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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe do galifão

rabiscado pela Gaffe, em 18.01.19

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A Gaffe tinha assumido o compromisso de não voltar a estar atenta aos burburinhos que à sua volta irrompem como cogumelos em bosque mais húmido e sombrio.

Admite que se está arrasada, tonta, desequilibrada, enjoada depois de ter confirmado - o comando da box da Gaffe tem uma verruga que lhe permite andar para trás na programação, tal qual o botão dos boxers do rapaz - que a Assunção Cristas foi mesmo a casa da Cristina Ferreira cozinhar arroz de atum e não estava a usar galochas! Nem jeans! - como se esperaria, pois que confecionava um prato de pobrezinhos.

 

Esta decepção, este lapso, esta incorrecção, esta falta de maneiras, esta inadequação da Cristas foi a gota de Moët & Chandon que fez entornar o copo.

 

A Gaffe não volta a beberricar fait-divers sem pedigree e se por acaso tropeçar outra vez na versão para gente de bem da Ode Triunfal de Álvaro de Campos, nos medicamentos da psicóloga normalizadora do universo, no ralhete de sala de visita do Goucha a um nazi, ou nas mamas da Rita Pereira a rebolar por todo o espaço, esta rapariga sai da sua zona de conforto e passa a insultar toda a gente no facebook, depois de assumir que não ficou chocada, nem um niquinho para amostra, com as declarações de Yann Moix que ninguém que valha a pena conhecia antes do homem ter dito o que não é de todo um escândalo de arrancar cabelo ou de depilar o cérebro.

 

Minhas caras, o rapaz não se sente atraído por mulheres de cinquenta anos.

Meus amores, todas as campanhas publicitárias, desde a da batata frita no pacote à dos coentros e rabalhetes, pensam e mostram o mesmo.

Não precisávamos era de conhecer as formas que o homem encontrou para se tornar um ridículo galifão a tentar erguer a crista, mas a preferência de um homem entradote por corpos de mulheres mais novas, não traz mal ao mundo. Pode eventualmente originar a compra de um Porsche descapotável vermelho para estacionar junto aos portões das escolas secundárias e inflacionar a venda de cola para dentadura, mas não afecta as cinquentonas que, divertidas, olham a coisa mais linda, que vem e que passa em doce balanço a caminho do mar, o Menino do Rio, o calor que provoca arrepio, o dragão tatuado no braço, o calção, o corpo aberto no espaço e por ali fora até ao refrescar da onda. 

 

Não sejamos más.

 

Todas as mulheres de mais de quarenta e muitos anos que a Gaffe conhece se divertem a congeminar perversidades maravilhosas protagonizadas por rapagões saídos há dois, ou três, ou quatro anos, de uma adolescência de ginásio, ainda com os olhinhos brilhantes de inocência fit, slim e menos coisas e mais coisa.

São mulheres estupendas, poderosas, bem-humoradas, belíssimas, que também gostam de publicidade a espumas de barbear, que já concretizaram sonhos, que já floriram, que já dão sombra, que já caminham seguras e perfeitas pelos trilhos que desenharam e que limaram - muitas vezes usando homens de cinquenta anos que preferem mulheres de vinte e cinco. Todas reconhecem que alguns - muitos - destes jovens equilibristas musculados não vão entrar no circo dos seus amantes, porque sabem que a idade dos meninos não se coaduna com a perícia de uma mulher que aprendeu a voar sem rede.

 

Não sejamos implacáveis. Todas temos de reconhecer que um atleta olímpico em idade tenra, ou um menino muito grande que ainda mama no dedo, é bem mais atraente que Yann Moix. Nós apenas não estacionamos o Prosche descapotável à entrada da Secundária e não nos babamos ao dar entrevistas.

 

A Gaffe sente-se esgotada com estas manigâncias, sobretudo porque são tolices destas que lhe aniquilam a atracção que sempre sentiu por homens mais velhos.

 

Decide, em consequência, deixar de estar atenta a burburinhos.

Vai dedicar-se ao arroz de atum, a servir chá a psicopatas e a curar os senhores dos tais vãos de escada.  

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31 rabiscos

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De Maria Araújo a 18.01.2019 às 12:05

Aplaudo, Gaffe.
E a foto está um doce.
Ai, Deus!



