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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe do Cante alentejano

rabiscado pela Gaffe, em 10.12.14

Sem título.JPGA Gaffe não ainda não comentou a entrada do Cante alentejano no limbo do património imaterial da humanidade, porque queria primeiro que os rapagões chegassem a Serpa vindos de Paris. De braços dados, oscilando e dando aqueles passinhos, a caminhada leva o seu tempo.

 

Antes de tudo, a Gaffe refere que já teve uma breve e leve paixoneta por um alentejano que não se apercebeu do facto, tão ocupado que estava com uma quantidade desalmada de azinheiras descascadas que lhe toldavam a vista, e que portanto não é por malvadez ou preconceito que se vai sujeitar a ser linchada.

 

A Gaffe desconfia que a UNESCO estava com imensa pressa quando despachou o assunto. Estamos na época de Natal, há presentes para comprar, Deus sabe como são sinistros os Centros Comerciais na véspera da consoada e ouvir:

 

(solo) Ó AlenteeeEEEeeeejooo a cantaaari

(coro) Que o cante já é reseeeEEEeeerva

(solo) Da UNESCOOOO a afirmaaarAAAaaari

(coro) - Quem nã gostar cooooomaaa  eeeeeerva

(coro)ééérdaaaa.

 

só nos despacha com alguma sorte lá para Fevereiro.

É perfeitamente admissível que a UNESCO não tenha tido tempo para ouvir as resmas de coros polifónicos cravados, por exemplo, nos estilhaços da ex-União Soviética ou que não se tenha apercebido que não existe mais do que uma ou duas cadências rítmicas que embalam as quadras que, demos graças, não são a obra completa de António Aleixo, coisa que faria um cante terminar lá para 3015.

Depois, ter um bando de alentejanos de barba rija e cajado atrás da porta à nossa espera, pesa consideravelmente nas nossas decisões.

A Gaffe pensa que encharcar um rapagão em Valium empurrado pela goela abaixo por um belíssimo tinto maduro alentejano, dá sempre um resultado oscilante e vagaroso, entaramela a voz e arrasta o ritmo, mas fica felicíssima por saber que a UNESCO ficou convencida e com tempo para as comprinhas da época.

 

A Gaffe rejubila, embora suspeite que na sua ceia de Natal vá haver eeervaaa.  

 photo man_zps989a72a6.png


12 rabiscos

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De Meio Palmo a 10.12.2014 às 11:38

Aposto que a vodka finlandesa não consegue fazer tanto pela voz como o nosso vinho alentejano...
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De Gaffe a 10.12.2014 às 12:18

Gosto tanto!
É melhor que champagne que me costuma enjoar.
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De Anónimo a 10.12.2014 às 19:01

O que vale a esta Moça é que tem graça. E muita. Caso contrário e em jeito de presente de Natal, iria reunir todos os grupos de cante alentejano, levá-los até ao Porto - ou ao Douro - a fim de cantarem para Ela umas breves e nada leves horas. Assim, perdido de riso e com uma lágrima no canto do olho - as paixões desfeitas sempre me entristeceram -, deixo uma outra amostra da música que se faz no Alentejo, uma canção que relata um Amor entre um alentejano e uma portuense. Feliz Natal :)
https://www.youtube.com/watch?v=rz7Giz9clMM

Salvador
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De Gaffe a 10.12.2014 às 19:32

Manuela Azevedo sempre foi uma rapariga valente, mas a letra da canção talvez chega tarde demais.

Meu querido Salvador, eu tenho, no Porto e no Douro, um grupo de cantares liderado por uma senhora que quando canta:

"Ó minha Rosinha
Eu hei-de-ir, hei-de ir"

Toda a região demarcada fica com os tímpanos a arder.
Seria bem interessante ouvi-los cantar ao desafio!
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De Anónimo a 10.12.2014 às 21:37

Atrevo-me a dizer que seria a combinação perfeita, Querida Gaffe :) .
Até porque acredito que o Norte, especialmente o Douro, com os seus montes acolhedores e tentadores, vales encantados e aprazíveis, é o complemento ideal para as longas e duras rectas alentejanas :)
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De Gaffe a 11.12.2014 às 09:34

As metáforas geomorfológicas são tão interessantes!
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De júlio farinha a 04.01.2019 às 18:08

Menina Gaffe, as azinheiras não se descascam.São muito púdicas. Deve estar a referir-se ao sobreiro, esse macho a quem tiram a cortiça.
O tal ajentejano que não se apercebeu da tal paixoneta foi decerto porque a Gaffe não foi arrebatora para com ele e este não vai lá com olhinhos.
Quanto à candidatura e elevaçãoà categoria de Património Mundial, não foi, nem à pressa, nem nas vésperas de Natal.Foi no final de 2014. Sabia?
Quantos ao valium e à erva a Gaffe demonstra saber muito mais do que eu.
Uma beijoca se não for demasiado atrevimento e haja saúde que a ironia está boa do seu lado.
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De Gaffe a 04.01.2019 às 18:16

Meu querido,
São tudo árvores e paixões passageiras.
O cante continua.

Beijoca sim. É bom.
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De Sarin a 11.01.2019 às 18:57

Eu canto cante... ou cantava, quando por lá; que agora só para a sobrinha.

Penso que a Mlle terá que rever essa noção do rapagão. Mas, vá, a mim a UNESCO não patrimoniou portanto serei, como muitas, uma apátrida na música popular :)
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De Gaffe a 11.01.2019 às 19:05

:)
Mas eu gosto tanto das noções - de fixar o plural - de rapagão que tenho!
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De Sarin a 11.01.2019 às 19:08

E onde quer a Mlle fixar os plurais rapagões de noções, calções ou nem isso?! :s
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De Gaffe a 11.01.2019 às 19:11

Podemos sempre divagar.

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