nunca por demais insondáveis mistérios da natureza que por vezes me levam a meditar, (angustiado) nos singulares enigmas da existência e, consequentemente, a questionar a espantosa e nunca deslindada capacidade humana sobre a sobrevivência.
Como foi possível, mulheres desse passado dramático, envelhecerem sem os ginásios? Logo, envelhecer sim, mas não fit.
Diga-se a verdade, há que reconhecê-la. Eram umas resistentes. Minha mãe, minha avó, e as outras todas antes dessas.
E... Pasme mundo! Sem o Detox.
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De Gaffe a 16.04.2018 às 20:31

A minha avó dizia que o que mantém elegante uma mulher jamais lhe chega engarrafado.

"Uma mulher pode ser gorda, mas isso, caso seja incomodativo, resolve-se revelando o homem que escolheu".
:)
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De Corvo a 16.04.2018 às 21:16

Se a memória não me atraiçoa, penso já ter-lhe dito a propósito de não sei quê sobre um não sei qual, que a sua avó era sábia.
O que elas não ensinavam.
Sobre o segundo parágrafo, que, penso ser de sua lavra; a minha mãe, seguramente seguindo o mesmo conhecimento adquirido de outra sábia, dizia o mesmo, com apenas uma outra poesia.
Quando se faz uma panela faz-se sempre um testo para ela.
:)
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De Gaffe a 16.04.2018 às 23:24

Sim.
Ainda hoje ouço no Douro o que acaba de referir. É reconfortante. Sabe tão bem ouvir estes "aforismos".
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De Pequeno caso sério a 16.04.2018 às 18:38

Detesto tudo o que me obrigue a ficar fechada maneiras que ao ginásio, não vou.

Andar na rua a correr que nem louca também está fora da lista. Não porque seja preguiçosa. Nada disso. A questão é que nunca sei o que fazer aos braços (e a julgar pelas figurinhas que vejo, as ' ssoas que praticam o jogging, também não).

Sumos detox também não são a minha onda. Tenho demasiado respeito pela comida . Se souberes de um desses batidos que saiba a alheira diz - me que sou menina para experimentar.

Concluo por isso que vou envelhecer cedo e cheia de godilhões . Pequeno detalhe : fá-lo ei muito feliz que diz que a boa disposição também é coisa que desintoxica uma ' ssoa.
;)
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De Gaffe a 16.04.2018 às 20:26

Acho que não sei correr. Nunca corri, nem atrás de um autocarro, e acho - vou ser triturada - uma trampa o ginásio.
Felizmente a genética não me deixa engordar um grama. Posso comer um boi que continuo um caniço.
Sou bastante feliz. É por isso.
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De Anónimo a 17.04.2018 às 11:27

Minha cara Gaffe,
Também eu fico surpreendida com a quantidade de seres que correm para fugir à velhice;))) e que consomem litradas de líquidos verdes, laranja, etc. como se estes fossem de facto um elixir da juventude eterna...
Entretanto, nesta luta contra o envelhecimento, esquecem-se simplesmente de viver...
Quanto a mim, fruto dos meus longos anos já vividos;)) garanto, por experiência própria, que a velhice é imparável e não há corrida nem sumo intragável que nos salve deste terrível destino;))) excepto a morte prematura.
Minha cara, a genética é uma bela ajuda no envelhecer com elegância e bom humor e devo confessar que também não me posso queixar nesse capítulo, mas, idependentemente da genética, viver a vida ao som de Tchaikovsky, por exemplo, garante muito mais uma velhice saudável ;))) do que viver ao som de qualquer batida irritante de ginásio.
Grace
P.S. Confirmo que a elegância não se encontra em frascos;)))
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De Gaffe a 17.04.2018 às 15:09

:)
Exactamente. Nem se consegue com corridinhas detox.
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De Anónimo a 18.04.2018 às 11:51

Precisamente;)
Para além disso, os meus Manolo não me permitem grandes correrias;)
Num registo mais sério: na realidade, como muito pouco e sou muito "esquisita" nos alimentos a ingerir... hábitos adquiridos dos meus tempos do Ballet.
Como em muitas coisas na vida (existem belas exceções, claro;)), na moderação está a virtude...

Grace
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De Gaffe a 18.04.2018 às 15:19

Já gostei mais do Blahnik do que agora.
:(

A moderação que refere inclui o sexo, não é?
:(
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De Rui Pereira a 17.04.2018 às 11:42

Sou um adepto convicto do exercício físico e de hábitos de vida saudáveis. Mas muito pouco fundamentalista. Comecei relativamente tarde, mas já fiz um pouco de (quase) tudo.
Hoje, revejo-me menos em ginásios e menos ainda em manias que se instituem de certos exercícios, da alimentação e da suplementação alimentar. Sim, gosto de aveia e de chá, mas recuso a euforia "detox". E gosto de ginásios, embora já não frequente, pois não faltam locais para exercitar o corpo muito mais acessíveis e aprazíveis. Não meço nem partilho tempos, quilometragens, calorias.
Pensar no bem-estar físico não é ir ao ginásio e comer saladas, é ter alguma parcimónia sentado à mesa (mas com direito a excessos ocasionais) e fazer trocas tão simples como ir pelas escadas em vez de ir no elevador, ou ir a pé em vez de pegar no carro para fazer uma deslocação ridiculamente curta.
Adoro bicicletas e faço por as usar, até pela sua componente prática e utilitária onde se junta o útil ao agradável, para além do lazer e do desporto. Mas lá está, nem toda a gente tem de gostar ou andar de bicicleta...
Coisas tão simples como caminhar à beira mar ou no meio da natureza são física e mentalmente revigorantes. O corpo e a mente devem ser trabalhados em equilíbrio e harmonia.
Não, não quero viver até aos cem anos e envelheço sem complexos, mas o tempo que viver que seja o melhor possível, até porque quando outros departamentos da vida falham, neste a satisfação pessoal está garantida.


O que começou por ser uma curta reação ao seu "detox" acabou por ser uma publicação no meu blogue. Os meus agradecimentos.
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De Gaffe a 17.04.2018 às 15:07

Partilhamos opiniões!
Penso exactamente assim. Os fanatismos dão sempre um resultado nojento.
:)
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De Gaffe a 17.04.2018 às 15:10

... e o seu blog está privadíssimo.
Menino mau.
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De Rui Pereira a 17.04.2018 às 15:30

Qual blogue?
O Bike Azores está livre como uma bicicleta! ;)
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De Gaffe a 17.04.2018 às 16:18

Fiz um desvio ... ...

Parva!!!

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