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De Gaffe a 18.01.2019 às 12:14

É tão fofinho, não é?! 
Galáxias melhor que Yann Moix que já é velho. 


Apetece tanto dar beijinho para o acordar. 
 
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De Maria Araújo a 18.01.2019 às 13:14

Há dias, e a respeito de o meu sobrinho neto bebé não querer chupeta desde que nasceu, e agora, com 15 meses, anda no colégio atrás dos amiguinhos para lhes tirar as chupetas, falou-se dos adultos que chuchavam no dedo e que reservam para a intimidade do quarto, o hábito que nunca lhes saiu quando eram crianças.
E esta imagem dá vontade de o encher de beijos.
Bom fim-de-semana.
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De Gaffe a 18.01.2019 às 13:43

Mas repare que não é sempre aconselhável retirar o hábito de chuchar aos rapazes ... ... 
Faz falta. 
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De Corvo a 18.01.2019 às 14:04


Preferencialmente de cara bem-escanhoada.
Arranhar não vale.

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De Gaffe a 18.01.2019 às 14:46

Não necessariamente ... 
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De Maria Araújo a 18.01.2019 às 14:08

Ah,ah,ah,ah!
Malandra.
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De Isa a 18.01.2019 às 13:04

Querida Gaffe em mais uma demonstração da sua magnífica escrita, ditada, naturalmente, por um raciocínio en pendant.
 Venho aqui para lavrar a minha mais completa indiferença pela Senhora Cristas e suas coisinhas, embora muito feliz por  ter a dita encontrado na Cristina quem a entenda e aplauda. Aborrece-me uma beca é o meu querido arroz de atum,que tanto prezo, ter sido o elemento analógico entre as duas personalidades, o que me faz olhar agora para ele, hoje,  de soslaio, estando ambos, de momento,  em processo de aceitação. Ele diz "perdoas-me..?" e eu respondo " ai ... não sei, não sei, não sei, se quando voltar a cozinhar-te com tanto desvelo como sempre o fiz, não me reportarei às feições das duas encomendas em apreço. Não sei!" (Sou assim, uma pessoa cheia de associações imbecis e isto costuma demorar-me imenso tempo a passar). Bom, logo se vê. 

Mas o que me efectivamente me traz aqui hoje, querida Gaffe, é o  Yann Moix, esse portento de espontaneidade. Pá, falando por mim que estou nos 50, achei que o bichinho se limitou a verbalizar uma cultura de séculos assaz empreendedora no sentido de se levar as sociedades ao que exactamente ele verbalizou, não tem mesmo ponta por onde se pegue, em termos de comparação, se nos fixarmos no que a ele interessa: O corpo. Há uma indústria inteira, aliás, a dizer-nos exactamente isso (como se fossemos muito distraídas e nunca tivessemos reparado) de revistas, conselhos de beleza, modelos de 15 anos a desfilar,  em suma, a fixando-se também no que parece ser de exponencial importância (o corpo), sugerindo que envelhecer é muito mau, como se fosse algo passível de se evitar. Claro que podemos investir no sentido de contrariar um bocadinho o tempo [eu adoraria estar uma Bruna Lombardi, por exemplo, não fossem os malditos "petit gateau" e a minha falta de paciência para andar à cata de cremes não sei quê, a mesma carência quanto a frequentar spas, odiar transpirar, portanto o ginásio estar completamente fora de questão, e, em suma, gostar demasiado de mim para andar numa correria a ver que ruga me apareceu agora e onde, mas nada contra quem o faz, força nisso]. O que quero dizer é que acho um molhinho incoerente  aqueles insultos todos que li dirigidos ao  Yann, tadinho, pois se por um lado nos bombardeiam com a noção de que naquela idade  somos invisível , esconde-a carago!, corta-te em cirurgiões plásticos, enche-te de botox ou o que puderes encontrar,  por outro, acham feio que a pessoa tenha sido sincera nas suas preferências, as quais, quando muito, denota tão só uma triste e muito parca evolução emocional, sendo que eu mesma teria sido menina (caso voltasse aos meus 25 anos), para lhe invadir o facebook no sentido de lhe perguntar: Olha lá ó coirão! É mesmo só isso que vês numa papoila de 25 anos, um "corpo"...? 
Já hoje, se o conhecesse, limitar-me-ia a despir-me à sua frente e pronto. Esperava então pela apoplexia, e aí uns 15mn depois chamava o INEM, como todo o cidadão consciente e empreendedor deve fazer, em casos idênticos. 


