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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe do Rafael

rabiscado pela Gaffe, em 28.10.19

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Rafael Esteves Martinsassessor da deputada Joacine Katar Moreira, diz ponderadamente à comunicação social que está ali presente para discutir questões políticas e não para divagar sobre o seu outfit. Concorda-se, pois que ninguém divaga sobre os aventais que por lá se movem. 

Uma chapada de capeline branca.

 

Vamos acreditar, meu querido, que o menino é apenas um novato e que por consequência ignora que foi publicada mais vezes a cor do verniz das unhas da deputada - ou mesmo a cor da pele do nosso Primeiro -, do que legislação no Diário da República. A alternativa - o menino é useiro e vezeiro nestas marotices e sabe-a toda -, não faz justiça ao seu ar arejado.

 

Devo dizer-lhe, meu caro, que odiei alguns pormenores que me trouxeram à memória a catequista da aldeia de outrora.

 

Não é admissível que marche com um saco de pano foleiro a penduricalhar à tiracolo.

Bem sei, meu querido, que é mais ecológico - ou vegan, ou vegetativo, ou essas coisas hemopáticas, homoepáticas, homeopáticas -, e que é preferível a trazer um feito de parte de uma vaca assassinada e curtida para esse fim, mas, convenhamos meu caro, há bichinhos mortos e esfolados e transformados em maravilhosos Louis Vuitton com mais idade do que a Thunberg. Tinha desculpa. Na altura que o comprou não imaginava que iria aparecer uma piquena aos ralhetes e aos ramalhetes ecológicos e a bradar pelos ecossistemas. Toda a gente que se preza tem do pré-Greta e do pré-PAN qualquer coisita em couro e quando não tem leva o próprio. Não pode esquecer que é só agora que não se podem usar os netos desses falecidos como acessórios. Se for vintage é distinto. 

 

As meias!

Meu querido Rafael, as meias tricotadas pela avó, verde-bicho morto, são também elemento francamente provocatório. Para além de parecerem quentes enfiadas naqueles Dr. Martens - não convém começar a cheirar mal logo no primeiro dia -, aludem à tonalidade do que já se finou há pelo menos uma semana - provavelmente a semana que levou a decidir a melhor forma de espantar os pardais parlamentares e provocar o chinfrim habitual nas redes sociais.     

 

Vou entregar-lhe um conselho. Sei que é o menino que assessoria, mas uma pitada de malícia colorida em jeito de miminho conjuga lindamente com o seu pullover absolutamente oxfordiano que minguou na máquina de pretos que a senhora lá de casa fez na véspera, mas, meu querido, quando quiser que aquilo a que chamam comunicação social não lhe rompa e roa a bainha do outfit - em vez de o ver coser os ideais - escolha vir definitivamente deslumbrante e faça rodar sobre todas as bancadas parlamentares todas as pregas de um kilt bem moldado e, como é da praxe, usado sem cuecas.

 

Talvez assim se veja definitivamente que o menino tem tomates.

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22 rabiscos

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De Maria Araújo a 28.10.2019 às 22:37

Quando vi e li, não me incomodou nada (detestei as meias), mas pensei nas preferências da Gaffe e naqueles homenzarrões de saia e sem cuecas que tanto admira.
E cá está o post.
Nada lhe falha .
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De Gaffe a 28.10.2019 às 23:22

Ah, mas também não me incomodou! O homem veste - mal - aquilo que quiser.
Só fiquei com pena.

(Temos de combinar as alterações a fazer à imagem do seu blog - isto se mo permitir. Cores, formas, ideias ...)

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