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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe dos enfermeiros

rabiscado pela Gaffe, em 26.12.18

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A Gaffe acha lamentável os enfermeiros - e as enfermeiras, pois que esta menina é politicamente correcta - terem cancelado a greve de dia 26, 27 e 28 do corrente.

Não é bonito terem perdido a oportunidade de ultrapassar a velocidade de cruzeiro os 100 – cem! – dias de greve num ano. Um record que se perde sem apelo nem agravo. Os deuses sabem o quanto este país é parco em nomes no Guiness.

 

É evidente que a Gaffe reconhece como válidas e justas as reivindicações destes profissionais, mesmo não as tendo aprofundado. Estão fartos de ser maltratados, agora também através dos esforços hercúleos e um bocadinho constrangedores de Marta Temido que não estabelece conversações com criminosos, mas que revela que lhe foi proposto pagar quinhentos euros por hora a um anestesista - o que é obsceno, por ser verdade. Neste lugar à beira charco, qualquer reivindicação é justa e de atender, tendo em consideração o lamaçal e a água putrefacta que foi e vai inundando o areal que desde D. Sebastião continua à espera de messias.

 

A Gaffe aplaude a classe dos enfermeiros e a sua Ordem - que se comporta como um Sindicato, raramente limitando as suas acções aos motivos que a originaram e às normas que a regem e liderada por uma senhora que não parece fiável, tendo em consideração a manobra que lhe aumentou brutalmente o ordenado - quando declaram que apenas as cirurgias programadas foram proteladas. As urgentes, são sempre realizadas, afirmam.

 

A Gaffe não entende muito bem como se consegue, num país em que as listas de espera entopem as entradas dos blocos operatórios, distinguir com clareza uma cirurgia programada por não haver lugar ou espaço para a efectivar nos dias posteriores à detecção do problema, de uma cirurgia capaz de aguardar longos meses a sua vez de ver a luz em virtude do paciente poder aguentar - e aguenta, aguenta - o mal pela raiz, até chegar ao caule ou atingir a flor e o fruto.

 

Seja como for, é curioso verificar que uma cirurgia - programada por não ser premente e depois adiada por apanhar no bloco a greve dos instrumentistas -, pode num curtíssimo espaço de tempo transformar-se numa cirurgia de carácter urgente.

Nessa altura, atestam, o paciente é operado.

Provavelmente, sim. Acreditamos que sim. No entanto a intervenção tornou-se então muitíssimo mais complexa, mais perigosa, com maior risco, mais longa e mais exigente, o pós-operatório adquire elevada perigosidade, e a qualidade de vida do indivíduo é abalada e diminuída drasticamente.

 

A Gaffe considera que, ante de mais, é a qualidade de vida dos pacientes que as greves dos enfermeiros, que a juraram preservar, cuidar e defender, estão despudorada e imoralmente a menosprezar e a desprezar, embora se alvitre, com uma certeza bastante asséptica, que com um número tão elevado de intervenções adiadas, casos de extrema gravidade que colocam em risco a vida das gentes – a curto, a médio e a longo prazo -, possam e devam estar a ocorrer.

 

Usar como comprovativo de poder e de força as millhares de cirurgias adiadas - não é possível deixar passar em branco o efeito dominó que estas situações vão provocar -, é apenas usar uma pequena parcela do acontecido. Falta contabilizar os milhares de pacientes que, por exemplo, deixaram de ser apoiados nas mais básicas tarefas e necessidades quotidianas - estamos não só a referir os cuidados de higiene geral, mas também a falar de WC, de fraldas, de algálias ou drenos vigiados com insistência de forma a evitar propagação de infecção, tratamento de feridas, substituição de pensos, ou até mesmo de deslocação ao domicílio do doente, ou da deambulação do paciente com apoio especializado - que deixaram de ser realizadas.

 

A qualidade de vida dos doentes hospitalizados baixa tenebrosamente.

 

A verdade é que não existe qualquer razão - que não se torne um atentado aos direitos do cidadão -  para retirar aos enfermeiros - ou aos médicos, já agora leva-se tudo a eito, que tudo está à mão de semear - o direito à greve. No entanto, seria amoroso que esta classe profissional repleta de justezas e com mais que rectas reivindicações, encetasse outro tipo de luta que não colocasse em causa a qualidade de vida dos indivíduos doentes a necessitar de cuidados especializados.

A mobilização maciça da sociedade civil, por exemplo, seria alternativa viável, bastando para tal que os profissionais em causa se dispusessem a esclarecer, a alertar, a despertar, a motivar, a solicitar o apoio, a solidariedade e a compreensão dos que sabem, porque sentem na pele e no resto do corpo – seu ou do muito próximo - que um doente é exemplarmente cuidado pelos enfermeiros nos Hospitais portugueses adstritos ao Serviço Nacional de Saúde - com exepção dos serviços de ortopedia, onde todos parecem brutamontes saídos do Hades, credo!

 

Parece evidente que esta mobilização solidária embate com o enraizado quem quer que se cuide e não colhe frutos quando está em causa a causa dita alheia, mesmo quando essa causa nos toca por motivos trágicos, mas de través.  