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De Gaffe a 18.01.2019 às 13:39

Antes de tudo, ADORO-TE.
Como é possível numa penada, depenares tão eficazmente um galifão?!


Posta a declaração em letra de forma, devo dizer que o homem em causa é um imbecil e dos imbecis não salta grande coisa, a não ser bastante murcha e mirrada por falta de uso. 


A ligação que existe entre a "escandalosa" invisibilidade de uma mulher que já não é um foguete de energia - e o consequente cartão de visita de um cirurgião plástico - e o abanar constante de ninfas de quinze anos a desfilar Prada e no prado, vai produzindo confusões no cérebro de homens que ficam com um único neurónio a fazer ricochete nas paredes.
Não podemos atribuir culpa ao rapaz velhote por ter sido sincero, porque é de lamentar perceber que anda a perder tanta coisa, enquanto é invadidos por quimeras de pacotilha e acredita que consegue se fizer muita força esticando a pila. 


O INEM é inútil. São homens sem vida. Não sabem, mas são. 
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De Gaffe a 18.01.2019 às 13:41

Só mais uma coisinha que se me escapou, porque me humilha um bocadinho:
Eu não sei fazer arroz de atum... e tenho mesmo de seguir a receita da Cristas, quando tiver coragem e o estômago vazio.
Como vês, a senhorita ainda tem alguma valia.
Também fiquei muito contente por ver as duas juntas, a Cristina e a Cristas, pese embora tenha pensado que foi por causa do Marcelo que a grande líder lá foi. Muito assim do tipo:
- Ai, é?! ficas a saber que eu até lá vou, morcão, que não te fico atrás. 

Mas não a achei deslocada. Ficam bem as duas ali às gargalhadas. 
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De Sarin a 18.01.2019 às 15:34

Pois a mim o que me continua a aturdir é como confunde o pobre Moix amor e desejo, e ainda assim ganha prémios literários daqueles a sério... com livros quase mais velhos do que as mulheres que ama.
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De Gaffe a 18.01.2019 às 16:16

O que o homem confunde é mulheres com corpos de mulheres. Reduz a vida a um corpo. 


Gostava tanto de saber os nomes dos prémios Nobel da literatura que toda a gente esqueceu!
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De Sarin a 18.01.2019 às 16:27

Que muitos os tenham esquecido não me aflige, como não me aflige desconhecer eu a obra de alguns dos recentes laureados.


Não, Mlle Gaffe, o problema (que apenas o afecta) do pauvre Moix não se resume à redução que faz da mulher, pois que ele distingue a maneira de estar das ocidentais preferindo-lhes as orientais. Não, é mesmo confusão de conceitos, ou talvez imaturidade de sentimentos, ou apenas falta de senso, sei lá.


Enfim, nunca mais olharei um desconhecido premiado Goncourt da mesma forma :(




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De Gaffe a 18.01.2019 às 16:46

Ah!
Tem razão. 


E eu a pensar que era só no âmbito da "palhaçada" de que quando em vez lhe passava pelo leito!  
Que parvo. 
Nunca li nada do bicho. Não creio que me vá apetecer. Vou esperar que ele morra e se transforme num clássico. Gosto de clássicos idos.  
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De Sarin a 18.01.2019 às 16:49

Este, nem ido nem dado ;)
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De Maria Araújo a 18.01.2019 às 16:02

Se o seu post está demais, o comentário da Isa e sua resposta estão merveilleuse.
Confesso que não comentei nada sobre a Cristina Ferreira e a Cristas, porque não vejo o programa, ando a leste disto, mas pelo que li, a Cristas foi à SIC cozinhar um arroz de atum.
Por acaso, não aprecio atum.
Aprecio mais uns rapagões.









