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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe dos desobedientes

rabiscado pela Gaffe, em 17.06.19

Desobediente.jpg

 

Penso tantas vezes que se torna secundária, mesmo inútil, a imagem de correcção política, de aprumo vincado, de sensatez moderada e isenta de qualquer percalço mais ousado, de rigidez polida e conveniente ou de eventual perfeição consensual que tenta induzir uma desejada aceitação social, primeiro degrau para uma ascensão planeada.

 

Aqueles que são a imagem estereotipada do jovem adulto urbano, integrado, sociável e sociabilizado, detentores de títulos académicos pomposos, colaboradores empenhados de multinacionais, ou nomeados pelos governos como especialistas, possuem, geralmente, uma reputação acima das suas possibilidades morais.

 

Mas obedecem.

 

Obedecer não é erro imediato. Só se torna condenável quando a gravata Cerruti, normativa, aperta e asfixia muito mais do que o colarinho da escolha Lagerfeld - vamos manter dúbia esta pequena frase.

 

A conquista de uma liberdade capaz de se demarcar do jogo que acaba na uniformização e no massificar dos indivíduos, é lenta e, como o ballet, exige que se comece cedo.

 

A prova de que foi solidificada surge, de vez em quando, numa das mais vulgares ruas das cidades, usada por homens que - ao contrário dos que parecem governar as multidões -, jamais conseguirão perder o tempo, porque exibem esta liberdade carismática ao lado da cicatriz que fica da conquista.

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4 rabiscos

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De Sarin a 17.06.2019 às 14:40

Atraem-me as cicatrizes.

Mas tropeço no início do texto, a correcção política largada como pedra de calçada mal batida, solta... porque à correcção política sinto-a no partir da alma dos sapatos quando bato o pé, correcto sendo bater o pé pelas políticas que defendemos mesmo que nos esbardalhemos descalças na calçada. Depois recordo que sim, o sarcástico mediatismo nomeou correcto o politicamente incorrecto apenas para menorizar quem ainda defende princípios e não se agita com brisas... Estico o pé e avanço no teu texto sem mais percalços, sorrindo da ironia de ironizares sobre o próprio sarcasmo.


Gosto muito de cicatrizes.
E, depois, quem quer vestir Lagerfeld podendo trajar uma pele assim personalizada?


E este postal terá destinatário, mas não leio notícias desde sexta-feira e por isso o lerei universal.
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De Gaffe a 17.06.2019 às 14:52

As "correcções" são aqui polissémicas!
:)
Tem destinatário, sim.
Este, que acaba de se cumprir em pleno:

https://agaffeeasavenidas.blogs.sapo.pt/a-gaffe-no-jantar-264121

Tentemos globalizá-lo.
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De Sarin a 17.06.2019 às 15:20

Tu matas-me! :D


Já te disse que és admirável e admirada?
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De Gaffe a 17.06.2019 às 16:24

São as flores.
;)))

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