 

Era mimoso ver na rua de cartaz ao peito, palavras de ordem na estrada, a lutar pelos enfermeiros, todos os familiares dos doentes internados, com a certeza de que os seus sofredores continuavam a ser cuidados com a qualidade extraordinária que é característica da esmagadora maioria dos sofridos pelos quais se manifestam.  

 

Era bonito. Cheirava a Timor mais pequenino.

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5 rabiscos

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De cesar a 27.12.2018 às 12:04

Percebe que contar com enfermeiros, mérdicos ou empresas de "saúde" e fármacos é tão demente quanto a própria doença que leva as pessoas a procurarem ajuda fora de si mesmas? É perdoável nos doentes, afinal é axiomaticamente irredutível MENS SANA IN CORPORE SANO e doentes não tem como raciocinar direito ou não estariam enfermos!

Assim, afirmo que ajustar nossa filosofias às filosofias enfermas e hipocondríacas dos doentes sofredores é estúpido, o que temos que fazer é remediar, mas ensinar saúde!!
Saúde é AR (sem chemtrails e poluições é claro), é respiração profunda, é meditação e sobretudo é NÃO INGERIR MORTE POIS COMER MORTE GERA MORTE E NÃO VIDA!
Logo, alimento são FRUTAS, pois frutas são as vaginalidades vegetais, são fabulosas como vaginas por razões idênticas, são REPRODUÇÃO, e suas espetacularidades também têm origens idênticas, se não fossem fabulosas não seriam comidas e não perpetuariam suas linhagens!
E mais, frutas se caem embaixo da árvore mãe matam as sementes pois a acidez da frutose não é salutar para elas! A sombra da mãe as impedem de germinar, e claro, as mães já se alimentam dos nutrientes do solo, logo nada sobra às filhotas sementes! Elas são deliciosas com aromas mágicos (percebe que são como vaginas) para que sejam devoradas e "engravidem" até animais machos (sim, essa é a única forma de nós machos ficarmos prenhes), e esses animais garantirão o parir longe da árvore mãe disseminado a vida e contribuindo retribuindo as benessses que as árvores lhes dão!
E nem preciso dizer o quão gratas ficam as árvores mães com essa conduta!
Isso é inclusive POÉTICO, é belo em tudo, é a sinfonia da vida!
O mesmo dizemos de raízes, pois se mordemos uma cenoura, um tubérculo qualquer que deixamos os talos no solo, ele tal e qual uma fênix renasce das "cinzas"!
Comer grãos, só se crus, dessa forma os que acabam sem mastigação usarão dos "restos cadavéricos de seus irmãos para germinar em glória!
Já ingerir um defunto nos garnte o ódio dos rebentos arrebentados dos babybeefs, dos frangos e de todos os que perdem seus entes queridos mesmo que segundo os "doutos" "umanos" aleguem que eles não sentem! Afinal só quem sente é que esta no corpo onde a dor ocorre!
E claro, além de termos os vaticínios e anátemas dos animais sacrificados e seus queridos, só ingerimos a morte, a imobilidade, o sofrimento e a dor desses! Ao passo que ingerindo frutas, sobretudo, temos a gratidão das mães e mais, a pujança germinante dos filhotes que levamos nos ventres! E claro, defecando no campo, garantimos que não deixamos nem uma molécula de açucar que MATA a planta, deixamos apenas para ela o nutriente, que são exatemnete o que não digerimos!
Cara Gaffe, sem te cobrar nada, sem te desnudar, sem te tocar eu te ajudo a curar, isso é o setup de um VEGETARIANO frugívoro que entende qu8e só vale a manifestação em busca da evolução!
Repito, MENS SANA IN CORPORE SANO!
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De Corvo a 27.12.2018 às 16:58

Pois, caríssimo cesar.
São estes incongruentes mistérios da natureza que por vezes me fazem quedar como um desses filósofos, alto e magro, cadavérico, bêbedo, doente e pálido meditando nas tristes vicissitudes da existência, encarando o mundo como se daí já nada haja a aproveitar, ou nem valha a pena
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De Cesar a 28.12.2018 às 15:37

Caro Corvo, me causa espanto sua comparação, não me parece um ser um tanto claudicante, mais me parece alguém que pensa.
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De Corvo a 28.12.2018 às 23:43

Ah! Muito obrigado, mas o seu generoso conceito sobre a lucidez do meu pensamento só vem envergonhar a minha estúpida pretensão à sabedoria.
E andei eu uma vida, que me parecem séculos, aos caprichos de uns ventos laterais caindo aqui, equilibrando-me ali, imergindo além, emergindo acolá e quando pensava que alguma coisa sabia, vã veleidade; veio o caro César na mais empírica dissertação esclarecer o que verdadeiramente é o profundo conhecimento humano.
É bem verdade, é: pelo menos no que a mim diz respeito foi certeiro: Se tapado nasci, burro vivi e ignorante me hei-de finar.
Serve-me de consolo, embora parco, quase inexistente, que se de facto alguma coisa aprendi, não fui caso único.
Afigura-se-me até, que depois da sua imensurável prelecção o mundo ficou indubitavelmente mais sábio.
Um abraço e continuação de felizes festas.
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De Quarentona a 29.12.2018 às 19:08

Caríssimo, gosto tanto de si :))))
Está então explicado o amor lampião ;))))

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