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De Gaffe a 18.01.2019 às 16:13

A Isa nunca, mas nunca, deixa a massa em mãos alheias. 
É arrasadora.
:)


Há moçoilos que são como alguns atuns. Só em conserva. 
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De Pequeno caso sério a 18.01.2019 às 18:37

Como não sabia quem era o Yann coise fui espreitar. Assim que lhe vi as trombas percebi logo porque é que gosta delas mais novinhas. Deve ser porque são as únicas que ainda não cresceram o suficiente para achá-lo desafocinhado. 
Eu até compreendo as preferências do Yann. Eu própria também não viro a cara quando passa por mim um belo naco só porque é mais novo. Desde que me desperte a atenção, o olhar segue. 
Da mesma forma que o faço com um homem mais velho. O problema é que são mais ...raros.
Mais uma vez, se crucifica alguém só porque verbaliza o que sente. A merda do politicamente correto que já enjoa. 


Quanto à Sãozinha,tadinha,nem com arroz de atum me convence. E olha que adoro atum. Sou moça para abrir uma latinha, escorrer o óleo e deitar - lhe um garfo. Todo um glamour só ao alcance de alguns, eu sei.
Pronto. 
Agora que já falei muito e não disse nada, vou continuar a zelar para que o catraio aí em cima tenha um sono tranquilo. Tenho é de ter cuidado com a baba . Não a dele. A minha.


; )
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De Gaffe a 18.01.2019 às 22:23

Atum?
Adoro em conserva! 
Já experimentaste com queijo, tomate e ervas aromáticas, numa barra de pão que e levada ao forno?!


Tens um ... epifania.
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De Maria Araújo a 19.01.2019 às 20:24

Nham, nham,deve ser delicioso.
Tenho de experimentar.
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De Gaffe a 19.01.2019 às 09:03

Sempre às suas ordens.
:)
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De júlio farinha a 19.01.2019 às 01:42

Cá eu assusto-me com as mulheres poderosas. Só de me imaginar a ser brutalmente invertido ao longo dos membros musclados de uma mulher dessas me enerva a moleirinha. 
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De Gaffe a 19.01.2019 às 09:02

Entendo.
Monica Bellicci, ou Julia Roberts, ou A. Jolie, por exemplo - só como exemplo -, são tenebrosas na área que refere. Um susto.
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De Gaffe a 19.01.2019 às 09:12

E a Monica é a Bellucci.
A bellicci é uma peça de mobília lá de casa. Das nossas adolescências ... 
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De júlio farinha a 19.01.2019 às 18:48

Já se viu que a minha alusão às mulheres poderosas não passava de uma brincadeira intencionalmente deslocada e de não muito bom gosto. O contexto em que a Gaffe descreve as mulheres que admira não sanciona o que escrevi no comentário anterior. A palavra poderosas está plasmada num conjunto homogéneo de adjectivos e dele não pode ser separada: mulheres estupendas, poderosas,bem-humoradas, belíssimas ...
As mulheres de eleição para a Gaffe têm poder de carácter, são uma elite, mulheres de grande força, poder e talento.
A minha primeira abordagem é redutora.
Minha mãe tinha poder, enformado pelo amor que tinha aos filhos. Era rica de sentimentos e valores para além de ser eficaz na vida.
Aqui deixo, num genuíno acto de contricção, o pedido à Gaffe que ignore a primeira versão que não está à altura, nem pouco mais ou menos, do excelente texto que aqui publicou.
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De Gaffe a 19.01.2019 às 22:27

Meu caríssimo Júlio,
Como poderia não o desculpar?!


Um cavalheiro porta-se exactamente como se portou.
Nenhuma mulher é capaz de ficar indiferente e é  claro que fica rendida.
É um sedutor.
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De júlio farinha a 20.01.2019 às 00:05

Querida Gaffe,
 foi preciso chegar aos sessenta e tais para receber o elogio mais bonito e categórico da minha vida. Foi ao fundo do meu coração. Espero nunca a desiludir. Receba um muito obrigado embrulhado num beijo.
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De Gaffe a 20.01.2019 às 01:10

Não, meu querido Júlio.
Foi preciso chegar aos sessenta e tais, como diz, nunca abdicando da elegância.
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De Candy a 19.01.2019 às 12:17

Delicioso
O texto, claro!😉
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De Gaffe a 19.01.2019 às 13:40

Qual texto?!

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